Shame on you Mr. President
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É assim que o Presidente escuta os cidadãos? É assim que o Presidente se mostra receptível às acções dos cidadãos? É assim que o Presidente demonstra o seu interesse nas questões relacionadas com as crianças, particularmente as que são vítimas de abuso sexual?
Aníbal Cavaco Silva, preso numa agenda política, demonstra ser mais um presidente "para Inglês ver".
EDP - Consulta pública
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Se a dita proposta vingar, não tardará muito para que os cidadãos cumpridores paguem outras dívidas por cobrar, como por exemplo da água, gás, telefone, televisão por cabo, internet ou quem sabe até mesmo empréstimos bancários. Reproduzo um mail recebido, de muita importância pelo que carece da participação de todos nós:
Amigas(os),
Passem este e-mail a todos os vossos contactos e mobilizem-nos a enviar o e-mail que está a bold para o endereço abaixo.
É que se não houver gente suficiente a participar na consulta pública eles vão mesmo pôr-nos a pagar a factura de electricidade dos devedores.
Chamo a vossa atenção para a mensagem que se segue, uma vez que é do interesse de todos reclamem e passem ao próximo.
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Caros amigos,
Esta malta pretende pôr os cidadãos comuns, bons e regulares pagadores, a pagar as dívidas acumuladas por caloteiros clientes da EDP, num total de 12 milhões de euros e, para o efeito, a entidade reguladora está a fazer uma consulta pública que encerra em meados de Julho.
Em função dos resultados desta consulta será tomada uma decisão. Esta consulta não está a ser devidamente divulgada nem foi publicitada pela EDP, pelo menos que eu saiba. A DECO tem protestado, mas o processo é irreversível e o resultado desta consulta irá definir se a dívida é ou não paga pelos clientes da EDP.
A DECO teme que este procedimento pegue e se estenda a todos os domínios da actividade económica e a outras empresas de fornecimento de serviços (EPAL, supermercados, etc.).
Há que agir rapidamente. Basta enviar um e-mail com a nossa opinião, o que também pode ser feito por fax ou carta mas não tenhos os elementos.
Peço que enviem o mail infra e divulguem o mais possível, para bem de todos nós cumpridores.
Enviar para: consultapublica@erse.pt
Exmos. Senhores:
Pelo presente e na qualidade de cidadão e de cliente da EDP, num Estado que se pretende de Direito, venho manifestar e comunicar a V. Exas. a minha discordância, oposição e mesmo indignação relativamente à "proposta" – que considero absolutamente ilegal e inconstitucional – de colocar os cidadãos cumpridores e regulares pagadores a terem que suportar também o valor das dívidas para com a EDP por parte dos incumpridores.
Com os melhores cumprimentos,
Para além dos combustíveis petrolíferos
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Junho é o mês do Ambiente, foi também neste mês que a contestação ao preço dos combustíveis esteve ao rubro. Nos diversos debates sobre esta crise, houve alguma proposta que sustentasse a utilização de energias alternativas? A indústria automóvel está receptiva? Os automobilistas estão interessados?
Como é óbvio, as respostas centram-se no vil metal. Com os derivados do petróleo as petrolíferas lucram muito, as gasolineiras também, a indústria automóvel idem, o Estado não se fica atrás porque o rendimento fiscal engoda, e o comum automobilista opta pelo preço mais atractivo do carro que lhe convém ao invés da poupança no custo do combustível ou da salvaguarda do ambiente.
As alternativas vão surgindo em Portugal: o gás, já conta com alguma difusão; a empresa BIOCAR comercializa Kits que permitem o consumo de óleo vegetal nos automóveis, encaminhando-se para banha de porco preto; a RetroConcept desenvolveu um automóvel eléctrico, Eco Vinci, prevendo o início de produção para 2009, tendo já assinado um protocolo com a Câmara Municipal do Porto; à sua semelhança, a Escola Superior de Tecnologia de Viseu prepara o VEP. Todavia, a optar por outros combustíveis, como o óleo vegetal, o seu proprietário deve ter atenção à legislação em vigor, ou ainda lhe apreendem o veículo e paga umas coimas.
Numa fase em que a propaganda da coesão na Europa foca a perda de “terreno” para outras potências, como por exemplo a China e o Japão, no assunto em apreço, seria conveniente que os Europeus no geral e os Portugueses em particular se começassem a mexer, pois no que concerne a automóveis eléctricos, não deve tardar muito para que o Japão (líder na tecnologia para veículos eléctricos, sob o olhar atento da Mitsubishi Motors) e a China (em apenas dois anos tornou-se o 2º maior produtor de baterias de Lítio e o 1º na produção de automóveis eléctricos) dominem por completo a produção e comercialização, disponibilizando estes automóveis a preços acessíveis e com rendimento nada inferior aos demais. O documentário (51'49'') sobre o ELIICA espelha este objectivo:
CRIL - ILEGALIDADE ASSUMIDA
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A CONFIRMAÇÃO!!
Projecto adjudicado para a conclusão da CRIL é ilegal.
Governo admite que o projecto adjudicado para a conclusão da CRIL não é o mesmo que esteve em Avaliação de Impacte Ambiental.
O Sr. Ministro do Ambiente, afirmou na Assembleia da República que o projecto que foi adjudicado para a conclusão da CRIL não corresponde ao que esteve em Avaliação de Impacte Ambiental (AIA).
Disse ainda que se trata de um novo projecto, ao qual está a ser feita uma avaliação, não se podendo dizer ainda (antes dessa avaliação) se esse novo projecto é melhor ou pior. Concluiu, dizendo que a decisão ainda não está tomada.
Veja-se no link as declarações do Sr. Ministro do Ambiente quando interpelado pela Sra. Deputada Heloísa Apolónia:
http://www.cril-segura.com/galeria/videos/video_20080520cplaot.html
Em resumo, o Governo assume que o projecto que foi adjudicado não é o mesmo que esteve em AIA, contrariando o que está estabelecido na lei, menosprezando a participação dos Cidadãos em sede de Consulta Pública e os pareceres da Agência Portuguesa do Ambiente. Adjudica-se, e, logo se vê...!!
Afirma também, não saber se este novo projecto é melhor ou pior. Depende da avaliação que está a ser feita?
Quanto à violação da Declaração de Impacte Ambiental, disse ter sido feito um pedido para que a mesma seja revista tendo em conta o novo projecto. Em suma, o Governo pretende "legalizar a violação" da Declaração de Impacte Ambiental.
Será que o Sr. Ministro desconhece que a obra já foi adjudicada e que as máquinas já estão no terreno a dar execução a este "novo projecto", estando a decorrer expropriações a que este novo projecto obriga?
