A verticalidade de Pedro Namora II
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Palavras-chave: Casa Pia, Coragem, Denúncia de crimes sexuais, Pedofilia, Pedro Namora
A verticalidade de Pedro Namora
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Rosto de denúncia dos abusos sexuais na instituição em 2002, Pedro Namora tem novos dados que o levam a acreditar que a pedofilia não acabou. “Há uma rede que opera na Casa Pia”, disse ontem ao CM. Pedro Namora explicou que “são duas a três pessoas da provedoria que operam em colaboração com funcionários de colégios no sentido de aliciarem crianças com idades entre os 12 e 14 anos”.
A denúncia do ex-casapiano surge depois de a ex-provedora Catalina Pestana ter enviado um relatório para o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, no qual, segundo apurou o CM, revelava a alegada existência de uma nova casa, na região de Lisboa, onde adultos se encontram com crianças para práticas sexuais, entre os quais um arguido que está a ser julgado no mega processo de pedofilia.
Pedro Namora acredita que há uma relação entre o ex-aluno que angaria crianças para essa casa e os novos dados que obteve sobre funcionários da Casa Pia, que diz serem “os mesmos que roubaram fotografias e documentos à ex-provedora”.
Perante a gravidade da situação, Pedro Namora critica o Governo e a Procuradoria-Geral da República por ter sido desmantelada a equipa de investigação que conduziu o mega processo e levou ao julgamento de sete pessoas, incluindo Carlos Silvino (‘Bibi’), Carlos Cruz, o embaixador Jorge Ritto e o médico Ferreira Diniz.
Na sequência da denuncia de Catalina Pestana, o Presidente da República, Cavaco Silva, exigiu uma investigação “até ao fim”, enquanto a actual dirigente da instituição, Joaquina Madeira, disse desconhecer a existência de pedofilia na Casa Pia.
Com base na experiência que levou à mega-investigação, Namora lamenta que o procurador não tenha já nomeado uma equipa especial. Em comunicado, a Procuradoria revelou “que não foi nomeada nenhuma equipa por tal não se justificar”. A informação é de sexta-feira, o dia em que Pinto Monteiro recebeu a dirigente da Casa Pia, Joaquina Madeira. A Procuradoria reitera que o inquérito foi entregue “à secção do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa”, de crimes sexuais, coordenada pelo procurador João Guerra, que liderou o primeiro processo da Casa Pia.”
http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=263459&idCanal=10
João Saramago
In Correio da Manhã
28-10-2007
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Temos todas e todos muito a agradecer ao Pedro Namora e à Dra Catalina Pestana pela coragem e pela fidelidade a um ideal. A maior parte da população está do lado deles e sente o que eles sentem. Só os cobardes se encostam a quem tem poder e fecham os olhos ao sofrimento das crianças e à injustiça.
INSULTO ÀS VÍTIMAS
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Maria Clara Sottomayor
In Notícias Magazine
28 de Outubro de 2007
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Palavras-chave: Abuso sexual, Abuso sexual de crianças, Crime continuado, Direitos humanos, Lei, Novo Código Penal, Retrocesso, Tribunais
Estarão os portugueses adormecidos?
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9 de Outubro de 2007 - chegada do primeiro-ministro José Sócrates à Covilhã, sob protestos de mais de uma centena de pessoas ( na véspera dois agentes da polícia visitaram a delegação da Covilhã do Sindicato de Professores da Região Centro pedido informações sobre se havia algum protesto em preparação).
18 de Outubro de 2007 - 200.000 portugueses (trabalhadores e desempregados) rumaram Parque das Nações em Lisboa, para protestar contra a flexisegurança, o aumento da precariedade no trabalho e a redução dos salários. Foi considerada a maior manifestação dos últimos anos.
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Pós-Texto: Post alterado em 28/10/2007 com texto introdutório aos vídeos.
A troco de goluseimas e artigos de mercearia...
