ERC e o destaque dado pelos Media aos acusados do Processo "Casa Pia"
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Que os Media não sejam isentos, não traz novidade.
Que a ERC se pronuncie, idem.
Que estes comunicados não tenham consequências, aspas aspas.
1. Na sequência da sentença do tribunal de primeira instância sobre o processo "Casa Pia", têm-se sucedido na imprensa, rádio e televisão, entrevistas a alguns dos acusados, em desrespeito, por vezes grosseiro, pelo princípio do equilíbrio, da equidistância e da igualdade de tratamento de todos os agentes envolvidos no processo.
2. O Conselho Regulador tem presente o impacto mediático do processo acima referido, e a sua indiscutível relevância no plano do exercício da liberdade de informar. Nada obsta a que os jornalistas, como qualquer cidadão, possam ter, a esse propósito, convicções, mais ou menos marcadas. Mas não pode o Conselho deixar de chamar a atenção para o facto de que os órgãos de comunicação social estão obrigados a informar de modo isento e com um mínimo de distanciamento, para mais a respeito de uma temática de tão especial sensibilidade como a que foi tratada no processo "Casa Pia".
3. Assim, o Conselho Regulador vê com preocupação, e não pode deixar de reprovar, a mediatização conferida pela generalidade dos órgãos de comunicação social a um dos condenados pelo referido Tribunal - o ex-apresentador de televisão Carlos Cruz -, em particular o canal generalista do serviço público de televisão que, nos últimos dias, lhe concedeu lugar de especial destaque, e mesmo protagonismo, em pelo menos três dos seus programas de informação de maior audiência.
4. Sem colocar em causa os princípios consagrados na Constituição e na Lei sobre a liberdade de imprensa - antes os reafirmando -, o Conselho Regulador recorda as especiais responsabilidades do serviço público de televisão no cumprimento dos princípios éticos e deontológicos do jornalismo e no respeito pelas decisões dos tribunais num Estado de Direito.
5. Não deve, com efeito, a invocação da liberdade de informar e de livre determinação de critérios editoriais servir, ainda que de forma involuntária, para transmitir convicções próprias ou para uma procura de audiências a qualquer custo, com prejuízo do equilíbrio, isenção e imparcialidade a que está, de modo reforçado, obrigado o serviço público de televisão.
Lisboa, 10 de Setembro de 2010
Por acórdão: Vítimas “de facto”
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Neste sistema promíscuo em toda a sua transversalidade, é provável que os vis criminosos não venham a cumprir a sua pena, no entanto, se bem que moralmente a culpa já tivesse sido imposta, faltava esta atribuição jurídica para validar as atrocidades, para auxiliar os jovens a encerrarem este capítulo, se tal for possível, porque a inocência que lhes roubaram, jamais lhes poderá ser restituída.
Na sentença ontem proferida, a justiça foi a exequível nesta moldura penal. Quanto a mim, mesmo que invés do cúmulo fossem 5, 6 ou 7 anos por cada vítima, por cada acto, seja ele de violação, lenocínio ou mesmo por encobrimento, seria leve demais.
Sempre acreditei nestes jovens e louvo-lhes a resiliência, desejando que doravante os dias lhes sejam risonhos, que os seus projectos se concretizem.
@!!*#?*#
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Fonte da imagem: Banca de Jornais - Sapo Notícias
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Adenda [18/07/2009 às 01:23h]: está disponível online o artigo que ilustra a capa AQUI, e um outro subsequente AQUI que relata o facto deste pedófilo estar em liberdade após ter sido apanhado em flagrante (pela PSP e duas Magistradas) a abusar duma criança.
Estimativas? Só no final do Processo.
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Estimativa atrás de estimativa, diz que sim diz que não quiçá talvez, enfim… Um chorrilho de adiamentos sem data marcada. Desta feita, a 26 de Fevereiro voltou-se a adiar, mais provas e tal, uma sessão por mês até Maio, uns dizem que lá para o inicio do Verão, outros para o Outono, só resta saber: de que ano?
Com tantos duques e cenas tristes, prevejo que até ao final, ainda saem da cartola mais umas quantas medidas legislativas e umas reformas do CPP, em que, se o processo não prescrever (Milagre! Milagre!!) as penas são ser nulas.
Não cheira mal, FEDE.
Gazeteira sem escrúpulos condenada
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Esta “jornalista” é um mero exemplo da casta gazeteira, oligárquica e sem escrúpulos, que pulula pelos media fora, elevando-se ao estatuto de doutos-imaculados comentadores, aviltando os de mais como se não tivessem grandes telhados de vidro.
“Caso do alegado sósia de Carlos Cruz
Casa Pia: jornalista Inês Serra Lopes condenada por favorecimento pessoal
06.01.2009 - 21h24 Lusa, PÚBLICO
[…]
Segundo o acórdão, a pena de prisão de um ano aplicada a Inês Serra Lopes não é passível de suspensão "face à inexistência de primaridade, confissão ou arrependimento" da arguida por "contraposição à gravidade dos factos apurados". Contudo, a pena de prisão poderá "ser substituída por prestação de trabalho a favor da comunidade desde que se verifique aceitação da arguida".
[…]
O documento diz ainda que a jornalista pediu a Ana Paula Valente que fosse entregar as fotografias ao Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa a fim de serem "juntas ao processo Casa Pia". Segundo o TRL, em acórdão proferido em Dezembro passado, a jornalista quis "criar no espírito dos magistrados e órgãos de polícia criminal (OPC) (...) dúvida séria" sobre se teria sido Carlos Cruz ou o alegado sósia a praticar os crimes que estavam a ser investigados, por "ter havido erro de identidade quanto ao autor dos factos".