Estas declarações do Sr. Ministro do Ambiente vêm confirmar tudo aquilo que temos vindo a afirmar quanto à ilegalidade de todo este processo, e quanto à incapacidade do poder político perante as pressões dos interesses envolvidos no projecto de urbanização Falagueira/Venda-Nova, que têm condicionado este projecto rodoviário de extrema importância para a Área Metropolitana de Lisboa.
Tendo em conta a gravidade da situação, consideramos que o Sr. Presidente da República devia tomar uma posição com carácter de urgência. Está em causa o Estado de Direito e as regras que regem a nossa Democracia.
Esperamos também, que os tribunais tomem uma posição no sentido de se fazer cumprir a lei.
No sentido de denunciar esta situação ilegal, intolerável num País Democrático, estamos a ponderar uma série de acções que visam tornar este caso conhecido internacionalmente.
É importante que a Comunidade Europeia tenha conhecimento, de que no nosso País, uma pequena elite minoritária tem poderes que se sobrepõem aos poderes do próprio Estado, transformando a nossa Democracia numa "espécie de Democracia".
"Aula livre" para professoras(es)
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Nota: O vídeo está doblado em Brasileiro (tou brincando né), para os professores irem treinando os tecnicismos do acordo ortográfico que se avizinha.
Cantigas de "bandido"
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Lá fora na rua, um agrupamento musical iniciava o “Cheira a Lisboa”, quando o ancião do pátio me estendeu a mão em convite para uma dança, que aceitei colocando de lado o cigarro que acabava de acender. Terminados os passos e entre dois dedos de prosa com aroma a inquérito, o senhor fez questão de me apresentar o neto, retirando-se com um pretexto qualquer. Mais um armado em Santo António – pensei com os meus botões.
A conversa logo se revelou enfadonha, esperando a primeira oportunidade para me escapar educadamente. Preparei-me para fumar um cigarro, procurando na mala o isqueiro que teimava em não aparecer, quando o mocinho me disse: por acaso...? Cedi-lhe um cigarro do maço. Completou a frase enfeitada dum risinho: por acaso não é um extintor? É que estou a arder. Estagnei por segundos, não querendo acreditar no piropo fatela que acabava de ouvir. Indecisa entre o “vai sozinho ou precisa que o mande?” e mais umas quantas que voaram na minha cabeça, dei meia volta e fui saborear o meu cigarro junto dumas amigas que gargalhavam da situação.
No salto de dois cigarros o tempo duma dança e o mote para as conversas que se arrastaram pela noite. Entre as mulheres a sentença foi dada: no que toca a sedução, é proibido canastrão. Havendo gostos para tudo, que não se discutem, nisto de cantigas de “bandido” convém que o radar esteja a funcionar, a modos que o “É proibido fumar” nem sempre soa bem, sendo que o charme é daquelas coisas, ou se tem naturalmente ou não se tem.
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Este post também foi publicado no Baforadas.
Episódio V – O desmoronar de um sonho...
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Reviver e rebuscar na minha memória os momentos mais dolorosos que vivi naquele País, não é tarefa fácil! Sobretudo porque foram aqueles que colocaram em risco a nossa própria vida...
Mas apesar disso, não posso deixar de os contar, mesmo que se me aperte o coração.
Escrever sobre esses momentos poderia até expurgar o sentimento de revolta que ainda hoje sinto...
Mas acho que não... Nunca os esquecerei! Não sou capaz! Nem quero.
O valor da nossa Vida!
O Ministério da Educação acabou por conceder passagens administrativas aos alunos que tivessem tido aproveitamento no segundo período escolar.
Ainda guardo, em casa dos meus Pais, aquela caderneta com o respectivo carimbo!
A instabilidade das populações, sem diferenciação de cor, cada vez era maior...no meio há sempre inocentes...
A minha Mãe, sempre numa apreensão em crescendo, rogava ao meu Pai que tomasse precauções: salvar alguns haveres enviando-os para Portugal (enxoval, dinheiro, mobília, viaturas... o que fosse possível).
Após muita insistência da sua parte, o Meu Pai lá condescendeu: enviou uma mala enorme com tudo o que a minha Mãe considerava de melhor no seu enxoval... mas não se coibia de ir dizendo que a mesma regressaria quando tudo acalmasse.
A nossa vida a partir daí ficou sempre em sobressalto.
As delegações partidárias do MPLA, FNLA e UNITA estavam estrategicamente localizadas e aquarteladas: imagine-se um triângulo, em cujos vértices se encontrava uma daquelas delegações, e dentro do seu perímetro a população amedrontada.
Pois bem! A nossa residência estava mesmo no centro desse mesmo perímetro – uma localização privilegiada!
A guerra desenfreada e inconsequente, como o são todas as guerras, era levada a cabo por bombardeamentos consecutivos entre aquelas delegações: só se viam e ouviam tiros, umas vezes dispersos e longínquos de rebentamento oco (o que parecia significar que não tinha atingido nenhum edifício), outras vezes mais próximos, em que sentíamos estremecer as paredes da nossa casa (estariamos mais perto de poder ser atingidos?)...
Refugiávamo-nos dentro de casa... nem às janelas assomávamos...
À noite era pior! Era a hora de eleição para atacar de forma a não serem vistos pelos adversários das outras delegações.
Muitas noites seguidas passámos sem dormir, sentados, nas divisões mais interiores da casa que julgávamos protegidas pelo maior número de paredes.
Para nos abastecermos de mantimentos, o meu Pai saía ao clarear do dia... durante um período de tréguas aparente. Ia e regressava o mais rápido possível. Porém, não era o único a fazê-lo e para além das filas de trânsito que encontrava, tudo começava a escassear e tinha de ser pago a peso de ouro... O mercado negro instalava-se para os que se aproveitavam da situação... nem se podia regatear... era pegar ou largar! O dinheiro é que não podia faltar, caso contrário nada se levava para casa...
Tudo isto se passou durante o mês de Junho de 1974.
A generalidade dos portugueses, nossos amigos, tinha esperança que tudo não passasse de um período de transição e que a paz e o sossego voltariam quando os "grupo dos 3" se entendessem... Pensamentos normais para gente que amava aquela terra e de onde não queria partir.
Muitos integraram-se de tal maneira naquela terra que não havia distinção entre pretos e brancos. Constituíram-se amizades verdadeiras sem preconceitos de cor ou de raça...
Relembro com alguma saudade duas famílias que frequentavam a nossa casa: a do sr. Pinheiro, casado com a D. Joaquina (tinham uma filha, a Isabel, de quem os meus pais foram padrinhos de baptismo, já com 7 anos de idade) e a do sr. Afonso, casado com a D. Helena (um casal congolês, sem filhos, simpaticíssimo e de uma educação extrema).
O sr. Pinheiro era o braço direito do meu Pai, na fábrica: comandava os companheiros de trabalho, era eficiente e muito educado... E muito nosso amigo.
