Precisamos de Ti
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A Maria José encontra-se nesta terrível situação. Devido a um linfoma não hodgkin - com várias recidivas -, e sucessivas quimioterapias, a sua medula está seriamente danificada, o que impossibilita um autotransplante. Urge um dador compatível.
Porquê ser dador?
A transplantação de medula óssea é uma prática terapêutica reconhecida, que permite muitas vezes a cura de doenças graves e que podem ser frequentemente mortais.
Estas doenças são muito variadas e podem ocorrer quer em adultos quer em crianças. As mais frequentemente citadas são as leucemias, outras há como a aplasia medular, ou ainda algumas imunodeficiências primárias que se manifestam pouco tempo após o nascimento.
Para estas situações, muitas vezes a única esperança de vida é a transplantação de medula óssea com um dador idêntico.
Apesar da pesquisa de um dador compatível ser primeiramente orientada para os irmãos do doente, poucos são os casos de compatibilidade (1 em 4). Por isso, em muitos situações, a única esperança de cura é encontrada em dadores voluntários compatíveis com o doente.
Se a sua idade está compreendida entre 18 e 45 anos, se tem boa saúde e gostava de ser dador voluntário de medula, basta que transmita ao CEDACE ou aos Centros de Dadores a sua vontade.
Vai-lhe ser pedido o nome e a morada e irá receber um folheto informativo do processo e um pequeno questionário clínico que deverá preencher e devolver. Esse questionário vai ser depois avaliado por um médico e caso não haja nenhuma contra-indicação vai ser chamado para fazer uns testes.
Estes dados serão guardados numa base informática nacional e internacional e serão usados sempre que um doente nacional ou internacional seja proposto para transplantação de medula óssea.
Se o doente não tiver um dador familiar compatível é iniciada uma pesquisa aos registos de dadores. Assim que é identificado um potencial dador compatível, este é informado e, caso aceite, vai prosseguir o processo.
Nessa altura o dador vai ser chamado para fazer testes adicionais de compatibilidade, bem como uma nova avaliação para doenças virais que possa ter tido no espaço de tempo entre a inscrição e a chamada.
Se a avaliação de todos os resultados laboratoriais continuar a considerar o potencial dador como o mais indicado, este vai ser submetido a um exame médico completo e no qual onde pode ainda esclarecer quaisquer dúvidas que tenha sobre o processo de dádiva.
Nesta fase o dador deve estar absolutamente certo da sua decisão de fazer a doação e é-lhe então pedido para assinar um impresso de consentimento informado. A partir desse momento o doente começará a fazer a preparação para a dádiva de células de medula.
- Centro de Histocompatibilidade do Centro
Pcta Prof. Mota Pinto - Edf. São Jerónimo, 4º, Apartado 9041, 3001-301 Coimbra
Tel: 239480700/719 - Centro de Histocompatibilidade do Norte
Pavilhão "Maria Fernanda", Rua Roberto Frias, 4200-467 Porto
Telefone: 22 5573470 - Centro de Histocompatibilidade do Sul
Hospital Pulido Valente, Alameda das Linhas de Torres, 117, 1769-001 Lisboa
Telefone: 21 7504152
Fonte da imagem: SemCiência
Fonte das informações no texto: Blogue Precisamos de Ti e Centro de Histocompatibilidade do Sul
Ténue linha da Vida
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Helena, minha querida Amiga, estas palavras são para ti.
Há 25 anos que te conheço!
Não sei por onde começar, estou confusa com os últimos acontecimentos. Não estava a contar ver-te assim já sem forças, ainda “ontem”, há uma semana, estavas bem.
Ontem pareceu-me ouvir as tuas gargalhadas... Quantas vezes passavas horas a falar comigo, desabafando as tuas queixas da vida, tão injusta e dura, mas sempre com coragem de vencer as contrariedades.
Ai, minha cara amiga... Como a vida é tão injusta!