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*Tribunal julga pai por forçar filhas à prostituição*«Duas jovens de Celorico de Basto acusam o pai de abuso sexual e de terem sido por ele obrigadas a prostituir-se a troco de guloseimas e artigos de mercearia. A história de Cátia e Natália, passada em Queiriz, na freguesia de Agilde, leva o povo a querer a prisão de António Pinto, acusado de ter sujeitado as filhas a uma orgia com sete homens e obrigado a abortar. Hoje, no Tribunal de Celorico de Basto, serão proferidas as alegações finais deste caso que senta no banco dos réus o pai e a mãe, acusada de cumplicidade.As vítimas - Natália, de 22 anos e Cátia, de 17 - depõem contra o pai no processo. Abandonaram a casa onde foram abusadas entre 1999 e 2004. Quanto aos pais, aguardam o resultado do julgamento em liberdade com termo de identidade e residência. A primeira denúncia, feita há sete anos, partiu do dono do café vizinho, "O Chaves". José Jorge alertou a GNR, depôs na Polícia Judiciária de Braga e na Segurança Social, "quer pessoalmente, quer por escrito". Também a população de Queiriz protestou e um abaixo-assinado foi posto a circular na aldeia a repudiar a "casa de prostituição".Nas contas de José Jorge, terão vindo "trezentos clientes, talvez mais", vindos de um "raio de 40 quilómetros", de Braga ao Porto. "Vinham várias vezes por semana, em bons carros, e faziam fila às duas da manhã, era uma loucura", conta ao DN. "Ao sair da casa, gabavam-se, no café, dos abusos e poucas-vergonhas. Até as miúdas já tinham dinheiro para comprar gelados e comiam doces deles", recorda o dono do café.O comerciante quer, todavia, deixar claro que nunca foi à casa ou viu lá "pagar por sexo; mas ouviu chapas a mexer, gritos, vozes.O pai [António Pinto] dizia-me que 'comia' as filhas as vezes que queria, sobretudo a mais velha, porque tinha sido ele que as fez e eram boas". José Jorge afirma, ainda, ter visto uma das jovens envolvida com um homem num carro, no monte adjacente. Chamou logo a GNR, que "não tinha jipe para a ocorrência, porque havia festa em Gandarela".As investigações nada concluíram na altura e os populares falam em negligência do Estado, pois "as miúdas eram adolescentes e evitava-se estragar-lhes a vida". "Isto fica longe de tudo e ninguém liga a nada", reforça Jorge Leite, morador em Queiriz. Há três anos, o Ministério Público acusou António Pinto de lenocínio - ficou oito meses em prisão preventiva em Vila Real, pelo "perigo de continuação de actividade
perigosa" - e de tráfico de armas, graças às três pistolas achadas sob o colchão da cama do casal."Vai matar-se se for preso."António Pinto "está doente e com tonturas", na sequência de um acidente de viação ocorrido há alguns meses, explica a esposa. Rosa Cardeal nega que o marido tenha abusado das filhas e as tenha obrigado à prostituição ou a "desmanchos" (abortos). "É mentira. Ele prefere morrer do que tocar-lhes e quer matar-se se voltar para a cadeia, já o tentou fazer com garrafão de lixívia quando esteve preso na cadeia de Real", assume Rosa, à porta de sua casa, onde a degradação salta à vista. Até 2004, altura em que as filhas mais velhas saíram de casa, viviam ali oito pessoas, mantendo-se graças a apoios da Segurança Social.Com cinco filhos, três netos e casada há 24 anos, Rosa Cardeal "nada" tem a apontar ao marido. "Este caso é vingança da Natália, dormia cá com um homem que a engravidou, quis sair de casa apesar de ninguém a querer expulsar e abortou em Paços de Ferreira, onde está casada com outro e tem um filho", revela.Rosa Cardeal acredita que a única altura em que as filhas poderão ter-se envolvido com homens dentro de casa era ao fim-de-semana, em que ela trabalhava como vendedora ambulante: "Nunca vi nada, esta é uma casa digna", insiste, antes de sublinhar: "As miúdas estão na idade, podem ter namorados, e se por acaso não forem sérias, a culpa não é do pai."Cátia foi "violada" por um idoso já falecido, conta Rosa, que não fez queixa "porque foi coisa pouca e ele era boa pessoa, dava dinheiro e mercearia". Cátia, de 17 anos, está numa valência da Segurança Social de Braga, com o filho de 2 anos, cujo pai é Flávio Silva. Este seu namorado, de 26 anos, vive na casa de António Pinto. "No tribunal depus pelos pais dela, que me prometeram no fim disto poder casar pelo civil", declarou Flávio ao DN.As análises realizadas no Hospital de Guimarães, em 2004, no âmbito do processo judicial, confirmaram que as duas filhas mais novas - agora com 19 anos (e 11 anos à época dos factos) e nove anos - eram virgens, ao contrário de Natália e Cátia, que depuseram contra os pais.»