Tudo isto nos foi contado, por um cunhado dele, que dias depois apareceu em nossa casa, às escondidas, para nos avisar, a pedido da D. Joaquina, sua irmã.
Ficamos consternadíssimos... Por ter salvo o compadre de ser assassinado... foi-o ele próprio!... Era um homem com muito valor moral, recto... amigo.
Eu convivia com a Isabel, filha deles. Ela aparecia lá em casa muitas vezes. Era uma miúda de olhos muito vivos, sempre alegre... gostavamos dela e ela de nós... Dizia que queria que a trouxéssemos para Portugal, se um dia voltássemos, por não se querer separar da sua família branca!!
Depois do que aconteceu ao seu pai, nunca mais a vi!!
à entrada de Julho tudo se complicou ainda mais...
A população negra, instigada por mercenários das delegações do MPLA, força dominante, começou a perseguir os moradores da rua onde morávamos, casa a casa desde o seu início.
Entravam nas casas à força da coronhada, em magotes, de arma em punho... Revistavam e revolviam todos os haveres na presença dos proprietários. Muitos deles refugiavam-se nos telhados das casas e corriam em fuga de telhado em telhado, com os algozes armados atrás...
No interior das suas casas, os que não conseguissem escapar de alguma forma, eram cercados de armas apontadas, e depois de revolvidas todas as dependências das suas casas, bastava encontrarem simples facas de cozinha para serem acusados de, com esses instrumentos, pretender matar os “patrícios”!
Quem resistisse era agredido com a coronha das armas ou lançado no meio da turbe... aí era o fim!!!
Embora os meus Pais me tentassem poupar destas visões, cheguei a vislumbrar, por entre as aberturas das persianas das janelas, algumas destas situações.
Como seria de prever, também a nossa casa foi alvo de uma tentativa de saque.
E digo tentativa porque tal acção não chegou a ser concretizada, como passo a explicar.
O ajuntamento fez-se em frente da nossa entrada... os “soldados” preparavam-se para derrubar a porta, mas foram impedidos de o fazer pelo sr. Afonso!
Colocando-se à frente da porta, sob o risco da própria vida, mas dando tudo por tudo, ouvimos dentro de casa os seus berros: “São amigos! Aqui ninguém entra! Só por cima do meu cadáver! São amigos nossos!”
Aquele magote de gente, num misto de surpresa ou de incredibilidade, estacou... os da frente de olhos esbugalhados, mantendo as armas apontadas, indecisos entre aceitar ou acreditar, vacilavam... Mas, finalmente, acabaram por acreditar...
Afinal, era um negro quem tinham pela frente!...
E era, também, Deus que estava com ele e connosco...
Arrepio-me com estas lembranças!
Estamos, hoje, vivos porque duas pessoas deram ou puseram as suas vidas à frente pela nossa.
Aqui deixo a minha homenagem a estas pessoas e à verdadeira Amizade.
Resta-me acrescentar, que nessa madrugada, sob a calada da noite e fazendo o menor ruído possível, fugimos para o centro da cidade e arranjamos alojamento num hotel: o hotel Zimbro.
Três dias depois, as hostes serenaram. Fomos ver como se encontrava a nossa casa. Queríamos tentar salvar o que pudéssemos, ou tivessem deixado ficar, depois de a terem (supostamente) saqueado, após aquele episódio com o sr Afonso. Levámos uma carrinha da caixa fechada para carregar o que restásse dos nossos haveres...
Surpresa das surpresas: o seu interior estava intacto!!
Tudo no sítio... apenas a parede da sala tinha um enorme buraco... um roquete tinha feito daquela parede o seu alvo, na noite em que nos tínhamos refugiado no hotel... 3 dias antes...
Por Deus, por coincidência ou por mera sorte... continuávamos vivos!!!
Acredito que tenha sido por intervenção divina!
Uma questão de horas
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- Se tivesse que trabalhar para o PCP, quantas horas por dia faria ?
- Para o PCP ? Nem uma!
- Bom... para esses talvez umas 3 a 4 horas diárias.
- E para o PSD ?
- Ah, para esses já trabalhava umas 8... Vá lá, 10 horas.
- E aqui para o meu PS ?
- Ah... para eles trabalharia as horas que fossem necessárias. 24 sem parar!!
Sócrates ficou impressionado pela dedicação que o homem mostrava.
- Assim é que é, Compadre. Esforço e empenho é o que precisamos... Diga-me lá, já agora, qual é mesmo a sua profissão ?
- Sou coveiro...
Não resisti...
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Não resisti... Vim até aqui cumprimentar V. Exas, no meio dos meus estudos... Que por acaso estão a correr mesmo mal... O exame de quarta-feira foi mesmo mau!!
Enfim, lá fui passar uns dias a Chaves, com vários colegas para estudar. Foram uns dias bons... Boa comida, excelente hospitalidade!
Foi bom parar uns dias… Sair da rotina, do stress, as mesmas secas, os mesmos problemas que adiamos todos os dias.
Senti-me bem! Livre, ri-me tanto!…
A amizade, as gargalhas, a cumplicidade, o jeito de cada um... curam feridas!!
Deixo-vos este pequeno vídeo, “home made”, sem a “professional quality”, mas com amor e muita saudade.
Maria
Mel Odioso
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Syrup & Honey, por Duffy
Como se obtém a cocaína !!!
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Bem... Depois de ter visto este vídeo, não entendo como há quem ainda a consuma... Muito menos o que se paga para a adquirir.
A mim impressionou-me!!
Antecipação como contra-ataque
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Passado pouco mais do que um mês, anuncia-se o lançamento, já para o próximo dia 16, de outra biografia, desta feita autorizada e com a participação do próprio, de edição da espanhola A Esfera dos Livros. Em Junho, para além do Euro 2008 e dos Santos Populares, estará à venda Sócrates - O Menino de Ouro do PS.
A autora, Eduarda Maio, afirma ter feito uma recolha exaustiva e que o título nada tem a ver com futebol. Provavelmente não tem, não faço ideia, mas que o título se assemelha ao cognome de Cristiano Ronaldo assemelha, que depois da participação de socialistas no “Agora Aqui” me faz lembrar uma placagem faz.
Mesmo que a tiragem do Menino de Ouro venha a ser superior ao comum, será interessante ver se O homem e o líder, dependente das encomendas, terá (ou não) igual saída e impacto.
Será que assistiremos a um conta-contra-ataque, saindo o O homem e o líder, mais cedo que previsto?
Euro 2008: adeptos portugueses em Genebra
EPISÓDIO IV – Novos "Mundos"...
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Pois é!!
Finalmente lá chegou o dia de exame da 4ª classe, onde tive de provar o meu aproveitamento.
Para além da professora, D. Maria José, sempre a passear pelo meio das carteiras, tinha pela frente uma folha de exame onde teria de mostrar o que valia. Desde o Português à Matemática, e aqui a minha memória não me ajuda, sei que fiquei aprovada para transitar para o ensino preparatório.