Actuação denunciada
Menciona-se ainda que Inês Serra Lopes não conseguiu o que pretendia porque Ana Paula Valente revelou à Polícia Judiciária (PJ) que tinha sido a então directora do "O Independente" e filha de António Serra Lopes, um dos defensores de Carlos Cruz, a entregar-lhe as fotografias.
Além disso, um programa da SIC, emitido a 13 de Fevereiro de 2003, denunciou a actuação da arguida, tendo Carlos Cruz sido acusado (e depois pronunciado) pela prática de vários crimes de abuso sexual enquanto o alegado sósia "nem sequer foi constituído arguido".
[…]”
Coitado! Veio da Lapónia e...
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Etiquetas: Abuso sexual, Casa Pia, Humor, PedofiliaRecurso contra juiz ameaça processo Casa Pia
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Rui Teixeira foi o juiz titular do inquérito ao escândalo de pedofilia.
O caso foi-lhe passado pelo juiz Avelino Frescata em Janeiro de 2003.
O processo de pedofilia da Casa Pia corre o risco de ser anulado e voltar à fase de inquérito. Os arguidos contestaram a competência da juíza de julgamento para validar os actos de Rui Teixeira, depois de ter sido considerado nulo o despacho que entregou o processo Casa Pia ao magistrado de Torres Vedras. A questão será apreciada pela Relação de Lisboa após o fim do julgamento. Caso a decisão seja favorável aos arguidos, e conclua que Ana Peres não tinha competência para validar os actos de Rui Teixeira, o processo poderá ter de regressar à fase de inquérito.
Casa Pia: Investigação
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Para além do testemunho de duas vítimas - o Ricardo e o André -, “neste excelente trabalho de investigação sobre o caso judicial mais mediático (e prolongado) da História de Portugal, podemos ouvir, entre outros, os depoimentos de Dias André (inspector da PJ), Álvaro Carvalho (psiquiatra) e Catalina Pestana (ex-Provedora)” [JPG].
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Uma reportagem a não perder, no site da TVI (se tiver o Real Player) ou no Apdeites V2 (caso não tenha) onde o JPG disponibiliza uma playlist do Youtube.
Princípio sem fim
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Das crianças abusadas durante décadas nesta instituição, dez delas têm a coragem de relatar e enfrentar a atroz violência de que foram alvo e fazem questão de estarem presentes aquando da leitura da sentença, as outras, saberá Deus quantas, seguem a sua vida como só elas sabem, pois a quem nunca sentiu na pele os abusos que se cravam na alma jamais poderá vislumbrar tamanho sofrimento, resta a compreensão, a empatia, a disponibilidade, o auxilio.
Dos apontados como abusadores, apenas sete respondem como arguidos, os outros escaparam-se nos meandros das leis e decisões judiciais, nas prescrições dos crimes cometidos, no silêncio compadrio que os escuda, nas relações sociais, na cobardia de quem sabe, no medo paralisante de quem sofre.
Há quem diga que ontem começou o princípio do fim. Discordo. Não há Estado que vele pelas crianças que tem à sua guarda. Não há justiça que penalize todos os culpados. Não há condenação que ponha fim ao sofrimento das vítimas. Não há como devolver a inocência roubada.
Vídeo via JPG no Apdeites V2, que disponibiliza uma playlist sobre a “Casa Pia”
Do Portugal Profundo - "Pedroso desiste de 49 crimes contra bloguer"
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"Deputado do PS desistiu de queixa que apresentou por difamação e pagou os 2500 euros a que foi condenado
O deputado do Partido Socialista, Paulo Pedroso, desistiu esta sexta-feira de uma queixa apresentada contra o autor do blogue Do Portugal Profundo, que estava a ser julgada no Tribunal da Boa Hora, em Lisboa.
António Caldeira, responsável pelo conteúdo do blogue, estava sentado no banco dos réus acusado de 49 crimes por difamação. Pedroso queria ainda uma indemnização cível no valor de 150 mil euros. Mas, na oitava sessão do julgamento, o deputado socialista desistiu da queixa.
Na base da queixa apresentada por Paulo Pedroso estavam textos divulgados no blogue, no ano de 2004, relativos ao processo da Casa Pia. O deputado terá tentado que o arguido pedisse desculpa, mas segundo apurou o PortugalDiário isso não aconteceu.
José Maria Martins, advogado de António caldeira, confirmou ao PortugalDiário a desistência do processo.
Pedroso pagou os 2500 euros ao bloguer
O deputado do PS terá também pago a António Caldeira, esta sexta-feira, a indemnização de 2500 euros a que foi condenado, numa primeira instância e que, após recurso, viu o tribunal da Relação de Lisboa confirmar.
Neste último caso, foi o autor do blogue Do Portugal Profundo, que apresentou queixa contra Pedroso e viu os seus intentos reconhecidos pela justiça."
A LER:
Pedofilia na Casa Pia em documentário
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Trecho do documentário sobre a pedofilia na Casa Pia (The Scandal of "Casa Pia"), que George Kouvaras, realizador grego, disponibiliza no youtube entre outros trabalhos seus.
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Infelizmente não entendo uma palavra grega, provavelmente muitos de vós também não, mas sendo este caso sobejamente conhecido entre nós, na falta das legendas em português, os testemunhos gritam além fronteiras.
Pós-texto: se encontrarem a versão completa do documentário ou surgir alguma tradução em português, avisem-me se fizerem favor ;)
Casa Pia: julgamento interrompido para ver a bola
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“Carlos Cruz entregou, esta quarta-feira, no julgamento do processo Casa Pia vários documentos e até uma bola de futebol para provar que não participou em abusos sexuais de menores legadamente ocorridos em Elvas a 20 de Março de 1999.
Face aos novos documentos entregues pelo arguido, e após a análise sumária da bola ter suscitado dúvidas a José Maria Martins, advogado do principal arguido, Carlos Silvino (Bibi), a juíza presidente Ana Peres decidiu suspender a sessão e retomar a audição de Carlos Cruz dia 17 de Junho, dando às partes um prazo de dez dias para se pronunciarem sobre os documentos e outros requerimentos feitos na audiência. [...]"