Agora, os teus olhos perderam o brilho que tantas vezes demonstravas ter nas tuas gargalhadas, na tua alegria e no optimismo que tinhas estampado no rosto e nesses olhos esverdeados.
Sofreste sempre ao lado de um homem, alcoolizado, que nunca te deu qualquer carinho, egoísta, que só te trouxe desgostos, que te agrediu, magoou e, durante todos estes anos não soube dar-te o que merecias e de quem, apesar de tudo, nunca quiseste separar-te, por pena e por vergonha.
Tudo fizeste para criar teus filhos, sozinha, com os parcos e míseros tostões que ganhavas ao serviço dos outros. Pelo menos, os teus filhos amam-te, acarinham-te, mimam-te.
Já não nos olhas de frente, com aquele teu habitual olhar limpo, tens medo de ver pena e comiseração nos nossos, pelo que estás a passar.
Ontem, à noite, quando vieste ter comigo ao Hospital, já não vi a luz daquele sorriso de outrora, este estava apagado... tive até a sensação que pairavas no ar e nem me vias à tua frente, caminhavas a meu lado, como se alguém te impelisse, empurrando-te por trás para te obrigar a avançar e a mover os pés um à frente do outro arrastando-os como que a tactear o caminho.
Até uma simples infecção urinária tinha que te chatear, nesta altura!
Não sabes nem imaginas como me senti.
Saber que dentro em breve vou ter de me despedir de ti porque esse mal te está a consumir, dói cá dentro e dói a todos os que gostam de ti.
Resignaste à tua sorte e ao teu destino... até nisso, o sofrimento de uma vida inteira já não te dá forças para te revoltares, para lutares mais ainda pela vida... fechaste-te ao Mundo, enfias-te entre as quatro paredes desse quarto, não queres ver ninguém.
Sabes que a linha entre a vida e a morte se aproxima, já te desenganaram... é tarde demais... não há nada a fazer.
Nunca pensaste que tal coisa te podia acontecer... pois... quem vive para os outros e em função dos outros, esquece-se de si próprio.
Porque te esqueceste assim de ti? Porque não estiveste atenta a essas dores que já te incomodavam há tanto tempo e não desconfiaste que essa ***** te estava a invadir? Porque não me disseste pelo menos o que estavas a sentir? Porque deixaste que isso te acontecesse? Sabes que podias contar comigo... eu estava aqui e tu nunca me disseste nada.
Não me querias incomodar!? Tudo teria feito para que não tivesses encontrado essa porta sem saída na qual te encontras agora. Sabes que tudo teria feito para te ajudar. Tudo teria feito. Nem vendo o exemplo da minha Mãe, cuidaste de ti!
Ai, minha amiga, sinto-me impotente para te ajudar como tanto gostaria e merecias.
Há quem diga que o nosso destino está traçado mas eu não sei se é bem assim. Podemos estar pré-destinados para tal, mas cabe-nos lutar sempre para o contrariar, pelo menos tentar.
Sei que, em breve, terei que me despedir de ti, mas custa-me aceitar isso, não quero... ainda é cedo... gosto muito de ti. Já tenho saudades das tuas gargalhadas.
Estás a passar aquela fase em que é preciso ordenar ideias e a energia que aí gastas derruba-te.
“Já não há remédio. Dentro em pouco irei. Ele... ele pouco me importa, mas os meus netos, os meus filhos! Vocês...”
Não vi revolta, apenas uma tristeza profunda, a resignação na inevitabilidade, do querer de Deus, como dizes.
Não consegui dizer nada... Apenas te abracei.
Hemocromatose - Petição
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Decorre uma Petição pelo "Dia Nacional da Hemocromatose" dirigida à Assembleia da República, que para além de advogar o reconhecimento legal do dia 7 de Junho para esta patologia apresenta:
Apelo ao vosso espírito de solidariedade, peço o favor de assinarem a Petição no endereço que a seguir indico: http://www.peticao.com.pt/hemocromatosea) Promover e desenvolver acções de consciencialização e de informação dirigidos à comunidade civil sensibilizando-a da importância para a prevenção e rastreio;b) Sensibilizar toda a classe médica, em particular o médico de família, para a importância do diagnóstico precoce;c) Sensibilizar as entidades públicas para a urgência de uma maior atenção à doença que detectada precocemente permite uma economia substancial em gastos com a saúde, nos internamentos, medicamentos e dias de trabalho.