Passada essa fase, encontrava-me de férias! E estas tinham um sabor especial! Ia transitar para outra escola, outro ritmo de aprendizagem... toda a gente me dizia que era muito diferente...
Essas férias, saborosas e muito esperadas, significavam o meu crescimento: tinha 10 anos, a caminho de 11... a expectativa era enorme!!
Mas, para além disso, sabia que, durante aquele período de descanso, ia realizar uma tarefa de que gostava muito: ajudar o meu Pai na fábrica de botões.
Não fazia nada de especial... mas gostava de o observar a fazer botões de vários tamanhos, formas e cores.
Divertia-me!
O fabrico de botões, naquela época artesanal, era algo complexo e exigia método de trabalho e algum risco para o operador das máquinas. Uma distracção e lá se ia um dedo ou uma mão. Que me lembre nunca houve nenhum acidente de trabalho
A matéria-prima era formada por grandes placas de polyester: 50cmx20cm (umas originalmente brancas, outras de cores escuras e de várias espessuras). Estas eram cortadas, longitudinalmente, por uma moto-serra, em 2 placas menores, processo que facilitava o seu manuseamento.
Cada máquina de corte tinha dois terminais, a curta distância entre si. Num deles era colocado um adaptador, de vários tamanhos, que cortava a placa em pequenas rodelas – o botão em bruto... o outro terminal consistia num orifício oco, de tamanho ajustável, onde se encostavam as tais placas... a aproximação e a força, aplicada através de um torniquete em alavanca, fazia o corte da dita rodela.
Todo este processo se repetia até que a placa não permitisse cortar mais rodelas. O que restava da placa com os cortes era descartado.
Uma vez cortadas, as rodelas eram sujeitas à acção de outra máquina, também com vários adaptadores... um que as agarrava e segurava e outro que esmerilava ou dava forma ao modelo que se pretendia.
De seguida, as rodelas já modeladas, seguiam para outra máquina para que se lhe fizessem 2 ou 4 buracos simétricos, conforme o fim a que destinavam os botões.
Um penúltimo processo consistia em descarregar todos os botões num enorme tambor, que finalmente iria polir e dar brilho aos mesmos.
O que me dava mesmo um gozo incrível era, depois de assistir a tudo isto, encartar os botões!! De agulha enfiada em linha numa mão, um dedal no dedo médio, um cartaz, com 24 marcações, na outra mão... era ver-me ao despique com a minha mãe, para saber no final quantos cartões de botões cada uma tinha preenchido!!!
Era mesmo uma diversão!!!
Os dias iam-se passando entre a fábrica de botões, a praia ou um passeio pelas zonas mais interiores – Cacuaco ou Catete - no fim-de-semana.
Quando íamos ao Cacuaco, comíamos a tão saborosa “moambada”. Uma delícia, aquela “cola de sapateiro” acompanhada de frango ou galinha velha em molho de dendém (proveniente das bagas duma espécie de palmeira), engrossado com quiabos.
Bem... de fazer crescer água na boca só de pensar... A minha Mãe, para matarmos saudades, ainda chegou a confeccionar essa iguaria, diversas vezes... Infelizmente, por motivos de saúde, já não matamos essas saudades.
Terminadas as férias, ingressei na Escola Preparatória Emídio Navarro (posteriormente adaptada para Escola Industrial). Mais longe do que o Colégio, o meu Pai era obrigado a levar-me todos os dias.
Depois de todas a atribulações que passei naqueles quatro anos de escolaridade primária, via-me, agora defrontada com um ambiente totalmente diferente do anterior (onde estava confinada a uma sala de aulas): várias disciplinas, várias salas de aulas... tinha que me deslocar para sítios diferentes... um horário escolar... enfim, outro Mundo!
Quando entrei para a primeira aula, de apresentação dos professores, demarquei o meu território: uma carteira junto à janela.
As salas de aulas eram grandes e o fundo das mesmas estava vazio de carteiras. As janelas eram formadas por largas lâminas de vidro, que se podiam inclinar ou abrir, para que o ar entrasse ou o sol não batesse directo na cara, tal era o calor lá dentro.
No recinto exterior, em frente à entrada da Escola, todos os dias de manhã se encontravam as quitandeiras, mulheres ou crianças, que vendiam frutos tropicais (goiabas, bananas, mamões, etc), mandioca, “esticas” (uma espécie de doçaria, algo dura e estriada, tipo “churro”, de sabor mais ácido que doce, e que esticava quando trincado), e o saborosíssimo tambarindo... Hum... tenho tantas saudades!!
O tambarindo era uma fruta em forma de vagem, de casca globulada, acastanhada, e que uma vez descascado apresentava um interior meio viscoso, que se derretia na boca, deixando uma semente. Era a minha delícia... perdia-me a degustá-lo!!
Todos os dias gastava 2 centavos na compra duma vagem às tais quintandeiras. Ainda me lembro do preço!
Já o comprei aqui... mas não tem o mesmo sabor! E o preço!? Bem... nem se lhe pode chegar: 3,90€!!

O passado atribulado dos anos anteriores foram cruciais para que eu pudesse encarar estas novas responsabilidades com a autodisciplina que era preciso e que esse novo Mundo exigia. Estava sempre nos lugares de destaque quer no aproveitamento quer no comportamento.
Dois anos passados e novo “salto”... Estava no ensino secundário!... Mais exigências, mais tempo de estudo... Mas eu gostava!!
Desta vez o cenário era o Liceu D. Guiomar de Lencastre. Só para raparigas!
Ali, o meu rendimento escolar não foi tão notável... a instabilidade do país começou a fazer-se sentir: tinha de ficar em casa, muitas vezes... Tornara-se perigosa a deslocação para muitos locais!
O 25 de Abril tinha estalado em Portugal e as suas repercussões começavam a chegar a Angola e restantes ex-colónias.
Devo confessar que foi a partir dessa altura que me foi apresentado o 1º cigarro, que experimentei no meio de muitas tossidelas e às escondidas, claro.
Até hoje, é o meu companheiro de “carteira”!!
O golpe do telefone - ALERTA
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Jorge Monteiro
(Inspector)
Área Técnica Profisional
Instituto superior de Polícia Judiciária e Ciências Criminais
Quinta do Bom Sucesso, Barro - 2670 - 354 LOURES
Telf: 219844265 E-mail: jorge.monteiro@pj.pt
Ligam para a sua casa, empresa ou telemóvel, dizendo que é do Departamento Técnico da empresa telefónica local, ou da empresa que trabalha para a mesma.
Perguntam se o seu telefone dispõe de marcação por 'tons'.
A marcação de um telefone pode ser por impulsos (pulse), ou por tons (tone).
Hoje em dia, todos os telemóveis dispõem da marcação por tons, o mesmo acontecendo com a maioria dos telefones fixos.