“[…] O advogado de Carlos Silvino, José Maria Martins, pediu, em sequência, uma perícia à bola. Isto porque a bola contém uma inscrição, que José Maria Martins diz não ser a data de 20 de Março de 1999. Aos jornalistas, à saída do tribunal, Carlos Cruz esclareceu que a inscrição na bola não é uma data mas sim "USA 99", reportando-se à equipa de futebol feminino dos Estados Unidos que assinou a bola dada à sua filha Marta.
O apresentador de televisão disse não ter "nenhuma fotografia desse jogo", ao qual terá acompanhado a filha, e desconhecer também se existe algum registo de imagem seu no mesmo evento.
Lamentando mais este atraso no processo, Carlos Cruz salientou, porém, que considera que "não houve intenção de atrasar o julgamento", já que "é perfeitamente legítimo que, perante novos documentos, não se prescinda do tempo legal para os avaliar".
A próxima sessão de depoimentos de Carlos Cruz decorrerá no dia 17 de Junho. O apresentador de televisão adiantou aos jornalistas que não apresentará mais documentos.”

Não ocorre a alguma daquelas alminhas, que a análise da dita inscrição não adianta seja para o que for, já que a bola não prova rigorosamente nada?
Mas está tudo parvo? Esquecem-se das vítimas que esperam há anos por justiça?
Já agora, se pretendem que o julgamento seja (ainda) mais prolongado, arrolem como testemunhas toda a equipe norte-americana que participou no Mundialito de 99, incluindo o resto do staff, árbitros e fiscais de linha, a equipe adversária, os “apanha bolas”, todos os media que cobriram o evento e demais espectadores, os vendedores de bilhetes e os cozinheiros dos couratos, a seguir peçam perícias para todos eles. Assim pode ser que o processo termine quando as vítimas forem bisavós e os arguidos já terem falecido.
Raios partam!!!
Paulo Pedroso e o Estado
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Documento de Catalina desviado
Governo colabora na acção de Pedroso contra o Estado
Um documento de Catalina Pestana apareceu misteriosamente nas mãos do advogado de Paulo Pedroso. E quem o passou foi o chefe de gabinete do ministro Vieira da Silva. A juíza já participou ao Ministério Público. O caso prova as ligações entre o Governo e Paulo Pedroso, num caso em que este processa o Estado.
Trata-se de um rascunho pessoal, manuscrito, que foi elaborado em 2006 por Catalina Pestana, para servir de guião a uma reunião com o ministro da Segurança Social. No dia 31 de Janeiro passado, foi apresentado por Celso Cruzeiro, advogado de Pedroso, numa das audiências do julgamento da acção contra o Estado. Instado pela juíza do processo a explicar como obtivera o documento, o advogado informou que lhe fora dado por Gabriel Basto, então chefe de gabinete do ministro Vieira da Silva. A juíza mandou extrair certidão para o DIAP de Lisboa averiguar.
A acção em que Paulo Pedroso pede 800 mil euros ao Estado, por alegada prisão ilegal, está a ser julgada desde o dia 7 de Janeiro na 10.ª Vara Cível de Lisboa. O julgamento decorre à porta fechada, por decisão da juíza Amélia Loupo, que considerou necessário proteger a privacidade de todos os envolvidos. Pedroso tenta provar que os magistrados que decidiram prendê-lo, em 21 de Maio de 2003, por suspeita de 15 crimes de abuso sexual, erraram «grosseiramente» na apreciação da prova. Indicou cerca de 20 testemunhas, entre as quais, Vieira da Silva, Augusto Santos Silva (ministro dos Assuntos Parlamentares), Ferro Rodrigues (ex-líder do PS) e António Costa (presidente da Câmara de Lisboa).
Explicações de Catalina
A 31 de Janeiro, a ex-provedora da Casa Pia foi prestar declarações no julgamento. Foi-lhe então pedido pelo advogado Celso Cruzeiro que contasse como soubera dos primeiros testemunhos contra Pedroso. Catalina Pestana recordou, mais uma vez, que as acusações tinham-lhe sido reveladas por um dos jovens (considerado o ‘braço direito’ de Carlos Silvino), mas que não acreditara.
Contou que era amiga pessoal de Pedroso e que, após este ser preso, o irmão, João Pedroso, estivera em sua casa, onde conversaram longamente. Uma das provas que os jovens tinham então a seu favor era a descrição de certos sinais físicos de Pedroso. Como João Pedroso lhe garantia que o irmão não tinha tais sinais, Catalina respondeu-lhe que, então, nada tinham a temer: bastava pedir uma junta médica para o comprovar. E combinou com João Pedroso que ela própria escreveria aos procuradores que conduziam a investigação, sugerindo a realização dessa perícia. O exame médico só acabou por ser realizado após a saída de Pedroso da prisão.
Pedofilia na Casa Pia: quarta sentença de um processo autónomo
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Os pormenores da sentença a Arlindo Teotónio:
Se não conseguir visualizar o vídeo click AQUI
O Telejornal da RTP1 (18/Fev/08 - 2ª parte, link provisório) também focou esta condenação, onde Pedro Namora (05' 27'' - 2ª parte, link provisório) refere e bem:
«Este homem que hoje foi condenado, pode aguardar, vai... Pode agora continuar 2 ou 3 anos à espera, em liberdade, da decisão do Supremo, e vamos ver se entretanto não continua a cometer outros crimes. Quem é que acautela, agora, a liberdade das crianças?»
CASA PIA: duas notícias
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No Destak, 17.01.08:
Uma antiga educadora da Casa Pia garantiu hoje em Tribunal que nunca viu fotos ou referências ao nome do arguido Carlos Cruz quando, em 1982, foi buscar a casa do embaixador Jorge Ritto duas crianças fugidas da instituição.
