Sempre contigo e para ti!
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Pepa:
Há palavras que só dizemos a pessoas muito especiais, que amamos muito, mas as palavras são relativamente fáceis de pronunciar, mas demonstrar esse amor incondicional, de uma forma que te faça sentir melhor, não é uma tarefa tão acessível.
Lembro-me da sensação única de te pegar ao colo, um mar de emoções, fortes, intensas, lindo demais.
Tentei acompanhar-te sempre, pegar-te ao colo e amparar-te, no meio do mar revolto que foi, e é a minha vida. Nunca sabemos se estamos a fazer o melhor, ou da melhor maneira, vamos fazendo com todo o amor. Amor esse único, amor de Mãe!
Ontem acordar com a tua sombra na penumbra do meu quarto, o teu cheiro, aí senti-te.
Foi mesmo bom acordar com esse teu cheiro e doce, acordar com as tuas festas.
A distância é difícil de gerir, fazes-me muita falta, até a cinza que vais espalhando com essa profunda falta de jeito para fumares, terá sido pelos anos de criticas durante a infância cheia do fumo do meu SG filtro?
Mas estou e estarei sempre contigo, o tempo voou depressa demais, cresceste num ápice, queria que voltasses a caber nos meus joelhos, onde sorrias com um olhar atento, sereno e feliz!
Apenas uns kms nos separam, não exijas tanto de ti, caminha devagar, enche o peito de ar, junto ao mar, deixa-te embalar pelo maior desejo que tenho na vida, é que tu e a Mana sejam felizes. Vive um dia de cada vez, tenta procurar a força do mar, o brilho do sol, espreita a beleza da lua, não deixes que gente mesquinha te amarrote, és nova, tens um caminho na frente a percorrer.
Tens muita gente que te ama e que te quer ver feliz, esquece algumas pessoas que infelizmente todos “levamos” com elas, no fundo o que as move é a inveja, por nós nos movermos por outros valores e princípios.
Sentada aqui no jardim, sonho que uma estrela cheia de magia me invada e inspire, para que tu sintas todo o meu amor, toda a minha força, para que sintas mais forte!
Com todo o meu amor.
Beijo grande
Mãe
Para ti Chica!
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Com um grande beijo da Mãe, pelo que és e pelo que lutas por ser melhor ser humano!
Parabéns Chica, 18 anos!
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Parece que foi ontem, mas é sempre assim, não nos damos conta do tempo passar por nós, e sobretudo pelos filhos.Nasceste antes do tempo, apressada, minúscula, com problemas tubos e angústias. Foi um primeiro mês duro, não comias, emagrecias, enfim uns dias longos!
Eras muito pequena, mas nasceste com uns pulmões, que a casa ia abaixo. Dormias o dia todo, fazias os encantos das visitas. Que querida, bonita, sossegada!
Berravas a noite toda, era um desespero, as horas passavam, e tu nada, olho aberto, desperta como se fossem sete da manhã.
Eras um bebé lindo de morrer, careca, sorridente!
Fazias asneiras a torto e a direito, fizeste tudo cedo, sentar, andar e falar.
Falavas tão bem que impressionavas toda a gente, portantos! Dizias tu desmultiplicando-te em gestos, fazias o encanto do teu Avô.
Limpaste tão bem o meu telemóvel com ajax, que ele ficou limpo de vez, amei ver-te crescer! Mesmo Filha!
Passamos tempos complicados as duas, aqui no Porto! Tirando o teu acordar, e alguns dias mais irritadiços…
Queria dar-te os parabéns pelos teus 18 anos Chi!
E dizer-te que és uma das minhas melhores amigas, que és uma excelente companhia, tens um carácter, uma postura de uma honestidade emocional e intelectual fora de série, és um amor de Filha!
O resto já tu sabes querida!
Tenho muito orgulho em ti!
Amo-te Querida Chi, meu Peixinho do Mar!
Violência Doméstica
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Fonte: Diário de Notícias“Violência doméstica já matou mais este ano
CÉU NEVES e RODRIGO CABRITA
Balanço. Observatório regista 31 homicídios conjugais em 2008 e 23 em 2007A detenção, ontem, de um homem em Oliveira do Bairro, que ameaçou a esposa com uma caçadeira durante uma discussão eleva para 35 as tentativas de homicídio ocorridas este ano na área da violência doméstica. E, em mais 31 casos, essas tentativas foram concretizadas, o que faz com que já existam mais oito vítimas mortais até Agosto deste ano do que em 2007.