Com o pretexto de que estão a testar o seu telefone, pedem-lhe para discar 90#.
Uma vez executada esta operação, a pessoa informa que não há nenhum problema com o seu telefone, agradece a colaboração e desliga.
Terminado este procedimento, você acaba de habilitar sua linha telefónica como receptora a quem lhe acabou de lhe telefonar; isto chama-se 'CLONAGEM', ou seja, uma copia fiel da sua linha telefónica.
Daí em diante, todas as ligações feitas por aquela pessoa que lhe telefonou inicialmente, serão DEBITADAS NA SUA CONTA DE TELEFONE.
Isto está a ocorrer com telefones fixos e com telemóveis.
Nunca digite 90 # no seu telefone.
Até agora as companhias telefónicas não sabem como parar, detectar ou evitar esta fraude.
Por isso, É IMPORTANTE QUE ESTA INFORMAÇÃO SEJA PASSADA AO MAIOR NÚMERO POSSÍVEL DE PESSOAS.
Rock in Rio: emissão em directo
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À publicação deste post (agendado) devem estar a finalizar a actuacção os finlandeses Apocalyptica, num Metal sem guitarras, apenas violoncelos e bateria, precedidos pelos portugueses Moonspell e sucedidos por Machine Head (22h) e finalmente Metallica (23h45m) que de certo darão um espectáculo de 3h à semelhança do que fizeram o ano passado (a salvação da péssima organização) no SuperBock SuperRock.
Amanhã ainda se pode ver Orishas (18h45m), Kaiser Chiefs (20h15m), Muse (21h45m), The Offspring (23h15m) e Linkin Park (1h) no Palco Mundo, AQUI na INTERNET se não for ao Parque da Bela Vista.
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Pós-texto (04:40 de 06/06/2008): não pude ver os concertos de hoje, mas segundo informações duns amigos que foram, os Metallica ficaram-se por 2h de concerto em que a surpresa foi não haver novidades e todas as bandas estarem muito mais sóbrias que Amy Whitehouse (piada oficial do festival), de resto gostaram bastante.
Episódio III – Escola: inicio atribulado
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Uma vez, fui dar ao centro de um musseque, o Cazenga, que distava da nossa casa cerca de 500m, mesmo no extremo da rua onde morávamos. Perdi-me... tentei regressar pelo mesmo caminho, mas não consegui!... Andava às voltas e vinha dar sempre ao mesmo sítio. Deixei-me ficar ali... a minha mãe havia de dar pela minha falta.
Estranhando ver uma menina branca perto do musseque, uma senhora, preta, acercou-se de mim e perguntou-me de onde eu era. Mas se eu nem sabia!!
Apenas sabia que morava no Bairro Adriano Moreira, e porque tinha ouvido falar aos meus pais.
Ela pegou-me pela mão e levou-me de volta. Felizmente entrou na minha rua... a minha mãe andava a bater de casa em casa, perguntando se me tinham visto ... Mal a vi corri para ela e abracei-a! Ao ver-me acompanhada pela senhora preta, olhou para mim, questionando-me com o olhar quem era...
“É a senhora que me salvou!” - disse eu.
“Está bem.” - disse a minha mãe, voltando-se para a tal senhora para lhe agradecer - “Vamos para casa e lá conversamos”.
Eu toda contente por ter reencontrado a minha mãe, depois de tamanho susto, mal sabia que a conversa seria uma valente surra... seguida de uma conversa sobre os perigos que tinha corrido.
“Mas a senhora até me trouxe para casa... ela não me ia fazer mal nenhum, Mãe!”
“Ouve o que te digo e obedece. É a última vez que fazes isto.”
Meti-me no meu quarto, com as lágrimas a correrem pela cara abaixo... Ainda com as nádegas a fumegarem do castigo físico, revi tudo o que se tinha passado...
O meu medo... que proeza... nunca mais faria aquilo, mesmo que a minha mãe não me tivesse castigado.
Até ao inicio das aulas não me atrevi a avançar para além daqueles muros... nem saía do portão para a rua. O meu território era aquele quintal... entretinha-me a subir pelo tronco acima do mamoeiro, com cerca de 4 a 5 metros de altura!!
Dia 20 de Setembro... o primeiro dia de aulas!!! O meu Pai foi-me levar ao Colégio da Cuca. Entregou-me à sra. D. Maria Augusta, a professora que a partir daquele dia se ia encarregar de me dar instrução.
Entrei para a sala de aulas e a professora destinou-me um lugar. Sentei-me, mas ficar quieta não era comigo... passava a vida a virar-me para trás ou para o lado, para falar com os colegas.
A D. Maria Augusta advertia-me para ficar calada... mas qual quê... ficar calada como?! Impossível !
Após muitos avisos, a professora chamou-me perto da secretária e pediu-me para estender a mão. Confiante, estendi a mão direita. Repentinamente, a professora pegou na régua e abateu-a sobre a minha mão, desferindo 4 reguadas... à quinta desviei a mão e a régua bateu-me numa falange do dedo polegar da mão... Ainda hoje conservo a sequela do acontecido e sempre que dobro o dedo essa lembrança volta...
Quando cheguei a casa, a minha mãe, vendo-me pesarosa, perguntou-me o que tinha acontecido... contada a minha versão sumária, obtive como resposta: ”Bem feito!, Para a próxima comporta-te bem!!”
No dia seguinte, quando o meu pai me voltou a deixar ao portão da escola, nem o deixei afastar-se!... Desatei a correr atrás do carro, a gritar que não queria ficar ali.
Frequentei a primeira classe nesse Colégio. Mas nunca me consegui integrar!
Na segunda classe, após pedido de transferência, fui para outro local: Colégio Dr. Adriano Moreira.
Mas no inicio, também aí, a minha adaptação foi algo penosa!
Relembro com muita saudade aqueles anos naquele colégio, onde fiz duas amiguinhas: a Mercês (portuguesa) e a Judite (angolana, pretinha de gema).
Não há cartel...
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imagem do RAIM'S BLOG
«No dia em que o Ministro da Economia pediu aquele relatório à Autoridade da Concorrência, se o meu amigo me tivesse chamado aqui, eu tinha-lhe dito o que a Autoridade da Concorrência hoje ia dizer».
Palavras de Mira Amaral (presidente do BIC e ex Ministro da Industria) no programa “Negócios da Semana” de ontem na SIC Notícias, conduzido por José Gomes Ferreira, contando também com a participação de João Duque (economista e professor no ISEG) e Augusto Mateus (economista e ex Ministro da Economia).
Roseira Brava
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Nota: o vídeo tem um irritante zumbido de fundo - é o que está disponível - mas vale a pena ver.