Outras funcionárias da Casa Pia e a antiga secretária de Estado Teresa Costa Macedo testemunharam em Tribunal que Isabel Evangelista lhes tinha relatado que viu, na altura, na residência uma caixa de cartão com fotografias de adultos com crianças, entre eles Carlos Cruz, e que o apresentador de televisão lhe tinha sido referido como visita habitual da residência do embaixador.
Hoje em tribunal, e em resposta a perguntas de advogados, dos juízes e do Ministério Público, a antiga educadora desmentiu peremptoriamente estas versões, garantindo que nunca viu qualquer foto em casa do embaixador e que nunca ouviu nenhuma referência ao nome do apresentador, estranhando mesmo quando este foi falado no relatório sobre o rapaz, assinado pela directora do respectivo colégio.
Isabel Evangelista recordou que, depois de descobrir a ausência da rapariga e após muita insistência com um rapaz de outro lar da instituição, este acabou por lhe contar que o colega estava em Cascais, acompanhado pela amiga, em casa de um "tio rico", que lhes dava dinheiro.
A antiga educadora disse que se deslocou à casa indicada pelo rapaz, acompanhada deste, de um outro educador do colégio do jovem desaparecido e de um polícia. Depois de muito tocarem, tanto para o quarto andar, como para o porteiro, e de gritar que sabia que as crianças estavam ali, este acabou por abrir e acompanhá-los ao apartamento do embaixador.
Relatou que o porteiro abriu a porta do apartamento e mal entrou, com o colega educador (o polícia, o rapaz e o porteiro ficaram de fora), viu os dois menores fugidos deitados num sofá, «um para cada lado», a dormir ou fingindo estarem a dormir.
Afirmou que disse à rapariga para a acompanhar, o mesmo fazendo o educador ao rapaz, e recordou que o menor que os conduziu ao apartamento queria entrar para ir buscar umas fotos, mas que não o deixou fazê-lo.
Disse ainda que, ao descer no elevador, encontraram um inquilino muito zangado, que terá dito que o prédio era um corrupio, com constantes entradas e saídas de jovens e adultos para casa de Jorge Ritto, e que não havia descanso.
«Disse que vinha para cá tantos que era um desassossego», contou a antiga educadora, lembrando que o jovem que lhe indicou o caminho retorquiu logo: «Está a ver, está a ver», e que o mandou calar de imediato, porque ele já estava a abusar.
A antiga educadora disse também que enquanto regressavam de carro ao colégio, com os miúdos a brincar no banco de trás, o rapaz que queria ir buscar as fotos terá dito: «ainda bem que a dona Isabel não viu as fotos, ainda desmaiava».
Disse que fez o seu relatório sobre o acontecido e que achou estranho que, sendo o jovem pobre, tivesse um tio rico que lhe dava dinheiro, mas que nunca aprofundou o caso por achar que pudesse estar relacionado com droga ou roubos, nunca com abusos sexuais.
Garantiu ainda que ficou muito espantada quando leu o relatório sobre o rapaz e viu que nele constavam referências a Carlos Cruz, pois nunca tinha ouvido falar do apresentador como estando relacionado com abusos de menores ou como frequentador da casa de Jorge Ritto.
Revelou ainda que após o escândalo de pedofilia eclodir, em 2002, recebeu um telefonema de uma senhora que afirmou ser da Polícia Judiciária e que lhe disse que se não confirmasse que viu as fotos podia ir presa. Disse que ficou muito espantada e que lhe desligou o telefone na cara.
A 28 de Janeiro será ouvido por video-conferência, no tribunal da Boa Hora, em Lisboa, o educador que acompanhou Isabel Evangelista a casa de Jorge Ritto em 1982.
Maria Isabel Evangelista Mendes era educadora do lar feminino do Colégio Nuno Álvares em 1982 e foi com Góis Faria a casa de Jorge Ritto resgatar dois alunos da Casa Pia.A educadora que em 1982 foi a casa de Jorge Ritto resgatar dois alunos da Casa Pia admitiu ontem em tribunal a existência de fotos na residência do embaixador, mas garantiu não as ter visto, como tinham contado colegas suas.Na 358.ª audiência do julgamento, Isabel Evangelista, de 77 anos, explicou que os alunos lhe falaram nas fotografias que tinham encontrado e um deles disse-lhe mesmo, no caminho de regresso à instituição, que se a educadora as tivesse visto “ainda desmaiava”.
A testemunha relatou que o casapiano quis entrar no apartamento para ir buscar as fotografias, mas esta não o autorizou.
A ex-educadora disse ter estranhado que um miúdo pobre tivesse um ‘tio’ rico que lhe dava dinheiro, acrescentando porém que nunca pensou que o caso estivesse relacionado com abusos sexuais. E ficou ainda mais “espantada” quando leu o relatório da ocorrência, no qual constavam referências ao apresentador Carlos Cruz.
O depoimento de Isabel vem contradizer o de outras educadoras, que asseguraram tê-la ouvido falar em fotografias de “situações de envolvimento sexual” – uma delas morreu antes de ter sido chamada a testemunhar. Já no dia 28 é ouvido, por videoconferência, o educador Góis Faria, que acompanhou Isabel a casa de Jorge Ritto.
Na próxima sessão, dia 21, depõe João Pedroso.
Ana Luísa Nascimento
Euromilhões
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Capa do Jornal "O Crime" - 03.01.08Paulo Pedroso estará presente, hoje, na décima Vara do Tribunal Cível de Lisboa, em julgamento contra o estado português por imperativo ético, reclamando uma indemnização de 600.000€, com alguns poderosos (?) a deporem a seu favor.
Assaz pertinente a data deste lulgamento!!!... Antes de concluído o outro!!!