Obrigada.
Nota: para mais informações sobre a Hemocromatose consulte o sítio da Associação Portuguesa de Hemocromatose – APH.
O Cancro
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Uma? Não, a de toda essa família!
As alternativas para te combater, são sempre dolorosas, implicam imenso sofrimento para alguém que já condenaste à morte, seja a morte física, seja ao imenso desespero dos enjoos, dores, cansaços, falta de forças…e tantas dores mais.
Quando entras na vida de alguém, nada volta a ser o mesmo! É uma espada sempre pronta a cair, a destruir, uma insegurança, entre os valores das análises de cada tratamento, entre o estado das veias, as queimaduras da radioterapia, enfim….
Chegamos à lua, chegamos a tanto lado, avançamos tanto…e tão pouco em relação a ti!
Há casos de sucesso, casos de isto e aquilo, mas não me calham esses.
Estou cansada de ti, farta de ti, sai desaparece!
Deixa de matar aos bocados, deixa de para além de roubares a vida, de roubares a dignidade.
És cobarde, cresces na sombra, apoderas-te de cada bocado de corpo, apoderas-te do sorriso, da força, levas tudo, deixas um rasto de dor e de cansaço.
Aparentemente o prazo que dás é de cinco anos, mas no fundo apareces e desapareces quando bem te apetece.
E afinal ao fim de tantos anos, o que realmente sabemos de ti?
Pouco, ou quase nada, aprendemos a empatar-te um bocado…
E tu continuas a roubar-nos aqueles que mais amamos!
A matá-los aos bocados, a fazê-los sofrer, e a nós a assistirmos impotentes, para fazer seja o que for.
Maldito sejas!
TEM – Associação Todos com a Esclerose Múltipla
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Em Braga, no dia 21 de Junho de 2008, um grupo de cidadãos com Esclerose Múltipla (EM) e alguns técnicos da área da saúde e familiares, decidiram constituir uma associação, TEM – Associação Todos com a Esclerose Múltipla, para intervir no distrito de Braga e, num futuro próximo, alargar o seu apoio a toda a região norte e finalmente a todo a país.
Tem como objectivos prioritários: Criar um Centro Multidisciplinar para Doenças Neurodegenerativas, em particular para a EM, podendo albergar outras doenças neurodegenerativas (Alzheimer, Parkinson, …), que pretende dar apoio aos doentes e familiares, privilegiando a multidisciplinaridade, assistida por todas as valências como a neurologia, enfermagem, psicologia, fisioterapia, terapia ocupacional, terapia da fala, apoio jurídico, etc. Pretende igualmente funcionar como centro de dia para os doentes, que por razões de saúde, já não tenham ocupação profissional.No dia 5 de Outubro de 2008, domingo, nós, a TEM, queríamos fazer dois espectáculos de solidariedade: um pelas 11h e o outro pelas 16h30, sendo o das 16h30 o que vai ter a presença das “ditas individualidades”. No dia seguinte far-se-á escritura e o porto de honra.
Consulte, comente e divulgue o blog da TEM pela sua lista de emails, e participe no concurso para a criação do logótipo da associação.
E todos os apoios são bem-vindos, nem que seja de 1 cêntimo ou uma folha de papel, neste momento temos um pouco mais do que nada.
Muito Obrigado.
Com os nossos melhores cumprimentos,
P’la comissão instaladora
Paulo Alexandre Pereira
Crianças: dialogar e informar é preciso
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Na Declaração dos Direitos da Criança, o Princípio 7.º diz-nos que “[…]Deve ser-lhe ministrada uma educação que promova a sua cultura e lhe permita, em condições de igualdade de oportunidades, desenvolver as suas aptidões mentais, o seu sentido de responsabilidade moral e social e tornar-se um membro útil à sociedade. O interesse superior da criança deve ser o princípio directivo de quem tem a responsabilidade da sua educação e orientação, responsabilidade essa que cabe, em primeiro lugar, aos seus pais. […]”, salientando claramente as práticas educativas que devem preparar a criança para o futuro.