Os perigos da SIC: a distorção pública do que é um blogger
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De facto, o programa revelou um péssimo profissionalismo, quer do Rodrigues Guedes de Carvalho quer do serviço que a SIC presta, denotando-se em todo ele a emanação duma sintonia no discurso que apela à legislação e censura na internet, camuflando isso com os casos de injúria, violação de privacidade, entre outros, que não deixam de existir, mas que apenas foram um pretexto mal debatido, soando a tom ressabiado. Como disse, e muito bem, José Gameiro, provavelmente a única pessoa daquele painel com plasticidade mental e que tem a capacidade de compreender diferentes modos de estar na vida, «isso é outro baralho».
Considero também ser outro baralho, e no que respeita ao Do Portugal Profundo, porque José Sócrates não foi alvo deste blogue, foi alvo sim dos seus rabos-de-palha, e continuará a ser alvo de crítica de vários portugueses conscienciosos (de alguns fala barato iguais a si, também, depende da conveniência), não exclusivamente do António Balbino Caldeira, como se pretendeu transmitir, a meu ver, sendo exemplo os processos que José Sócrates e Paulo Pedroso lhe moveram.
Efectivamente nesse programa baralharam os diversos baralhos, fazendo por esquecer o poder que uma má informação provoca em quem assiste. Talvez o propósito tenha sido mesmo esse, caso contrário não tinham "trocado os pés pelas mãos" da forma como o fizeram, pois creio que o jornalista, o advogado e o criminologista (ou autarca, ou comentador profissional ou lá o quê) têm inteligência suficiente para não se prestarem a tais papéis, salvo se os quiserem representar.
Moita Flores no seu sincronismo verbal com Rogério Alves, cheirando a rosas, lá se sentiu escudado e disfarçou a sua gaguez intelectual quando contraposto por José Gameiro – não basta ler uns relatórios, uns artigos de psiquiatria ou psicologia forense ou outra, para sermos entendidos na área, quanto mais para se debitar generalizações sobre pensamentos, comportamentos ou emoções das pessoas que têm ou comentam em blogues.
Parafraseando novamente José Gameiro, «acho que as pessoas que escrevem blogues têm a oportunidade na internet de finalmente expor, de escrever coisas que não seriam publicadas provavelmente, ou que dificilmente seriam. Acho que é um direito que elas têm. Acho que é uma boa partilha com as outras pessoas. Acho que não podemos transformar isto numa coisa negativa. A internet tem muita coisa negativa, mas isto, acho que é uma possibilidade infinita de mostrarem aquilo que escrevem a milhares de pessoas».
Os perigos na internet são imensos, as injurias e calúnias são a rodos por esse mundo fora, tal não se confina a blogues, basta mau carácter. O direito que me assiste a criticar este programa é o mesmo que assiste qualquer um dos seus intervenientes nos seus comentários, e mesmo que eu escreva com um pseudónimo (coisa que até foi utilizada por diversos escritores e jornalistas de gabarito, não que eu lhes seja comparável no engenho, pois não tenho para tanto) pelo menos não sou paga para debitar opiniões. Faço-o porque me apraz, e isto nada tem de cobardia, falta de escrúpulos, frustração, solidão ou narcisismo. Lê-me quem tiver na disposição, comenta quem quiser, concordando ou não.
Costuma-se dizer que “cada caso é um caso” e as “opiniões valem o que valem”, e esta é a minha, mesmo que fique aquém do muito que queria dizer, mesmo que inserida «num mundo de devassa e de violentação» como lhe chamou Rogério Alves e Moita Flores, pois o maior estrago da internet foi feito por este programa baralhado, este sim «violador e o principal destruidor dos direitos que a constituição nos dá», na medida em que foi tendenciosamente parcial e nada didáctico.
Episódio II – Cidade magnífica, muitos contrastes
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Com a aproximação do navio ao cais de Luanda, a cidade ia tomando forma... Primeiro à nossa esquerda, um morro enorme e, bem em cima, um majestoso Forte da Barra (Fortaleza, como lhe chamavam), que defendeu no tempo dos conquistadores, com os seus grandes canhões virados para a entrada da baía... a marginal, ainda hoje o ex-libris da cidade.
Em frente a cidade com os seus lindos e altos edifícios de lindas cores.
À nossa direita, bem dentro da cidade, plantado em cima de um brutal monte de terra, a Fortaleza de São Miguel, local que dava para ver a cidade e as praias da Ilha, quer de dia quer de noite, como miradouro, que proporcionava uma beleza nunca vistas.
Muito lentamente o navio lá se foi aproximando do cais e as pessoas iam-se tornando cada vez mais visíveis. Nós, na ânsia de vermos as pessoas que procurávamos, íamos gritando e ouvindo “estão ali!”, “não... ali!”, “não, não é... está além de camisa branca!”...
Até que, por fim, lá conseguímos ver quem queríamos!
Finalmente chegou a nossa vez de sair e pela primeira vez pisávamos solo africano... com uma sensação muito estranha de sons, cheiros e vozes e, à mistura, uma embriaguez que nos pôs tontos e sem reacção. Estávamos a milhares de quilómetros de distância de casa... numa terra desconhecida... com um sonho a caminho de ser realizado!
O senhor Veloso, e esposa, que nos tinham vindo esperar, dirigiram-se ao nosso encontro... Abraços e cumprimentos com desejos de boas-vindas, saímos do porto de Luanda... malas no carro... encetamos a viagem para a morada nova!
Com os olhos muito abertos olhando numa ânsia desmedida de querer mirar tudo numa só vez, marginal fora... Que encanto!! Uma avenida ladeada do lado direito por palmeiras, junto ao mar, formando a tal famosa Baía de Luanda, um dos locais que muito me marcaria para o resto da minha vida!!
Deixamos para trás a avenida e seguimos por outras ruas... muito poucas com asfalto - a maioria eram picadas em terra vermelho-ocre, levantando uma poeira que, à mistura com o suor que nos começava a escorrer pelo corpo sujando a roupa e a ele se colava, tornando-nos indolentes... fazia um calor infernal, comparado com as temperaturas a que estávamos habituados...
Algumas picadas continham somente os sulcos que os carros deixavam ao passar... isto sem contar com os grandes buracos que, segundo o sr Veloso, quando chovia, formavam grandes lagos - eram a alegria de muitos miúdos negros que aí chafurdavam nesses lagos de tons de castanho-avermelhados, e que serviam de piscinas.
Fomos conduzidos para casa do sr. Veloso, onde permanecemos alguns dias, até que se pudesse arranjar uma casa para morarmos.
Descarregadas as malas, e depois de instalados, a esposa do sr. Veloso presenteou-nos com o famoso “churrasco angolano”!
O meu Pai, que adora novidades, e por indicação do nosso anfitrião, retirou da travessa uma coxa e “abocanhou-a”... mas logo a deixou cair de novo no prato...