Estará Paulo Pedroso receoso de não receber a dita indemnização por saber que o outro julgamento pode prescrever e, consequentemente, o seu dinheirinho voar?
Paulo Pedroso não é estúpido!! E abre caminho para os restantes arguidos (mesmo os já ilibados)engordarem o espólio à custa da Casa Pia.
Não tarda nada, de recurso em recurso, sempre negado, Ferro Rodrigues estará aí a seguir os passos do amiguinho, a julgar o Estado por "cabala".
Aguardemos o desenrolar dos acontecimentos. Será o Euromilhões de Paulo Pedroso?!!!
Incongruências
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"[Exame pericial à personalidade de João A. revela] coerência e consistência das descrições, onde não se detectam erros grosseiros nem elementos que possam ser interpretados como factores de simulação ou de dissimulação e aparente autenticidade das emoções que acompanham os relatos, que lhe conferem a dimensão das experiências vividas.Temos assim que, no entender deste tribunal, e ponderados os elementos indiciários supra elencados, [estes] apontam mais para a não falsidade das declarações do que para a falsidade das mesmas.[Paulo Pedroso não provou que] não conhecia pessoalmente o Dr. Jorge Ritto, que nunca (...) esteve em casa do Dr. Jorge Ritto (...) nem ainda que nunca praticou actos sexuais com menores de 18 anos, nem assistiu à prática dos mesmos.Também o testemunho de (...) Ferro Rodrigues se revela inconclusivo sobre a veracidade ou falsidade das declarações do arguido [João A.]. É indubitável que, à data (e já desde Novembro de 2003, dada em que veio a “lume” a primeira notícia), tudo quanto se relacionasse com a “Casa Pia” e alegadas práticas sexuais com menores institucionalizados, era matéria de interesse público."
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«Nunca fui feliz, nem serei» - Casa Pia II
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."Um ateliê em Lisboa, frequentado por artistas e outras figuras conhecidas, está a ser investigado pelo Ministério Público no âmbito do novo caso de abusos sexuais envolvendo a Casa Pia.
Um jovem de 14 anos, acolhido no Lar Cruz Filipe, já prestou declarações no inquérito, que é conduzido pelo procurador João Guerra (magistrado que investigou os casos de 2002).
O jovem acusa um educador, Paulo R., o qual servirá de intermediário, conduzindo os alunos ao referido ateliê. Este caso é muito recente e não constava da denúncia feita em Maio por Catalina Pestana.
As denúncias de José (nome fictício) são corroboradas por outros jovens contactados pelo SOL e que relatam os abusos sofridos. Os testemunhos fazem ainda referência ao caso de 2002: Manuel, de 16 anos, refere ter sido levado por Carlos Silvino a uma casa em Lisboa – e diz-se disposto a testemunhar às autoridades.
O educador Paulo R. – com quem o SOL tentou falar, sem êxito – foi suspenso na segunda-feira. A direcção da Casa Pia instaurou também um processo disciplinar a uma educadora por violação das regras de vigilância na instituição.
Joaquina Madeira, presidente da direcção da Casa Pia, disse quinta-feira, na RTP, que não se está perante um problema nacional. Admitiu que continua a haver casos de abusos, mas não dentro da instituição, o que é contrariado pela investigação do SOL.
O Inverno tarda em chegar: nem frio, nem chuva. São quatro da tarde e o calor bate como se fosse Verão. À porta da escola Francisco de Arruda, na Ajuda, o porteiro, numa guarita, sabe tudo sobre os alunos – desde a hora da entrada à hora da saída, se faltaram ou se ainda estão presos às traquinices próprias das crianças.
As palavras do homem batem certo com a saída de José (nome fictício, tal como os de todos os outros jovens que adiante se referem). A mochila verde do puto submerge-o. Fez 14 anos em Outubro, mas o ar franzino e a altura, abaixo da sua faixa etária, rouba-lhe no mínimo dois anos. Vem na boleia da garotada do 5.º ano que vai saindo da escola e o cabelo oxigenado distingue-o dos outros. A caracterização é uma defesa dos jovens dos lares da Casa Pia.
Testemunha principal
José é a testemunha principal de mais um escândalo de abusos sexuais a jovens da instituição e já prestou depoimento no Ministério Público.
José está de castigo. Foi assim, aliás, desde que nasceu. Faz parte de um grupo de rapazes do Lar Cruz Filipe que no último ano anda fora dos eixos. O lar pertence a Santa Catarina, colado ao Instituto Jacob Rodrigues Pereira, que se dedica à educação de jovens surdos e também à de alunos com dificuldades de aprendizagem.
Os rapazes faltam às aulas sem que alguém os controle. Na Casa Pia, há décadas albergue de pedófilos nacionais e estrangeiros, mais uma vez ninguém soube ler os sinais de perigo que o grupo deixava. Com o carimbo de mau comportamento, um deles foi expulso por bater em Amândio Coutinho, antigo assessor da ex-directora do Instituto Jacob, Maria Augusta Amaral.
Outro rapaz está suspenso pelas mesmas razões, só que as agressões calharam a um professor. E há ainda um aluno que fugiu.
José, o mais novo, depois de ter feito rebentar um extintor, foi mudado de lar – deixando para trás Clemente, o irmão mais velho e a única bengala de afecto.
José desce a rampa da escola tagarelando com os outros colegas. A jornalista do SOL apenas lhe merece uns segundos de desconfiança. No café em frente, regala-se com uma tosta mista que acompanha com Coca-Cola.
Às primeiras perguntas, as fartas pestanas, como cortinas de um palco em desuso, protegem-lhe a vergonha. Aos poucos solta-se das amarras do medo e rebobina um filme mau. Conta que tudo começou no Verão, ainda tinha 13 anos. Com o irmão Clemente e o amigo deste, Renato, começou a frequentar um ateliê em Lisboa, onde trabalham vários artistas plásticos.