Numa época em que a gravidez na adolescência dispara, em que o abuso sexual e a pedofilia estão na ordem do dia, considero importantíssima a educação sexual. Há um ano, precisamente no Dia Mundial da Criança, a RTP2 teve a feliz audácia de passar o filme pedagógico "Então é assim!” – uma co-produção dinamarquesa e canadiana, numa dobragem em português de Portugal – dirigido a crianças dos 7 aos 12 anos, que foca a sexualidade, a reprodução, o abuso sexual e também a afectividade, numa linguagem muito acessível às crianças.
Na altura estalou polémica, provavelmente hoje seria o mesmo, ficando provado que o problema não reside em falar de sexualidade às crianças, nem alertá-las para o abuso sexual. O problema reside sim nos adultos, quantas vezes "mal resolvidos", que preferem o prolongamento de metáforas enclausurando o diálogo, que pode conduzir tanto a falhas de comunicação como de desenvolvimento.
Se bem que o “Então é assim!” possa parecer exagerado e controverso, de certo que cabe aos adultos, contextualizar devidamente o seu visionamento pelas crianças. Assisti quando passou e já foi útil na minha família, pelo que o recomendo e aqui o reproduzo (via JPG, Apdeites):
Redes Sexuais
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A toque de Moscatel
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Ortorexia
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O objectivo dos ortorécticos é ingerirem alimentos que contribuam para o bom funcionamento do organismo e libertem o corpo e a mente de impurezas, para alcançarem um corpo saudável. Evitam tudo o que consideram patogénico e defendem que tudo tem de ser asséptico e estéril, porque pensam que a higiene e a pureza originam saúde. É um quadro, ou uma condição, que não se encontra definida academicamente, nem no DSM-IV ou mesmo no CID-10.
A evolução:
Segundo Steven Bratman, a doença começa, inocentemente, com o desejo de curar as doenças crónicas e de melhorar o estado de saúde. Requer, para tal, uma considerável autodisciplina e auto-controle, para adoptar uma “dieta” pretensamente saudável, que difere radicalmente dos hábitos alimentares adquiridos na infância e que nada têm a ver com o estilo de vida da sociedade ocidental e da cultura que os rodeia.
A ideologia seguida pelos ortorécticos leva a que, na procura de um corpo saudável, se elimine tudo o que é nefasto ou artificial, o que passa a ser uma preocupação central no seu dia-a-dia. Chegam a consumir diariamente apenas seis ou sete qualidades de alimentos, por repudiarem todos os produtos que acham menos puros, que impedem o alcance de um corpo saudável. Na procura da pureza alimentar, os indivíduos podem tornar-se muito restritivos em relação aos alimentos que escolhem para consumir. Por exemplo, evitam os alimentos que contêm sal, os que contêm açúcar, bem como aqueles que contenham corantes, conservantes, etc...
Desta forma, os indivíduos acabam por adoptar comportamentos nutricionais cada vez mais restritivos que podem levar à carência de determinados nutrientes, colocando a saúde destes indivíduos em risco. Com uma pequena variedade de alimentos, os ortorécticos acabam por ter dificuldade em satisfazerem as suas necessidades nutricionais. Embora o comportamento adoptado vise a obtenção de plena saúde, este pode acabar por levá-los ao oposto – a doença.
Com o tempo, a maior parte do dia dos ortorécticos é dedicado a planear, comprar, preparar e confeccionar os alimentos que vão consumir.
Dedicam, também, muito tempo ao acto de comer. É a chamada “espiritualidade da cozinha”.