"Um retrocesso" que Artemisa Coimbra, responsável pelo Observatório de Mulheres Assassinadas, tem dificuldade em explicar, até porque o ano passado o número de vítimas mortais tinha baixado para as 23 (39 em 2006 e outras tantas em 2005). E questiona a relação que poderá existir entre a crise económica e os homicídios conjugais, lembrando o ditado popular: "Em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão!"
É que muitas das vítimas e dos agressores estavam desempregados quando ocorreu o homicídio. E, este ano, não se verifica uma maioria de homicídios conjugais nos meses de Julho e Agosto, meses de férias, como nos dois anos anteriores, o que reforça a tese de que o desemprego terá contribuído para um aumento de vítimas mortais.
Os dados dos primeiros oito meses de 2008 indicam que as vítimas de violência doméstica e os agressores são cada vez mais novos, quando nos anos anteriores as idades etárias se situavam claramente acima dos 50 anos. E, além das mulheres continuarem a ser vítimas dos maridos e companheiros ou "ex", estão a sê-lo cada vez mais dos namorados ou "ex". Os homens não aceitam um pedido de divórcio, a maioria dos casos, o fim da união ou do namoro.
Os dados do Observatório, estrutura criada pela UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta), são contabilizados a partir dos casos divulgados na imprensa. Números que para Elza Pais, presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG), devem ser vistos com cautela. Mas, acrescenta, os estudos que fez em 1996 comparados com registos de 2006 mostram que a violência doméstica "está a ser mais violenta, mais grave", o que é motivo de preocupação, além de que agora há uma maior visibilidade das situações.
A percentagem de homicídios conjugais entre os homicídios em julgamento aumentou de 15% para 16% em dez anos. "Estamos a apostar na prevenção e vamos realizar uma campanha nacional em Novembro 'Contra a violência no namoro'. E também estamos a preparar um concurso nas escolas secundárias para os jovens trabalharem esta temática", anuncia Elza Pais.”
Amores de Criança!
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Muita gente passa pela nossa vida, conhecemos muita gente, na família, fora da família, amigos dos nossos Pais, pessoas no colégio, no liceu, enfim um mar de gente.
No meio dessa gente toda, há gente que nos marca muito, que nos toca, são os amores de Criança, que nos acompanham pela vida fora, no bom e no mau.
Pessoas que se distinguiram no meio de muitas, e que em determinada fase foram capazes de nos ajudarem, de nos fazer ver aquilo que estava à nossa frente, e outras Especiais que sempre estiverem por perto, que nos deram uma atenção especial, no bom e no mau, que nos souberam amparar, assim como ralhar, chamar a atenção, no fundo, cortando caminho, que pura e simplesmente nos amaram, cuidaram de nós!
Algumas dessas pessoas infelizmente já partiram, perdas que ainda hoje me doem!
Uma dessas pessoas está doente, fui com ela ao hospital, nas últimas semanas, custou-me muito.
Ver aquela Senhora entrar naquele corredor, que comprido me pareceu, quanta dor naquele rosto, quanta incerteza…
Pareceu-me tão frágil, tão triste, alguns corredores de alguns hospitais mais parecem corredores para a morte, para quem os percorre e para quem fica cá fora à espera.
Mas quem é Especial, é-o sempre, virou-se para trás, mandou-me um beijo e um sorriso.
Que bonito sorriso! Que coragem!
Andamos por aqui tantas vezes a queixarmo-nos de tudo e de todos, e quando passamos por estes momentos, de repente lembramo-nos de quem realmente somos, e de quem nos tanto nos inspirou!
Ainda há quem diga que não havia ditadura...
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Etiquetas: Direitos humanos, Família, Sem comentários, Via mailO Cancro
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Uma? Não, a de toda essa família!
As alternativas para te combater, são sempre dolorosas, implicam imenso sofrimento para alguém que já condenaste à morte, seja a morte física, seja ao imenso desespero dos enjoos, dores, cansaços, falta de forças…e tantas dores mais.
Quando entras na vida de alguém, nada volta a ser o mesmo! É uma espada sempre pronta a cair, a destruir, uma insegurança, entre os valores das análises de cada tratamento, entre o estado das veias, as queimaduras da radioterapia, enfim….
Chegamos à lua, chegamos a tanto lado, avançamos tanto…e tão pouco em relação a ti!
Há casos de sucesso, casos de isto e aquilo, mas não me calham esses.
Estou cansada de ti, farta de ti, sai desaparece!