Recordo que o sr. Veloso ria a bandeiras despregadas, com a "partida"... E todos nos rímos dos trejeitos e caretas que o meu Pai fazia, que olhava para nós furibundo...
Hoje, não consegue comer churrasco sem lhe colocar uma dose boa de piri-piri... diz que não tem sabor!!!
Eu e a minha Mãe, acauteladas com o sucedido, retiramos a pele ao frango e lá comemos um bocado... só para provar... confirmando que, de facto, para quem não estava habituado àqueles sabores, era difícil gostar logo assim do tal “churrasco”!
Passados à sobremesa, o casal apresentou-nos um cabaz de frutas tropicais: goiabas, bananas, mamão... O meu Pai, sempre aberto a novidades e esquecido do episódio do picante, resolveu comer uma banana com a casca... Mal deu a primeira trincadela, “cuspiu” logo a dentada, fazendo uma careta de arrependimento pela aventura... Ainda hoje não é muito apreciador deste fruto...
Condicionamentos que lhe ficaram na memória!...
Lembro-me de uma outra: quando o meu pai comeu, pela primeira vez, mamão (fruto idêntico à papaia, de maiores dimensões, mais arredondado e muito mais doce e suculento). O mamão contém dentro da polpa, uma cavidade oca que contém umas sementes muito semelhantes a excrementos de coelho. Também aí, meu Pai, quis experimentar o seu sabor e toca de comer as ditas... Bem... aprendeu de vez que a curiosidade matou o rato! Eu e a minha mãe deliciamo-nos com o seu sabor e o seu suco...
Três dias depois, e após muitas peripécias, nova viagem até ao outro extremo da cidade... em direcção à casa que tinha sido alugada pelo sr. Veloso, e onde iríamos morar: nº 132 do Bairro Adriano Moreira, mesmo por trás da fábrica de cerveja da Cuca, muito perto da zona de implementação da fábrica de botões que o meu Pai ia montar e administrar.
Lá chegamos, finalmente, à casa que iria ser nossa!
O acesso ao interior da casa fazia-se através de um lance único de escadas e ao lado das mesmas havia uma espécie de corredor, exterior e cimentado, que fazia a ligação com as traseiras da mesma. Ao fundo, existiam outras escadas para acesso à casa, nas traseiras.
Exames
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O tempo passa rápido demais, voa, sem nos apercebermos. A vida passa a correr. Sempre corri.
Vou hibernar por um tempo. Preciso de estudar, de pensar e de voltar a estudar.
Os exames estão à porta…
Este semestre ainda não deu para abrir os livros.
Mas, a ver vamos.
Beijo
Maria
Caminhada contra a Fome
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Candido Portinari, Criança Morta (Criatura muerta), 1944Entre Lisboa, Porto, Coimbra e Hangra do Heroismo, juntaram-se 10 100 pessoas na caminhada contra a fome, contribuindo com 10€ cada. A verba recolhida em Portugal, permitirá alimentar mais de 3 000 crianças durante 1 ano.
Para saber mais sobre o evento, click AQUI.
1967-1975
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Ofereceram-me o livro “Os retornados - uma história de amor” do jornalista Júlio de Magalhães. O que li é tão verídico! Tão parecido com o que eu vivi, que ao rever-me nas situações descritas, não resisti em contar o que sinto ainda vivo na minha memória e que ficou gravado para sempre no meu coração...
Talvez mais um testemunho do sofrimento de todos aqueles que depositaram uma esperança de vida num país longínquo...
Não precisei de fazer grandes esforços para a avivar!... Recordo tudo, com uma facilidade espantosa, mesmo depois de tantos anos, tudo o que vivi naquele território outrora português, como se os factos se tivessem passado há relativamente pouco tempo!
Tenho ainda hoje, e apesar de passagens muito tristes e penosas pelo sofrimento infligido, não só a nós (a mim e aos meus Pais) mas a muitas outras pessoas que acreditaram poder fazer das ex-colónias a sua Pátria. Aí se empenharam em construir as suas vidas, uns, em reconstruir, outros, em arriscar uma nova vida, outros ainda.
Espero não morrer sem, um dia, concretizar um sonho: voltar a Luanda!! Nem que seja uma só vez para rever ou reviver, ainda que por breves momentos, todos os locais onde vivi uma parte da minha infância e inicio de adolescência, feliz!
Sei que irei ficar desiludida, quiçá... aquela cidade, aquele país nunca mais foi o mesmo!... talvez esteja tudo destruído e nem vestígios existam dos locais onde passei aqueles anos... mas permito-me sonhar... Quem sabe, um dia?
Porque o texto se adivinha longo, dividi-o em várias partes, cada uma delas contando um episódio... de uma parte da minha vida!
Episódio I – Dia D: a partida
Como passageiros, uma centena larga de pessoas com rumos diferentes no interior de Angola: mulheres casadas por procuração, iam ao encontro de um homem - sem o ter conhecido antes, a não ser por fotografia; outras casadas por procuração (tinham namorado no Continente e só agora poderiam finalmente juntar-se à pessoa com quem tinham casado visto ele não se poder ou não querer deslocar-se ao Continente); mulheres casadas com ou sem filhos que finalmente se iam juntar aos seus maridos, que tinham partido muito antes na tentativa de conseguir uma vida melhor do a que tinham no Continente; homens que partiam também à procura de melhor vida... alguns numa completa aventura... outros já com carta de chamada de amigos ou familiares que já lá se encontravam e lhes arranjavam a tal carta, o que implicava uma grande responsabilidade para quem a arranjava, uma vez que se tornava responsável por essa pessoa.
A maior parte era gente humilde do interior do Continente que nunca tinham visto um navio ou mesmo o mar!
De entre todos esses passageiros... eu e os meus Pais... íamos, também, tentar a nossa sorte em Luanda. O meu Pai tinha formado uma sociedade cá em Portugal: uma fábrica de botões... A única naquele País!!! O meu Pai conhecia muito bem aquele mister, já que durante anos e anos trabalhara numa fábrica do mesmo género.
Eu nasci... o meu Pai, apesar de ser gerente, ganhava mal... e na altura com uma filha, as coisas tinham-se tornado difíceis. Arriscou formar a sociedade, recomeçar num País longínquo, desconhecido, mas do qual ouvia maravilhas!!! O sonho tornado realidade?
Naquele dia deu-se o primeiro passo para a aventura de viver longe da restante família: cunhados, irmãos, amigos... tudo se deixou para trás para realizar o seu sonho de uma vida melhor.
A bordo era tudo muito estranho e diferente daquilo a que estávamos habituados, a começar pelas refeições.
A minha mãe, mal o paquete encetou viagem, recolheu ao camarote, sempre enjoada com as oscilações do navio, mal se conseguindo aguentar de pé. Permaneceu no camarote durante toda a viagem! Não viu sequer a imensidão daquele mar... nem conheceu o navio!