A vida dos ortorécticos passa a ser dominada por esforços para resistir às tentações e quando um deslize é cometido, que pode passar pela ingestão de um biscoito ou uma fatia de pizza, eles têm que executar actos de penitência. Actos esses que envolvem dietas ainda mais rigorosas e jejuns.
A idealização de um estado de saúde perfeito faz com que se tornem obsessivos.
Esta característica da Ortorexia apresenta semelhanças com dois bem conhecidos distúrbios alimentares: a Anorexia Nervosa e a Bulimia Nervosa.
Não foi ao acaso que a palavra foi escolhida pelo autor.
Enquanto os anorécticos e os bulímicos têm uma obsessão pela quantidade de alimentos que ingerem, o ortoréctico torna-se obcecado pela qualidade dos alimentos que ingere. Não está em causa, a quantidade dos alimentos ingeridos, mas a sua qualidade. Em vez de se regerem pelo número de calorias, organizam as suas refeições, em função da pureza dos alimentos consumidos.
Uma outra consequência é o afastamento da sociedade, porque se sentem na obrigação de esclarecer, elucidar e convencer familiares e amigos do mal que causam os produtos processados e dos perigos dos pesticidas e fertilizantes artificiais. Isto gera conflitos e dificuldades de relacionamento, arriscando-se o ortoréctico a ficar “sozinho na sua luta”.
Sentem o seu comportamento como algo bom e virtuoso, se algo é difícil de concretizar, então é porque é virtuoso. Quanto mais extremistas forem em relação à sua alimentação, então mais virtuosos se sentem.
Todos nós sabemos que ter uma alimentação saudável é fundamental para possuirmos um óptimo estado nutricional e consequentemente ter saúde. Somos hoje bombardeados com mensagens para optar pelos produtos da agricultura biológica, evitar produtos processados… Mas, até que ponto ser demasiado saudável, é aconselhável para nós?? Será que este distúrbio existe de facto?
Vários nutricionistas dizem desconhecer o termo e que sem investigação científica não se pode provar que a ortorexia é, sem sombra de dúvida, um distúrbio alimentar obsessivo ou compulsivo, nem sequer incluí-lo na mesma classe da anorexia e da bulimia.
O próprio autor do conceito, Steven Bratman, refere não ter realizado estudos sobre a Ortorexia Nervosa, porque o seu interesse não é criar um novo diagnóstico, mas pôr as pessoas a pensar no tipo de alimentação que fazem. Segundo o autor, a Ortorexia Nervosa pode até não ser tão séria como outros distúrbios, mas acha que este assunto deveria ser discutido na comunidade científica. Contudo, vários especialistas no assunto condenam Bratman por estar a lançar falsos alarmes e que não deveria aconselhar o público no livro que escreveu.
Assim, e resumindo, apesar de se tratar de um conceito, ainda desconhecido ou aceite por grande da comunidade científica ou médica (ainda para mais partiu de uma experiência pessoal do autor da obra, e como tal sem fundamento), os Nutricionistas, bem como outros profissionais de saúde, devem estar atentos a mais este comportamento alimentar, particularmente, na falta de ainda mais orientações científicas, à identificação de carências nutricionais específicas e à sua correcção, através da orientação destes “pacientes” para escolhas alimentares saudáveis, aos olhos das Ciências da Nutrição e não só aos olhos dos ortorécticos.
Venha ou não a definir-se e aceitar-se este comportamento como um distúrbio e a integrar-se ou não no DSM-IV ou outro manual, o facto é que obsessões para com alimentos, que tenham como resultado final dietas/comportamentos alimentares, nutricionalmente desequilibrados, merecem toda a atenção e o aconselhamento alimentar adequados.
Tratando-se de um direito de cada um de nós - a busca de uma alimentação que não induza ao aparecimento de doenças - será justo alargar este conceito a todos aqueles que procuram somente uma vida saudável e livre de perigos?
Não estará a elevada taxa de doenças do foro digestivo relacionada com as mixórdias que nos colocam, diariamente, na frente, como que indicando-nos a toca do lobo, para a qual contribui a industria alimentar?