Deixa de matar aos bocados, deixa de para além de roubares a vida, de roubares a dignidade.
És cobarde, cresces na sombra, apoderas-te de cada bocado de corpo, apoderas-te do sorriso, da força, levas tudo, deixas um rasto de dor e de cansaço.
Aparentemente o prazo que dás é de cinco anos, mas no fundo apareces e desapareces quando bem te apetece.
E afinal ao fim de tantos anos, o que realmente sabemos de ti?
Pouco, ou quase nada, aprendemos a empatar-te um bocado…
E tu continuas a roubar-nos aqueles que mais amamos!
A matá-los aos bocados, a fazê-los sofrer, e a nós a assistirmos impotentes, para fazer seja o que for.
Maldito sejas!
Criatividade em NY by Ricardo
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O meu sobrinho Ricardo, que se encontra em Nova York, realizou um pequeno filme “7200 Anos-Luz”, e foi convidado para o submeter ao festival aniBoom online.
Neste momento encontra-se na 7ª posição, mas tem fortes hipóteses de vencer o concurso.
Para participar só são necessários uns breves minutos, fazendo a respectiva inscrição na página, no sentido de votar e comentar.
Os votos são atribuídos nas “bombinhas” e o número de comentários ilimitado, cada pessoa pode comentar as vezes que quiser.
Como considerei o trabalho de excelente criatividade, embora a minha opinião seja suspeita, deixo-vos o vídeo para que o apreciem, pedindo a vossa colaboração na votação do mesmo.
Agradeço a todos a atenção que lhe possam dispensar.
Muito obrigado.
Maria
Tio Chico
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Hoje faz mais um ano que o meu Tio “morreu”, e já passaram muitos desde 1980.Certamente alguns irão lembrar-se, dá-lhes jeito.
Haverá seguramente algumas referências, talvez até uma reportagem, uma missa mandada rezar pelo PSD, enfim a mesma tristeza que assistimos há muitos anos!
Pensei em colocar um vídeo, fazer um vídeo, pôr algumas fotografias que adoro, mas cheguei à conclusão que neste país nem o PSD se interessou pela verdade, que o Prof. Freitas do Amaral durante 28 anos não teve tempo de escrever o tal “livro” que revela, segundo ele, a verdade do telegrama desaparecido, que apesar de já ter visto e revisto imensos vídeos da época, nada me faz entender onde estão aqueles milhões de pessoas comovidas, pesarosas e tristes no enterro do meu Tio.
O que é feito de Portugal Nação?
O que é feito da gente boa deste país?
Recordo assim as palavras do meu Tio a caminho da Av. Dos Aliados, ao som dos gritos, aplausos de tanta tanta gente.
"Maria isto não é nada, se amanha eu sair da política, ninguém se vai lembrar de mim… "
Dava-me a mão na rua, mão entrelaçada na mão, ensinou-me a amar, a acreditar.
Tu/em Mim
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Será isso ou apenas tentas curar-te em mim?
Usas-me como eu fosse um espelho,
Inventas histórias semelhantes às minhas.
Se choro, choras também,
Se rio, cobras-me o riso.
Se sopro, sopras por tabela,
Se te amo, amas-me mais.
Queres que afinal seja quem?
Será que apenas queres ser eu em ti?
Usufruis da minha força, mas apoderas-te dela,
Inventas-te em mim, para teres vida própria.
Vive por ti, e não através de mim,
Nunca te escondi a minha solidão.
Sou um bicho-do-mato, uma concha fechada,
Não te apoderes de mim, eu sou do mundo!
Crescer
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Este texto é dedicado à Margarida, não à Magi, não à Guida, não a esses n “nomes” que a famelga te trata, mas sim à Margarida Mulher.
Este ano da tua vida foi um ano de loucos, de desencontros, de rupturas, de decisões, de partidas forçadas de uns, mais ou menos naturais de outros, de mudanças e revoluções, sem falar de alguns acontecimentos graves, como o do dia 1.
Quero dizer-te que me surpreendeste muito, que ultrapassaste muito as minhas expectativas, nem sequer em sonhos, te julguei ver tão bem.
O sofrimento de infância e de adolescência, só ambas sabemos o que foi, a maioria nem acredita, é mais fácil para todos…
Muitos por falta de coragem, outros por egoísmo, e alguns por hipocrisia, enfim que se lixem todos!