Eu desapareci: um casal recém-casado tomou conta de mim e com eles andei sempre, ávida de ver tudo... e aquele mar!!! Lembro-me do fascínio que senti... Eu já tinha visto o mar, na praia – todos os anos, no Verão a minha mãe alugava uma barraca na praia e íamos as duas apanhar banhos de sol, contra o raquitismo!... O meu Pai não ia por ser sensível aos raios solares, desde miúdo... ainda hoje é...
Mas aquele mar tão grande deslumbrava-me e o paquete parecia uma noz, perdido na sua vastidão!
A primeira refeição a bordo foi um autêntico desastre. Tudo era diferente do que estávamos habituados... Mas enfim... Tínhamos de comer... os dias eram longos para quem permanecia num espaço que apesar de grande era limitado às muradas daquele paquete.
Aliado ao balanço do navio, passado um bocado, era ver alguns passageiros, a deitar borda fora, a refeição ingerida momentos antes...
Dois dias depois de termos partido de Leixões, chegámos a São Tomé... Que alívio para a minha mãe! Podia, finalmente, levantar a cabeça da almofada, respirar ar puro!... E comer! Coisa que já não fazia havia 4 dias!!
Fomos transportados para terra a bordo de uma lancha. Muitos outros passageiros ficaram a bordo...
Ainda me lembro que outras pequenas embarcações governadas por nativos, se acercaram do navio com lembranças de São Tomé: trabalho artesanal que vendiam.
A paragem em São Tomé foi providencial: ia conhecer uns tios e primos (ela, irmã da minha mãe).
A minha mãe lá conseguiu comer alguma coisa e recuperou um pouco as suas cores, sentindo-se mais preparada para enfrentar o resto da viagem. À excepção da passagem do Equador, no qual fizemos uma exercício de simulação com colete de salvação e ir para a nossa baleeira de salvação. Uma simulação como se o navio estivesse a ir ao fundo... todos levámos com um banho de água à mistura - o que resultou numa grande confusão, pois muitos pensaram que era a sério – mas no fim, tudo acabou em bem!!
Os restantes dias decorreram sempre iguais até à nossa chegada a Luanda em 31 de Agosto de 1967, de manhã muito cedo... com o sol africano a raiar... brilhante...
O cais abarrotava com os familiares dos que chegavam... Os nossos tinham ficado longe... apenas um casal de amigos do sócio do meu pai nos esperava – o sr. Veloso e esposa – a fazer as honras da casa.
A nossa ansiedade era muito grande... Muitas expectativas... para saber como iria ser a tão falada “África dos pretos” como se dizia em Portugal!!

(A continuar...)
Crianças: dialogar e informar é preciso
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Na Declaração dos Direitos da Criança, o Princípio 7.º diz-nos que “[…]Deve ser-lhe ministrada uma educação que promova a sua cultura e lhe permita, em condições de igualdade de oportunidades, desenvolver as suas aptidões mentais, o seu sentido de responsabilidade moral e social e tornar-se um membro útil à sociedade. O interesse superior da criança deve ser o princípio directivo de quem tem a responsabilidade da sua educação e orientação, responsabilidade essa que cabe, em primeiro lugar, aos seus pais. […]”, salientando claramente as práticas educativas que devem preparar a criança para o futuro.
Numa época em que a gravidez na adolescência dispara, em que o abuso sexual e a pedofilia estão na ordem do dia, considero importantíssima a educação sexual. Há um ano, precisamente no Dia Mundial da Criança, a RTP2 teve a feliz audácia de passar o filme pedagógico "Então é assim!” – uma co-produção dinamarquesa e canadiana, numa dobragem em português de Portugal – dirigido a crianças dos 7 aos 12 anos, que foca a sexualidade, a reprodução, o abuso sexual e também a afectividade, numa linguagem muito acessível às crianças.
Na altura estalou polémica, provavelmente hoje seria o mesmo, ficando provado que o problema não reside em falar de sexualidade às crianças, nem alertá-las para o abuso sexual. O problema reside sim nos adultos, quantas vezes "mal resolvidos", que preferem o prolongamento de metáforas enclausurando o diálogo, que pode conduzir tanto a falhas de comunicação como de desenvolvimento.
Se bem que o “Então é assim!” possa parecer exagerado e controverso, de certo que cabe aos adultos, contextualizar devidamente o seu visionamento pelas crianças. Assisti quando passou e já foi útil na minha família, pelo que o recomendo e aqui o reproduzo (via JPG, Apdeites):
Poema de uma criança
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Tenho 3 anos
Os meus olhos estão inchados,
Não consigo ver.
Eu devo ser estúpida,
Eu devo ser má,
O que mais poderia pôr
o meu pai em tal estado?
Eu gostaria de ser melhor,
Gostaria de ser menos feia.
Então, talvez a minha mãe
Me viesse sempre dar miminhos.
Eu não posso falar,
Eu não posso fazer asneiras,
Senão fico trancada todo o dia.
Quando eu acordo estou sozinha,
A casa está escura,
Os meus pais não estão em casa.
Quando a minha mãe chega,
Eu tento ser amável,
Senão eu talvez levaria
Uma chicotada à noite.
Não faças barulho!
Acabo de ouvir um carro,
O meu pai chega do bar do Carlos.
Ouço-o dizer palavrões.
Ele chama-me.
Eu aperto-me contra o muro.
Tento-me esconder
Dos seus olhos demoníacos.
Tenho tanto medo agora,
Começo a chorar.
Ele encontra-me a chorar,
Ele atira-me com palavras más,
Ele diz que a culpa é minha,
Que ele sofra no trabalho.
Ele esbofeteia-me e bate-me,
E berra comigo ainda mais,
Eu liberto-me finalmente
E corro até à porta.
Ele já a trancou.
Eu enrolo-me toda em bola,
Ele agarra em mim
E lança-me contra o muro.
Eu caio no chão
Com os meus ossos quase partidos,
E o meu dia continua
Com horríveis palavras...
"Eu lamento muito!", eu grito
Mas já é tarde de mais
O seu rosto
Tornou-se num ódio inimaginável.
O mal e as feridas mais e mais,
"Meu Deus por favor, tenha piedade!
Faz com que isto acabe por favor!"
E finalmente ele pára,
e vai para a porta,
Enquanto eu fico deitada,
Imóvel no chão.
O meu nome é "Sara"
Tenho 3 anos,
Esta noite o meu pai...
*matou-me*.
Desconheço o autor deste poema...
Festivais há muitos...
...
Comprei o bilhete - passe de 3 dias - com antecedência e larguei 6 contos e 500 para o relvado. Lá fui com a malta: sandocha na mochila, praia de manhã, concerto à tarde, 3 dias de doideira.
Já lá vão uns quantos festivais, mas para mim, o T99 foi sem dúvida O Festival.