Será obsessivo preocuparmo-nos com a nossa alimentação, quando morrem diariamente pessoas vitimas de doenças cardio-vasculares ou acidentes vasculares cerebrais (AVC)?
Eu creio que não... e generalizar ou englobar esta nossa preocupação no quadro de uma obsessão é o mesmo que nos levarem mais cedo para o fundo do túnel - a doença ou a morte anunciada!!
A este propósito encontra-se a decorrer um Fórum, onde pode ser discutido o assunto, para além de mais informações.
CANCRO DA MAMA
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Todos os anos são diagnosticados 4.500 novos casos. A doença vitima 1.500 mulheres, anualmente, no nosso País. As outras 3.000 lutam contra a doença e conseguem vencê-la!!
Zulmira (Z.) é uma dessas mulheres!!
Deixo-lhe aqui uma homenagem, e a todas as mulheres que passam ou passaram pela angústia, tristeza e revolta (porque consideram sempre que só a elas tal acontece!) a quem a doença cancerígena atinge!!
Com Z. tudo tinha corrido bem até ali e, apesar de no auto-exame não ter palpado nada de anormal, lá foi fazer a sua mamografia de rotina. Dias depois, recebe o exame com o relatório médico.
Curiosa, sempre que realiza exames, abre o envelope e lê os respectivos relatórios, não vá o diabo tecê-las!!
Para ter a certeza de que nada de anormal ocorre, procura sempre a opinião da filha, licenciada em Radiologia e que lida, diariamente, com os mais diversos tipos de doença!...
Dia 28.10, sábado.
A., filha de Z., recebe um telefonema da mãe para que fosse almoçar a casa dos pais, como muito frequentemente, faz.
Almoçaram. No fim do almoço, Z. entrega o exame à filha, que o abre...
O coração salta-lhe do peito!...
Tenta disfarçar... Mas a mãe, arguta e prespicaz, percebe tudo.
A. abre o envelope com o relatório: «(...)imagem espiculada e de contornos irregulares, situada no quadrante superoexterno da mama esquerda, sugestiva de neoplasia.»
"Tem aí qualquer coisa, não tem? Diz-me a verdade..." - pronuncia Z., de forma quase inaudível com a voz embargada e trémula. Os olhos já marejados de lágrimas.
"Sim, mãe, é capaz... Mas quero ouvir outra opinião, mais especializada. Amanhã vou falar com um médico de Cirurgia, para ter a certeza de que não estou a exagerar» - diz, da forma mais convicta que consegue, porém certa do que vê naquela imagem (confirmada pelo relatório médico), de onde não tira os olhos, como que com receio que o seu olhar a traia!!
A. volta para casa com o peito apertado, uma angústia terrível!
Recorda, no meio da angústia, a coragem da mãe! Sujeita a tantas cirúrgias, das quais a mais recente foi uma gastrectomia sub-total em que lhe retiraram-lhe parte do estômago devido a uma outra lesão maligna de 7mm na parede gástrica, detectada por endoscopia (exame em que o gastrenterologista introduz um tubo pela boca até ao estômago e que permite visualizar o interior dos orgãos ocos) há cerca de 8 anos. E agora mais esta!!!!
"Triste sina a desta mulher! Mais uma vez, volta a fazer parte da estatística!!
Agora relacionada com cancro da mama. Será que Deus existe?! E se existe, como permite que haja tanto sofrimento?" - são as reflexões de A., arrasada - "Tenho de tratar disto o mais depressa possível, para que ela nem se aperceba do que a espera, de novo."
Dia 1.11, quinta-feira
Logo de manhã, A. dirige-se ao Serviço de Cirurgia. Mostra o exame a uma cirurgiã, que sabe ser muito competente e conceituada, especializada no tratamento de cancro da mama.
« Dra., o que vê aqui é o mesmo que eu, não é?!»
« De quem é o exame? É seu?»