Queria dizer-te que me orgulho muito de ti, que estes meses foram uma lição para mim, ver-te crescer, amadurecer, tiveste a coragem para parar, pensar, e assumir-te. Pouca gente consegue inverter um ciclo tão mau de correntes, amarras, vícios, sinto-me e sentirei sempre culpada por não te ter ajudado mais cedo.
Sabes, ver-te sorrir, dançar, trabalhar, lutar é para mim uma enorme alegria, orgulho e incentivo para eu também lutar por aquilo de mais verdadeiro que tenho dentro de mim.
Todos temos um caminho longo e às vezes muito doloroso para a verdade e a essência que há em nós.
O teu sorriso dá-me paz, segurança, do fundo do coração, o meu abraço para todo o resto dos nossos dias.
Adoro-te
Redacção de um aluno do Ensino Básico
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Pediu aos seus alunos do 3º ano, que fizessem uma redacção sobre o que gostariam que Deus fizesse por eles.
Ao fim da tarde, quando corrigia as redacções, leu uma que a deixou muito emocionada.
O marido que, nesse momento, acabava de entrar, viu-a a chorar e perguntou:
- 'O que é que aconteceu?!'
Ela respondeu:
- 'Lê isto...'
Era a redacção de um aluno.
* Senhor, esta noite peço-te algo especial: transforma-me num televisor.
Quero ocupar o lugar dele.
Viver como vive a TV da minha casa.
Ter um lugar especial para mim, e reunir a minha família à volta...
Ser levado a sério quando falo...
Quero ser o centro das atenções e ser escutado sem interrupções nem perguntas.
Quero receber o mesmo cuidado especial que a TV recebe quando não funciona.
E ter a companhia do meu pai quando ele chega a casa, mesmo quando está cansado. E que a minha mãe me procure quando estiver sozinha e aborrecida, em vez de me ignorar. E ainda,que os meus irmãos lutem e se batam para estar comigo.
Quero sentir que a minha família deixa tudo de lado, de vez em quando, para passar alguns momentos comigo.
E, por fim, faz com que eu possa diverti-los a todos.
Senhor, não te peço muito... Só quero viver o que vive qualquer televisor.**
Naquele momento, o marido de Ana Maria disse:
- 'Meu Deus, coitado desse miúdo! Que pais!'
Ela olhou-o e respondeu:
- 'Essa redacção é do nosso filho...'
O arco-íris
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Sabia que já não estavas lá, mas tinha tantas saudades tuas, uma viagem maçadora e comprida, quando entrei nas rectas já perto de casa, senti uma esperança, o meu coração batia mais depressa, até que a casa, surgiu na minha frente.
Tive que parar, perante uma das imagens mais lindas que me deparei na vida. Por cima da tua casa estava sol, e tu em forma de arco-íris.
O único sitio onde o sol batia, o único sítio iluminado, brilhante era o teu sítio.
Fiquei presa, perdida num sorriso rasgado, mas ao mesmo tempo as lágrimas caíam, sem pedir licença, rolavam pela minha cara.
Reconheço que tive esperança, ao abrir a porta, e de te ver com o teu sorriso aberto, o teu olhar límpido, brilhante, e as tuas palavras mágicas:
Olá Meu Amor!
De facto esperei anos para te reencontrar, mas o nosso reencontro aconteceu, claro que nesse dia não estavas lá, tinhas abalado. Mas aprendi nesse momento que apesar do desgosto, das saudades, estás dentro de mim, vives comigo, e fazes-me boa companhia.
Continuo como dizias a ser uma poeta, mais recatada, as brancas vão aparecendo, mas poeta nos meus sonhos, nas lágrimas que tantas vezes não consigo conter, mas já não desespero por ti.
Aprendo a viver com a dor, com as saudades, busco por mim, e procuro manter unido o que me pediste, não só para te honrar, mas porque preciso da minha, apesar de micro, família.
O Medo
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Pedes-me que te esqueça, que não me deixe ir…então porque não me deixas em paz! Deixa-me dormir!
Já não quero um mar de rosas, apenas quero paz!
Basta-me um sorriso, ou não, basta-me uma tarde de calma, ou não, mas guerra, ciúmes, inveja…foram guerras de mais, não digas que não, foram sim.
Ideias circulares, guerras sem sentido, de tanta gente que já se encontrava na fila para partir, de nada adiantou, apenas dor sem sentido.
Será assim tão difícil deixar cair os sonhos grandes demais, para ter uma vida tranquila, pequena na ambição e grande na dimensão humana.