Renato, 16 anos, através de um educador do Lar Cruz Filipe, arranjara ali um gancho. O educador, Paulo R., a quem não compete a orientação profissional dos casapianos, transgredia as regras da casa.
No ateliê, José passa a ser presença frequente a partir das quatro da tarde. Aí vê o primeiro filme porno: «António, o patrão do Renato, tinha filmes num armário. Cheguei a ver um em que homens violavam mulheres e depois matavam-nas. Depois abusavam de homens e faziam-lhes o mesmo».
Foi o colega do lar quem um dia lhe disse: «O António gostava de curtir contigo». Aos poucos, o homem foi avançando. José solta as lágrimas: «Tocava-me na pilinha e dava-me tapas no rabo».
Decidiu comentar o caso com o educador, que assistia, sorrindo: «Respondeu-me que não tinha nada de mal, que ele era sempre assim». Às vezes, era «o mestre» (como também chamam a António) quem aparecia no lar Cruz Filipe.
A seguir ao jantar, enquanto a rapaziada via futebol, o mestre subia para a zona dos quartos com o educador e dirigia-se ao pequeno: «Anda, não queres dar uma quequinha?».
Um dia, foram convidados para uma festa no ateliê. A sorte do rapazito estava nas piores mãos. José tem o ‘selo’ da maioria dos casapianos: foi internado com o irmão no Instituto Jacob com apenas quatro anos. O pai, Alberto, trabalhava nas obras. A mãe, Maria, ganhava uns tostões fazendo limpezas. Ela tinha oito filhos e ele tantos que lhes perdera a conta. Em casa, quando o dinheiro falha, o álcool impera. O pai – que agora está preso por ter violado uma sobrinha de 13 anos da nova companheira – utilizava o cinto e tudo o que lhe viesse à mão para flagelar os garotos. A mãe, sempre em ajustes com a vida, denuncia o caso à polícia e o Tribunal de Menores coloca-os ao abrigo do Estado. Um mal pior.
Festa e violação no ateliê
José enrola a fala, os olhos claros ensombram-se à medida que empurra a história. Estava na festa, e nas traseiras do ateliê assam-se sardinhas. Havia muita gente importante, até políticos. Folheia uma revista da Casa Pia e reconhece alguns. Um é conhecido por 'avô' e outro conhece-o de o ver a comprar jornais no quiosque em Belém: «Dava-nos revistas, mas nunca me fez mal».
Entre as várias mesas na festa, uma era só destinada ao seu lar. Paulo R. e a educadora Sandra estavam com duas raparigas menores e com Manuel, um colega de José. Os mais velhos serviam as bebidas e ajudavam no fogareiro. Cantava-se o fado, quando o educador lhe disse para tomar um medicamento. O miúdo estranhou: «Mas depois vou ficar com sono». E ficou. Buprex é um analgésico para dores violentas e ao mesmo tempo um opiáceo. Não é aconselhável a menores de 18 anos e provoca perturbações do foro psicológico e confusão mental.
José tombava de sono e o educador, depois de contornar uma escultura que se encontra no início da escadaria, sobe com ele o primeiro lanço: «Fiquei logo no primeiro quarto. Para cima há mais dois». O miúdo acordou com o frio. Estava quase nu e um líquido espesso colado à pele fê-lo desconfiar. Chorou muito antes de descer. Doía-lhe o corpo e desabafou com o educador, que lhe respondeu: «Isso é do crescimento e de teres suado enquanto dormias».
Quando a festa acabou, António foi à rua despedir-se dos putos. Distribuiu um chocolate a cada um: «A mim deu-me dois, porque me tinha portado bem». Quando chegou ao lar e se despiu, uma mancha vermelha de sangue nas cuecas voltou a alarmá-lo. Insistiu com Paulo R., mas este não mostrava qualquer preocupação: «Se continuar, logo vamos ao médico».
Tempos depois acordou, mas desta vez foi a mão do educador que o roubou ao sono. Do quarto tinha acabado de sair Manuel, que também tinha estado na festa. José empinou-se e perguntou a Paulo R. o que fazia na sua cama. «Ele respondeu-me que estava só a descansar».
Falar com os mais velhos do grupo foi a tarefa mais espinhosa. O jardim em frente ao Instituto Jacob – onde antigamente os surdos esperavam diplomatas das embaixadas em volta, que a troco de transístores e outras bagatelas compravam os favores sexuais dos alunos – serve de miradouro. No horário das aulas, Renato e Clemente (amigo e irmão de José) queimam aí o tempo.
A aproximação é difícil. Clemente, a quem Paulo R., quebrando mais uma vez as regras, colocou em regime de voluntariado numa organização de solidariedade social das redondezas, não põe lá os pés há muito tempo.
Ao telefone, uma voz feminina reclama: «Tinha até já decidido ligar ao educador, porque foi ele quem fez o contrato, para lhe comunicar esta situação». Na Casa Pia, como se vê, o controlo é o mesmo de antigamente.
Passados uns dias, conseguimos chegar à fala com o adolescente. Tem 15 anos e carrega no olhar um profundo sofrimento. O carapuço da camisola cobre-lhe o rosto quase por inteiro. Sem olhar a interlocutora, demonstra um total desprezo pela vida: «Nunca fui feliz, nem serei».
As denúncias do irmão esbarram nas suas defesas: admite conhecer o ateliê, onde chegou a trabalhar, mas diz que estava sempre ao computador com Renato, com quem punha poemas e anedotas na internet. As palavras são controladas ao milímetro: «Se o meu irmão foi abusado, não vi. Já lhe disse que estava sempre ao computador».
Renato é ainda mais esquivo. Abordado quase em frente ao Lar Cruz Filipe, parece ter passado uma esponja pela memória. Mais um pouco e a carapaça ferida do jovem começava a mostrar a alma. Ao nome do político referido por José, descai-se: «Isto ainda vai dar uma grande bronca».