Mysterious Skin
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Sérgio Lopes no Cine7 escreveu:
«Gregg Araki cria uma película de tom pesado mas ao mesmo tempo de uma subtileza e sensibilidade notáveis. A narrativa flui de uma forma pacífica suportada por uma montagem onde os flashbacks da infância dos personagens encaixam na perfeição. O trabalho de câmara do cineasta é bem direccionado, servido por uma fotografia e partitura sonora, competentes. A par da realização competente, os actores transportam grande realismo e credibilidade às personagens.
Mysterious Skin é um filme que, sobretudo, tenta abordar os efeitos que a pedofilia tem sobre a vida de uma criança e as repercussões que terá para toda a vida. Apesar do material pesado é um filme realizado de forma sensível e sensata. Altamente recomendável.»
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Tenho que ver este filme. E vocês?
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Casa Pia: O Estado não cumpre o seu dever de protecção das crianças
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Catalina Pestana referia-se aos novos Códigos Penal e de Processo Penal, que entraram em vigor a 15 de Setembro.
Na segunda parte da entrevista ao jornal, a ex-provedora da Casa Pia de Lisboa, afirmou: «Vai demorar ainda mais e só agora percebi porquê. É porque era preciso que saísse o actual Código Penal, cujo artigo 30º, como disseram vários juristas, foi feito expressamente para a Casa Pia».
«Antes, um crime de abuso sexual contava as vezes que uma vítima era abusada, o actual Código Penal diz que um crime continuado de abuso sexual conta como um único crime. Eu percebo por que é que foi preciso esticar no tempo este processo, com o tribunal a permitir a repetição de perguntas ad infinitum», afirmou.
«Eu própria fui ouvida em audiência durante quase três meses, com os advogados todos a perguntarem aquilo que eu já tinha respondido três, quatro, cinco vezes. E às vítimas aconteceu o mesmo» acrescentou.
«Se nos partidos todos acharam que este Código Penal e este Código de Processo Penal eram muito bons, então a sociedade civil tem de se organizar para defender pelo menos aqueles que não têm ninguém adulto que os defenda», frisou Catalina Pestana, para anunciar a criação, em Janeiro próximo, de uma Rede de Cuidadores para defender as crianças de eventuais abusos.
«Eu, sozinha, não sou ninguém. Mas com alguns outros, que espero que sejam muitos e das mais diferentes profissões, estamos disponíveis para criar uma associação de cuidadores, para ajudar o Estado na protecção das crianças institucionalizadas, de Norte a Sul do país», disse, acrescentando que será uma ONG (organização não-governamental) independente, que irá intervir ao nível da formação de técnicos que trabalham com as vítimas, terá também apoio jurídico e uma casa para que as vítimas não tenham de voltar à casa do abusador para dormir.
A ideia da Rede de Cuidadores «decorre do processo Casa Pia: a uma rede de abusadores só consegue opor-se uma rede de cuidadores», salientou.