Ninguém muda de facto, mas é possível crescer, é possível deixar de manipular, de chantagear os que amamos, transformar a dor interior num sorriso, num projecto de dimensão caseira, onde no nosso silêncio da noite em vez de sonharmos em vencer os mortos, vivamos a esperança em lidar com os vivos.
Nunca pensei que pudesses lavar aquela panela de arroz, que me desses um abraço, que gabasses as minhas bricolages… se soubesses como me tocaste!
Pareço ridícula eu sei, mas não sou! Sou capaz de amar para além do que muita gente sequer sonha que existe.
Levei muitos anos a acreditar nisto, ouvi-o de mil e formas, mas não fui capaz nem de aceitar nem de o reconhecer, mas quando te vi lavar a panela, fez-se luz, ajudei-te a crescer, ajudei-te a seres melhor!
Confortou-me a imagem, confortou-me o teu sorriso, a tua conversa com a panela que ficou a brilhar!
Parece que finalmente já não me odeias, já me toleras, e já sabes viver com a minha presença na tua vida.
Ainda bem, sabes preciso de ti!
Um Exemplo para muitas mães e pais, (desses de letra pequena)
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Um exemplo a seguir para muitas mulheres e homens... alguns nunca deveriam ter filhos.
Uma extensa e profunda luta
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25 de Novembro
Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres
Em 1948 é adoptada e proclamada, pela Assembleia Geral das Nações Unidas na sua Resolução 217A (III), a Declaração Universal dos Direitos do Homem, mas apenas na década de 90 a Onu começa a dar relevância às preocupações sobre a violência contra as mulheres.
Portugal também despertou para esta realidade, criando-se a Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres. Em 1994 a Universidade Católica organiza um Seminário sobre Direitos Humanos, no qual Marta Santos Pais enfoca a violência contra as mulheres relembrando que "a violência contra a mulher é reconhecida como uma manifestação da desigualdade histórica da relação de poder entre sexos, da tradicional concepção de subordinação e de inferioridade da mulher face ao homem, em suma como uma forma de discriminação", realçou neste contexto, a motivação da acção das Nações Unidas na defesa dos direitos da mulher:
"— o VIII Congresso das Nações Unidas para a Prevenção do Crime e o Tratamento dos Delinquentes aprova, em Setembro de 1990, uma Resolução sobre a Violência Doméstica;
— em 1992, o Comité para a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres adopta uma Recomendação sobre Violência contra as Mulheres, no quadro da aplicação da Convenção de 1979 (Recomendação 19);
— em Junho de 1993, a Conferência Mundial de Direitos Humanos, segunda na história das Nações Unidas, sublinha a importância de estudar e eliminar as situações de violência contra as Mulheres, que qualifica de contrárias à dignidade e ao valor da pessoa humana (parágrafo 18);
— em Dezembro de 1993, a assembleia geral aprova, sob proposta inicial da Comissão sobre o Estatuto da Mulher, uma Declaração sobre a Eliminação da Violência contra as Mulheres (Resolução 48/104);
— e no início deste mês a Comissão de Direitos Humanos, reunida em Genebra, decide estabelecer um Relator Especial sobre violência contra as Mulheres, incluindo as suas causas e consequências (Resolução 1994/45)".
A 15 de Setembro de 1995 foi adoptada, pela Quarta Conferência Mundial sobre as Mulheres, uma Declaração (de Pequim) de Acção para Igualdade, Desenvolvimento e Paz, sobre a violência contra as mulheres, da qual se destacam os seguintes compromissos:
Geral - Prevenir, investigar e castigar actos de violência contra as mulheres cometidos pelo Estado ou por particulares
Cultura, mudança de mentalidade - Adoptar medidas, especialmente no âmbito da educação, para modificar os modelos de conduta das mulheres e dos homens, eliminar o assédio sexual e outras práticas e preconceitos baseados na ideia de inferioridade ou superioridade de um dos sexos.
Recursos financeiros - Garantir recursos suficientes no orçamento do Estado e mobilizar recursos comunitários para actividades relacionadas com a eliminação da violência contra as mulheres.
Mudanças na legislação - Introduzir sanções penais, civis, trabalhistas e administrativas com a finalidade de castigar os agressores e reparar danos causados às mulheres e às meninas por qualquer tipo de violência, no lar, no local de trabalho, na comunidade ou sociedade e revisar, periodicamente, a legislação para assegurar sua eficácia, enfatizando a prevenção.