Mas o director do Instituto Jacob aparece de surpresa. Corta o diálogo e leva-o para dentro: «Desculpe, mas o Renato anda muito perturbado e eu tenho de o proteger».
A presença constante da jornalista do SOL, nas últimas semanas, acabou por abalar a instituição. O véu do silêncio é de novo estendido. Os alunos que falaram ficam debaixo de fogo. Nos dias seguintes, aparentemente, tudo entra na rotina. Renato volta às aulas e Clemente para o voluntariado. «Estamos proibidos de falar consigo», respondem, por telemóvel. No lar, a jornalista do SOL torna-se o inimigo a abater.
Mas há sempre alguém que não dorme: foram funcionários da Casa Pia quem, há pouco mais de um ano, começou a suspeitar do comportamento de Carlos, um aluno semi-interno. O jovem saiu da instituição quando atingiu a maioridade.
Antes disso, gabava-se que não precisava que lhe arranjassem emprego, pois na casa dos artistas conhecera gente importante que lhe assegurava o pão. Até já jantara com o político – aquele que José refere como o homem que compra revistas no quiosque de Belém.
Carlos está com 19 anos, tem pouco mais de um metro e 50 e ninguém lhe dá a idade que tem. Parece um adolescente. Filho de mãe alcoólica, muitas vezes faltava às aulas com o pretexto de lhe dar apoio. Tinha repentes de mau génio. Se algum funcionário lhe tentava travar o passo quando ele queria sair, logo ameaçava: «Não sabe com quem se mete. Olhe que conheço gente muito importante». Agora, trabalha há um mês numa papelaria, tem uma Honda CBR e está a tirar a carta de condução.
Carlos diz ter conhecido os artistas plásticos do ateliê através de um ex-casapiano, amigo de Paulo R., que também lá vive. No que diz respeito a festas, foi a muitas, mas nada viu de anormal: «São gays, nós até gozamos com eles, mas são boas pessoas». Inquirido sobre o jantar com o político de renome, arranja desculpa mal amanhada: «Conheci-o no ateliê, mas nunca fui jantar com ele, nem a minha namorada deixava!».
«Eu gostava do Paulo R.»
Piores recordações guarda Manuel, 16 anos, colega de José. Sai do Instituto Jacob em direcção ao Lar Cruz Filipe. Tem um ar compenetrado e sério, que perde na abordagem. O terror domina-o: «É jornalista ou polícia?». Acalma-se aos poucos. No café, atira-se a chocolates: são parecidos aos que lhe oferecia o mestre António no ateliê.
Nesse dia – já depois de José ter falado no Ministério Público – Paulo R. já tinha sido suspenso do lar. Quando a jornalista lhe dá a notícia, ia acabando com a conversa: «Fogo! Não pode ser. Era o meu educador de referência, tinham-me dito que estava de baixa. Eu não gostava do mestre, mas gostava do Paulo R.».
Foi o educador quem o levou a primeira vez à vivenda do mestre: «Estava lá um homem velho, subi as escadas e, no quarto, meteu-me a pilinha na boca e fez-me o mesmo que fez ao José. Mas o Paulo R. não me lembro de me ter feito maldades».
Os minutos saltam sem que lhe saia palavra. O corpo treme ao menor ruído, o olhar percorre desconfiado quem passa. Tem um profundo distúrbio emocional e é medicamentado. É o regresso ao passado que o ajusta à realidade.
Dos pais nada sabe, ou não quer saber. Manuel vivia com a avó antes de entrar na Casa Pia. Entrou para o Lar Cruz Filipe em 1999, ano da sua inauguração. Nas férias, os alunos de S.Marçal, lar de surdos no Bairro Alto, juntavam-se no novo lar ou em colónias de férias.
Paulo R., colega de curso de um irmão - que também trabalhou no instituto - de Amândio Coutinho, assessor da anterior directora do Instituto Jacob, fora colocado como educador no lar dos surdos, quatro anos antes. No Jacob, dizia-se à boca cheia que era o educador preferido da directora. Sem concluir os estudos como animador cultural, rapidamente chega a coordenador do lar.
Nessa altura, era protegido de Paulo R. o monitor Arlindo Teotónio - que vai ser julgado no final deste mês por abusos a raparigas e a jovens surdos, um dos quais foi também abusado por Carlos Silvino (arguido no primeiro processo).
Manuel conta que conheceu este deficiente auditivo durante as férias. E com ele esteve noutras casas. De repente, entra num discurso compulsivo, que permite completar o puzzle.
Tudo continua
Os mistérios da casa dos horrores não tiveram fim e, mesmo após o escândalo que desde 2002 deixou o país em transe, o crime repete-se às escâncaras. Pelo seu relato, percebe-se que também Manuel não escapou ao ‘comércio’ que Carlos Silvino mantinha com os seus clientes.
Na carrinha branca da Casa Pia (que Silvino usou até ser expulso da instituição), Manuel conta que chegou a ser levado a um apartamento na rua do Funchal, em Lisboa. Na casa, estavam cinco homens: «Mas foi só o mestre que me fez mal». No regresso, vinha sozinho. Não tinha passe: «Eles davam-me dinheiro e eu apanhava o eléctrico até Belém».Questionado se quer agora participar esses abusos às autoridades, Manuel escreve isso mesmo numa folha de papel.
Segundo o SOL apurou, o educador Paulo R. chegou a ser ouvido no decurso da investigação de abusos sexuais que envolve apenas alunos do Instituto Jacob. A ex-directora, Maria Augusta Amaral, transferiu-o então para o Lar Cruz Filipe.
Ou as crianças mentem ou o crime continua. Apenas os rostos e os cenários mudaram. Ao contrário do que disse Joaquina Madeira, a nova responsável da Casa Pia, este é, de facto, um problema nacional."