Acrescentou que quando se fizer a história do processo da Casa Pia, todos verão que se houvesse legislação que permitisse investigar tudo o que lhe foi dito, à Polícia Judiciária e ao Ministério Público, seria um «terramoto» com «consequências devastadoras».
Questionada sobre se «tenciona divulgar» nomes de pessoas alegadamente envolvidas em actos de pedofilia com alunos da Casa Pia, Catalina Pestana afirmou: «Quando isso acontecer, eu já cá não estarei. Vou deixá-los a quem há-de ficar vivo, para só daqui a 25 anos os publicar, como a lei diz».
Catalina Pestana foi nomeada provedora da Casa Pia nos finais de 2003 – depois de ter rebentado o escândalo de pedofilia com alunos da instituição, em julgamento no Tribunal de Monsanto, em Lisboa, com sete arguidos - e abandonou o cargo a 11 de Maio deste ano, aposentando-se.
Na primeira parte da entrevista ao Sol, publicada no fim-de-semana passado, a ex-provedora da Casa Pia afirmou não ter «dúvidas nenhumas de que ainda existem abusadores internos» na instituição e que participou as suas suspeitas ao procurador-geral da República, que já confirmou a abertura de um inquérito-crime.
A ex-provedora adiantou, também, que tem «fortes suspeitas de que redes externas continuam a usar miúdos da Casa Pia para abusos sexuais».
Os arguidos em julgamento (iniciado em Novembro de 2004) no processo Casa Pia são o ex-motorista casapiano Carlos Silvino da Silva («Bibi»), o antigo provedor adjunto da instituição Manuel Abrantes, o apresentador de televisão Carlos Cruz, o médico João Ferreira Diniz, o embaixador Jorge Ritto, o advogado Hugo Marçal e Gertrudes Nunes, a proprietária de uma vivenda em Elvas onde alegadamente terão ocorrido abusos sexuais de menores. "
in Diário Digital
MULHERES SÃO MAIS RESISTENTES À CORRUPÇÃO QUE OS HOMENS
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O estudo assinala que 58 (italianos) a 67 por cento (franceses) dos inquiridos consideram que, se mais mulheres ocupassem cargos de chefia, haveria menos corrupção, uma vez que o sexo feminino é mais díficil de corromper do que o masculino.
Ainda segundo o inquérito, entre 34 (italianos) e 67 por cento (norte-americanos) defenderam que o dinheiro e o poder são, sobretudo, preocupações dos homens.
A sondagem foi realizada em Itália, França, Estados Unidos e Alemanha. A esmagadora maioria dos inquiridos considera o seu país corrupto.
Comentando as conclusões do estudo, a ministra francesa da Economia, das Finanças e do Emprego, Christine Lagarde, referiu que, «se houvesse mais mulheres em cargos de responsabilidade, haveria, talvez, um pouco mais de mulheres corruptas mas, sem dúvida, muito menos corrupção global».
O Foro de Deauville, que abriu quinta-feira com uma homenagem à opositora do regime militar birmanês e prémio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, reuniu mais de mil personalidades, a maioria mulheres, dos campos económico, social, cultural e político de 70 países.
A iniciativa visa promover o papel das mulheres nos assuntos económicos e sociais e reforçar a sua influência no mundo."
Lusa/SOL
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=60519
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Palavras-chave: Cargos de responsabilidade no mundo, Mulheres, Resistência à corrupção
Com os melhores cumprimentos
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Excelentíssimo Senhor Primeiro-Ministro,
Considerando que está ainda em vigor a Lei Fundamental acima referenciada, e no exercício consequente daquilo que, NA MINHA OPINIÃO, é um simples direito de cidadania, pela mesma garantido, venho muito respeitosamente solicitar um esclarecimento de cariz político, pelo que fará Vossa Excelência o favor de encaminhar a presente missiva para os serviços do Estado que entenda por mais convenientes ou adequados.