Mulheres em situação de vulnerabilidade - Adoptar medidas especiais para eliminar a violência contra as mulheres especialmente as jovens, as refugiadas, as portadoras de necessidades especiais e as trabalhadoras migrantes.
Coerção de mulheres e meninas - Abordar as origens do tráfico para fins de prostituição e outras formas de sexo comercializado, bem como os matrimónios e o trabalho forçado e castigar as(os) autoras(es) pela via penal e civil.
Posteriormente em 1999, a Organização Nações Unidas definiu oficialmente o dia 25 de Novembro como o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, sendo no entanto, a data relembrada desde 1960, quando os órgãos de segurança ligados ao ditador Rafael Trujillo, da República Dominicana, assassinaram barbaramente três irmãs - Patrícia, Minerva e Maria Teresa Mirabal - conhecidas como "Las mariposas" pelo seu activismo na luta contra a ditadura.
A coragem das mulheres em rasgar o silêncio dos abusos sofridos e presenciados, alerta cada vez mais para a superabundância das agressões, que o Conselho da Europa define como "qualquer acto, omissão ou conduta que serve para infligir sofrimentos físicos, sexuais ou mentais, directa ou indirectamente, por meio de enganos, ameaças, coacção ou qualquer outro meio, a qualquer mulher, e tendo por objectivo e como efeito intimidá-la, puni-la ou humilhá-la, ou mantê-la nos papéis estereotipados ligados ao seu sexo, ou recusar-lhe a dignidade humana, a autonomia sexual, a integridade física, mental e moral, ou abalar a sua segurança pessoal, o seu amor próprio ou a sua personalidade, ou diminuir as suas capacidades físicas ou intelectuais".
Esta é uma luta todos nós, em que as estratégias de combate à violência doméstica devem ter uma implementação eficaz tendo presente que a violência contra as mulheres é uma violação dos direitos humanos. Citando Kofi Annan:
"A Violência contra as Mulheres é talvez a mais vergonhosa violação dos direitos humanos. Não conhece fronteiras geográficas, culturais ou de riqueza. Enquanto se mantiver, não poderemos afirmar que fizemos verdadeiros progressos em direcção à igualdade, ao desenvolvimento e à paz".
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Links Úteis:
Associação Portuguesa de Apoio à Vítima
Guia de Recursos na área da Violência Doméstica
Violência Doméstica – uma iniciativa da Fundação da Juventude
Associação de Mulheres Contra a Violência
Protecção das Vítimas de Crimes Violentos
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Pós-texto: este post foi actualizado às 19:35
Para informar e... reflectir
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Recomendações de Fernando Castro, presidente da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN)
O Caso Esmeralda e o desrespeito pelos direitos das crianças
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Mesmo quando o Tribunal entende que os Estados violam os direitos dos pais biológicos, retirando indevidamente crianças da sua guarda, sem lhes dar a oportunidade de reunião familiar com o(a)s filho(a)s, tem sido jurisprudência uniforme do TEDH que os direitos parentais à companhia dos filhos não envolvem a desintegração das crianças da família afectiva em que foram acolhidas nem direitos de visita coercivos dos pais biológicos. Os direitos dos pais cessam quando começam os direitos da criança ao livre desenvolvimento, ao bem-estar psicológico e à estabilidade. Em relação aos filhos nascidos fora do casamento, para reconhecer direitos ao progenitor masculino, contra a decisão da mãe entregar a criança para adopção ou à guarda de terceiros, o Tribunal tem em conta a existência ou a ausência de uma relação afectiva com a mãe, assim como o apoio emocional e financeiro prestado a esta, durante a gravidez e o parto.
É que no direito europeu, que valoriza a dignidade das mulheres e das crianças, abandonar mulheres grávidas e recém-nascidos, em virtude das dúvidas quanto à paternidade, é uma atitude que não tem a cobertura dos Tribunais, nem é vista com a naturalidade e “compaixão”, com que os Tribunais portugueses, neste caso, a têm visto. No recente acórdão do Tribunal da Relação de Coimbra, o colectivo de juízes afirma que a mãe entregou a criança ao casal Luís Gomes e Adelina Lagarto, sem o consentimento do pai´biológico. Lê-se e é difícil acreditar! A mulher tinha que procurar o consentimento de alguém que se recusou a perfilhar na altura do nascimento - o registo de nascimento era omisso quanto à paternidade. O progenitor biológico na altura da entrega da criança era legalmente inexistente!!! Os tribunais protegem tanto a paternidade biológica, que até se referem a situações juridicamente impossíveis!