Ah... e da minha parte
PROMISCUIDADE, CORRUPÇÃO, PEDÓFILIA E... O DIABO QUE OS CARREGUE A TODOS!!!
...
Investigação feita, encontrei várias páginas pertinentes, uma das quais me chamou a atenção (ajuizarão os caríssimos leitores porquê!!!).
Senão vejamos:
Por denúncia de um elemento daquela fundação, Ferro Rodrigues, que a nomeou para aquele cargo e onde aquela senhora se manteve até 2001, mandou realizar uma auditoria à mesma - Processo 75/96 -, que pode ser lido aqui, que culminou na demissão dos órgãos do Conselho de Administração daquela fundação, como o pode comprovar a sua leitura atenta e paciente, dada a extensão do mesmo.
Depois de o ler, fiquei indignada!!
Como é possível tanta promiscuidade neste País?!
Como é possível que, após apurados os factos - gestão danosa, corrupção activa e passiva, dolo, não obediência à lei (por alteração dos estatutos de uma instituição vinculada à tutela!), se possa só ficar pela demissão daqueles senhores, sem qualquer outra sanção ou penalização judicial?!!!
Não quero com isto dizer que todos os intervenientes naquela Fundação, sobretudo a Dra. Joaquina Madeira, tenha culpa… culpa tem quem a nomeou como vogal fiscal de uma instituição complexa, como aquela, sabendo que não tinha competência para o desempenho do cargo.
Estas situações, como sabemos, já são tão vulgares que até já as aceitamos como naturais?!!!!
Contudo, o que aqui pretendo realçar é o facto de, apesar de naturais e aceitáveis (?), com a máscara da solidariedade e apoio social, se consiga ter estômago para, em proveito próprio e enriquecendo com tais actos (!), se usarem os direitos das crianças desfavorecidas, ultrapassando a legislação para benefício próprio!!!!!
Bem... E depois de alguns anos, essa mesma dita senhora é nomeada, NOVAMENTE (?!), e sem ter sido sequer "beliscada" pelo seu desempenho anterior (onde não fez nada porque não percebia de fiscalidade!!), para outro cargo numa Instituição de solidariedade (tendo compactuado anteriormente de forma semelhante, porque mesmo não tendo competência para o exercício das funções que lhe foram atribuídas, ACEITOU AÍ PERMANECER!!!), dizia eu, é novamente nomeada para ocupar um cargo noutra Instituição de solidariedade social – PRESIDENTE DA CASA PIA(!!) - e POR OUTRO MINISTRO DO MESMO PARTIDO!!!!!
Aqui também não sabia de nada, não tinha visto ou analisado indícios da reincidência de abusos sexuais a crianças daquela instutuição.
Contudo a Dra. Catalina Pestana deve ter trocado as voltas ao baralho e deu as cartas de outra maneira. De tal forma que, algum tempo depois da sua recente entrevista ao Jornal Sol, já se encontraram indícios (mas são só indícios!... não se provou nada ainda!... segundo declarações daquela senhora proferidas na Grande Entrevista da RTP1, conduzida pela jornalista Judite de Sousa) e até se instauraram processos disciplinares e a suspensão de funções a funcionários de um colégio que funciona na dependência da Casa Pia.
Ora, perante estes indícios, e perante tanta falta de competência desta senhora, no mínimo, deveria ser demitida e, no máximo, JAMAIS deveria ocupar qualquer outro cargo em parte alguma desta nossa terra.
Grito.
SÃO TODOS UMA CAMBADA DE OPORTUNISTAS!!!!!
QUE O DIABO OS CARREGUE PARA BEM LONGE!!!!
DEVIAM TER SIDO TODOS DEMITIDOS!!!
TÊM DE SER TODOS DEMITIDOS!!!
Ah!.. E os restantes, que todos conhecem e sabem quem são, também podem ir…
A República Portuguesa e a Casa Pia
...
Com este post começa uma campanha. Sim, uma campanha, que vai ser sistemática e permanente, duradoura e incómoda, de ou vai ou racha, para não deixar que o caso Casa Pia fique em águas de bacalhau.
Nesta campanha, vou apelar, ao Presidente da República, esmolar, exigir, chatear, solicitar, requerer, implorar. Vou também responsabilizar o Presidente da República por que se faça justiça no caso Casa Pia.
Porquê ao Presidente?
Porque se está a caminho de o abafar o caso Casa Pia
Porque já não há imprensa livre nem oposição que não o deixem adormecer
Porque é o mais hediondo crime cometido em Portugal durante a minha vida
E também - last but not least - porque o mais culpado dos réus no caso Casa Pia é a República Portuguesa.
Foi a República Portuguesa que tirou crianças de casa, supostamente porque tinham situações familiares más, para as meter naquele inferno.
Foi a República Portuguesa que permitiu que se montasse na Casa Pia aquele inferno
Foi a República Portuguesa que permitiu que nela se mantivesse aquele inferno
Foi a República Portuguesa, através daquele Ministro e daquele Secretário de Estado que geriu a Casa Pia e permitiu que se instalasse nela uma aberrante e hedionda máquina de pedofilia e de tráfego sexual de crianças.
Foi a República Portuguesa, através do seu Parlamento que acabou de legislar alterações aos Códigos que dificultam que se faça justiça no caso Casa Pia e foi o mesmo Parlamento que recebeu em triunfo o inacreditável Pedroso.
É a República Portuguesa, com o seu Tribunal e a sua Juíza tíbia que se prepara para branquear os crimes e os criminosos do caso Casa Pia.
O Presidente da República é o presidente da ré.
Não pode deixar de fazer tudo o que estiver ao seu alcance - e é muito o que está ao seu alcance - para não permitir que se consuma o branqueamento do caso Casa Pia.»