Considerando que a interpretação que faço do articulado constitucional, em sentido restrito aquele ao abrigo do qual segue a presente mensagem, em sentido lato todo o restante, resulta - como não poderia deixar de ser - apenas de idiossincrasias e limitações pessoais, nomeadamente culturais e educacionais, que poderão sofrer de algum vício de forma ou, de forma geral, estar completa e radicalmente erradas.
Considerando que não resulta claro, NA MINHA OPINIÃO, a julgar pelos mais recentes acontecimentos correlacionados, aquilo que o cidadão comum deverá considerar como “ilegítimo”, no que ao exercício do direito de opinião diz respeito, ou como “abusivo”, no que concerne ao respectivo direito de expressão. O mesmo será dizer, por exclusão de partes, que este mesmo considerando vale para a oposta, ou seja, não resulta pelos mesmos motivos claro aquilo que (não apenas na opinião de Vossa Excelência, como é óbvio, mas em termos estritamente legais) deverá ser considerado como “legítimo” e como “aceitável” no que respeita à opinião e expressão individual.
Considerando, por exemplo, e mantendo-nos apenas nos factos mais recentes relatados pela comunicação social, que Vossa Excelência considera (”enquanto Primeiro-Ministro e enquanto cidadão”) ter sido “ofendido e difamado” por um blogger português em concreto, e tendo por conseguinte Vossa Excelência accionado judicialmente esse blogger, mas apenas esse, não dando qualquer importância a tantos outros, e muito menos processando não apenas bloggers como jornalistas dos media tradicionais, que outro tanto disseram, ou escreveram, ou simplesmente reproduziram (quantas vezes aumentando, especulando, certamente exagerando ou exorbitando informações).
Considerando que, segundo diversas e autorizadas fontes e estudiosos, os blogs representam uma face informal e não organizada da rede informativa global, o que lhes confere um evidente carácter - e, de certa forma, alguma autoridade na matéria - de verdadeiros, eficazes, socialmente relevantes órgãos de comunicação social.
Por conseguinte, Excelência.
A questão que aqui me traz, quiçá abusivamente tomando o precioso tempo do Senhor Primeiro-Ministro, é esta, é clara e transparente: qual será a diferença entre opinião e difamação?
Pergunta singela que arrasta, porém, inevitavelmente consigo algumas outras. Não basta estar o cidadão comum ciente de quando, em que momento e em que condições é que uma opinião se transfigura em difamação. Necessita igualmente de ser informado, sem qualquer margem para dúvidas, de uma série de diferenças que, não se restringindo apenas à semântica, contribuiriam certamente para um maior esclarecimento e para a erradicação prática de incidências semelhantes.
Por exemplo: o que distingue, para o efeito, um Primeiro-Ministro, enquanto cidadão, de um cidadão que não é Primeiro-Ministro, enquanto tal?
Outro exemplo: a liberdade de expressão, que não deve de facto ser confundida com a libertinagem, seja de linguagem seja de qualquer outro teor, tem igual, ou menos, ou mais vigor legal consoante a categoria da pessoa à qual se refere?
E outro: uma opinião é tanto mais insultuosa quanto mais fundamentada for, ou é ao contrário? Ou seja, se essa opinião resultar de factos apurados (como, aliás, costuma suceder com as opiniões), maior é a “ofensa”, ou, pela inversa, existe presunção de inocuidade na opinião totalmente infundada?
Mais um: caso um indivíduo esteja inscrito num qualquer Partido, ou na eventualidade de possuir carteira profissional de jornalista, adquire por inerência o estatuto de inimputabilidade total, quanto a acusações de “calúnia e difamação”?
E ainda outro: se não existir qualquer espécie de insulto, nenhuma ofensa pessoal, sequer o mínimo vestígio de calão ou linguagem menos respeitosa, poderá ainda assim existir calúnia, existirá de todo alguma matéria para procedimento criminal por difamação?
E por fim: como será então possível investigar uma teoria que, a verificar-se posteriormente corresponder à verdade, pode pôr em causa o carácter de alguém, sem mencionar a ou as pessoas que são objecto dessa investigação e dessa teoria? Porque, assim sendo, como é possível saber antecipadamente se determinada teoria é credível ou não, se estes ou aqueles indícios (seja do que for) merecem ou não ser investigados, ou se a ou as pessoas em causa acabarão ilibadas ou não?
Mesmo respeitando o preceito legal da presunção de inocência - e também por causa do mesmo - ver motivos para acusar alguém de calúnia e difamação por aventar, investigar e, por fim, expor determinada teoria (ou alegação), será logicamente o mesmo que inviabilizar tacitamente toda e qualquer teoria; nada mais poderá ser questionado, ninguém mais posto em causa, nenhum facto investigado, nenhum indício analisado, nenhuma prova testada e muito menos contestada.
Ou seja, NA MINHA OPINIÃO, se aceitarmos desta forma o axioma, o que isso implica é - no extremo - a abolição pura e simples de uma tendência humana, a curiosidade, com tudo o mais por arrasto, dos pontos de vista filosófico e mesmo político, isto é, respectivamente a inteligência e a liberdade. Nada mais, nada menos.
Ora, presumo não ser exactamente isso o que pretende Vossa Excelência, Senhor Primeiro-Ministro, quando processa judicialmente um blogger, acusando-o de delito de opinião; e presumo que não seja exactamente isso porque, nesse caso, teríamos de concluir que a mesma lógica aplica sempre que proíbe manifestações de desagrado, ou ignora os jornalistas mais incómodos, ou demite os quadros mais desalinhados com a sua política, com o seu Partido ou, em última análise, todos aqueles que não vão com a sua cara. Ou seja, teríamos então de concluir que Vossa Excelência se está positivamente nas tintas, passe a expressão, para Portugal em geral e para os portugueses em particular, para o Direito em geral e para a Constituição em particular, apenas estando interessado numa única coisa e nada mais, a saber, a sua excelentíssima pessoa, enquanto cidadão em geral e enquanto Primeiro-Ministro em particular.
Ora é isto, precisamente, Senhor Primeiro-Ministro, que me custa - pessoal e racionalmente - a crer. NA MINHA OPINIÃO, não é possível que Portugal seja dirigido por um cidadão trivialíssimo, um qualquer vaidoso, um narcisista excelentíssimo, não acredito que sejamos governados por alguém que se preocupa enormemente consigo mesmo, com a sua aparência e as suas aparições, e nada, ou muito poucochinho, com o cargo que ocupa e com aquilo que esse cargo significa para dez milhões de seres humanos. E adianto, desde já, que tal não é nem seria possível porque o povo português não é, NA MINHA OPINIÃO, nem vesgo nem estúpido e, por conseguinte, se isso porventura viesse a suceder, o povo já o teria visto e entendido, ou seja, abreviando, não seria por muito tempo.
Portanto, e excluindo de boa fé semelhante hipótese, impõe-se apurar o que de facto motiva Vossa Excelência, no caso que mandou instaurar contra um nosso vizinho virtual, sendo que é esta (dele) condição o único factor que me leva a publicamente solicitar os supracitados esclarecimentos e a expor aquilo que por extenso declaro ser A MINHA OPINIÃO.
Assim termino, Senhor Primeiro-Ministro, com os protestos da mais elevada consideração, na expectativa de que se dê Vossa Excelência à maçada de, além de a presente ler, convenientemente a despachar.
Com os melhores cumprimentos,
J.P. Graça»
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* Medalha = artigo, opinião ou postagem doutros, com direito a «Copy&Paste» de relevo pela pertinência do tema focado, mencionando-se sempre a autoria e a proveniência.
Manifesto aos «Dantas de Portugal»
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Excerto do Manifesto Anti-Dantas
«Uma geração, que consente deixar-se representar por um Dantas é uma geração que nunca o foi! É um coio d'indigentes, d'indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero!
Abaixo a geração!
Morra o Dantas, morra! - PIM!
Uma geração com um Dantas a cavalo é um burro impotente!
Uma geração com um Dantas à prôa é uma canoa em seco!
O Dantas é um cigano!
O Dantas é meio cigano!
O Dantas saberá gramática, saberá syntase, saberá medicina, saberá fazer ceias para cardeais, saberá tudo menos escrever que é a única coisa que ele faz!
O Dantas pesca tanto de poesia que até fax sonetos com ligas de duquesas!
O Dantas é habilidoso!
O Dantas veste-se mal!
O Dantas usa ceroulas de malha!
O Dantas especula e inócula os concubinos!
O Dantas é Dantas!
O Dantas é Júlio!
Morra o Dantas, morra! - PIM!
(...) O Dantas é um ciganão!
Não é preciso ir para o Rossio p'ra se ser pantomineiro, basta ser-se pantomineiro!
Não é preciso disfarçar-se p'ra se ser salteador, basta escrever como o Dantas! Basta não ter escrúpulos nem morais, nem artísticos, nem humanos! Basta andar com as modas, com as políticas e com as opiniões! Basta usar o tal sorrisinho, basta ser muito delicado, e usar côco e olhos meigos! Basta ser Judas! Basta ser Dantas!
Morra o Dantas, morra! - PIM!
O Dantas nasceu para provar que nem todos os que escrevem sabem escrever!
O Dantas é um autómato que deita p'ra fóra o que a gente já sabe que vai sair... mas é preciso deitar dinheiro!
O Dantas é um soneto d'elle-próprio!
O Dantas em génio nem chega a pólvora seca e em talento é pim-pam-pum!
O Dantas nú é horroroso!
O Dantas cheira mal da boca!
Morra o Dantas, morra! - PIM!
O Dantas é o escárneo da consciência! Se o Dantas é português eu quero ser espanhol!O Dantas é a vergonha da intelectualidade portuguesa! O Dantas é a meta da decadência mental!
E ainda há quem não córe quando diz admirar o Dantas!
E ainda há quem lhe estenda a mão!
E quem lhe lave a roupa!
E quem tem dó do Dantas!
E ainda há quem duvide de que o Dantas não vale nada, e que não sabe nada, e que nem é inteligente, nem decente, nem zero!
(...) Continua o senhor Dantas a escrever assim que há-de ganhar muito com o alcufurado e há-de ver, que ainda apanha uma estátua de prata por um ourives do Porto, e uma exposição das maquetes para o seu monumento erecto por subscrição nacional do Século a favor dos feridos da guerra, e a praça de Camões muda em praça Dr. Júlio Dantas, e com as festas da cidade pelos aniversários, e sabonetes em conta "Júlio Dantas", e pasta para os dentes, e graxa Dantas para as botas, e comprimidos Dantas, e autoclismos Dantas e Dantas, Dantas, Dantas... e limonada Dantas - magnesia.
E fique sabendo o Dantas que se um dia houver justiça em Portugal todo o mundo saberá que o autor dos Lusíadas é o Dantas que num rasgo memorável de modestia só consentiu a glória do seu pseudónimo Camões.
E fique sabendo o Dantas que se todos fossem como eu haveria tais munições de manguitos que levariam dois séculos a gastar.
(...) Morra o Dantas, morra! - PIM!
Portugal que com todos estes senhores conseguiu a classificação do país mais atrasado da Europa e de todo o mundo! O país mais selvagem de todas as Áfricas! O exílio dos degredados e dos indiferentes! A África reclusa dos europeus!
O entulho das desvantagens e dos sobejos! Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia - se é que a cegueira não é incurável e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado!
Morra o Dantas! Morra! - PIM!»
José de Almada-Negreiros, Poeta d'Orpheu Futurista e Tudo
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Excelente declamação por Mário Viegas AQUI e aqui