« Não. É da minha mãe. Entregou-mo ontem, já com a suspeição de que nada de bom aí se encontra. Tentei disfarçar dizendo que iria falar com alguém especializado no assunto para ter a certeza, mas vi logo do que trata. Preciso da sua ajuda!!»
« Isto é uma imagem característica de carcinoma invasor da mama. Onde é que está a sua mãe? Preciso de a observar. Há quanto tempo é que ela tem esta lesão?»
« Está em casa. Posso telefonar-lhe e mandá-la vir. Descobriu isso agora com uma mamografia de rotina.»
« Mande-a estar aqui por volta das 11h. Observo-a e se for possível fazemos uma biópsia guiada por ecografia, ainda hoje.»
« Lesão palpável não é, que ela no auto-exame não sentia nada. Muito bem, estará cá a essa hora.»
Por volta das 11:00h, Z. apresenta-se no hospital para ser observada pela cirurgiã, que confirma tratar-se de uma lesão não palpável e que necessita de intervenção imediata.
Z. é informada do que se está a passar e dos procedimentos que se seguirão.
Dirigem-se as três ao Serviço de Imagiologia e Z. é submetida à biópsia, que tem como finalidade retirar pequenas amostras do tecido mamário lesado, que posteriormente são enviadas para o Laboratório de Anatomo-patologia, onde é analisado e diagnosticado qual o tipo de tumor e, a partir do resultado são discutidos quais os procedimentos cirúrgicos e posterior terapêutica a instituir, com o apoio de uma equipa médica especializada em doenças oncológicas.
As amostras foram retiradas. Será necessário esperar pelos resultados, o que demora entre 3 dias a uma semana.
Entretanto, é necessário fazer os exames exigidos como rotina pré-cirúrgica: electrocardiograma, ecocardiograma, radiografia do tórax.
Tudo realizado no próprio dia, graças a Deus e aos pedidos directos aos clínicos das respectivas especialidades e de serviço. Agradeceu a solicitude e a simpatia.
Dia 2, sexta-feira
A. dirige-se ao departamento de Patologia para tomar conhecimento dos resultados da histologia. Fala com o anatomopatologista que lhe confirma a suspeita: carcinoma ductal (dos ductos ou canais da mama que transportam o leite para o mamilo, na altura da amamentação) de tipo invasor grau 2 (que se pode alastrar rapidamente aos tecidos vizinhos e invadi-los de células malignas).
Com o resultado na mão, A. volta a procurar a cirurgiã e comunica-lhe os resultados.
« Segunda-feira, às 9:30h, quero-a aqui. Fica internada. Na terça-feira, será operada. Vou reservar um período cirúrgico, para que possa operá-la ao fim da manhã ou inicio da tarde.»
A. dirige-se a casa dos pais e conversa com a mãe, transmitindo-lhe o pedido da médica. Informa-a de que há possibilidade de só lhe retirarem os tecidos onde está alojado o tumor (tumorectomia ou quadrantectomia), ou que, na pior da pior das hipóteses, lhe retirarão toda a mama. Mas, caso ela quisesse, ficaria o local da cirurgia preparado para fazer reconstituição da mama, implicando contudo, esta última hipótese, a sujeição a nova intervenção cirúrgica, pela C. Plástica.
Tudo ficaria dependente da sua vontade em manter o aspecto estético, como se nada se tivesse passado, pelo menos exteriormente.
« Pensa, mãezinha! O que decidires será feito!»
Dia 6.11, segunda-feira
Z. apresenta-se no hospital à hora combinada. Fica internada. O anestesista, foi vê-la à enfermaria, questionou-a sobre os seus antecedentes. Nada a objectar. Prescreveu-lhe um calmante para a fazer relaxar durante a noite.
Dia 7.11, terça-feira
Z. dormiu como já nem se lembrava de ter dormido!!
Às 12:30h, entrava no Bloco Operatório, em direcção à sala de cirurgia, já meia grogue da pré-anestesia, acompanhada da filha e de maõs dadas.
A cirurgiã, sorrindo, perguntou-lhe se andava sempre de mão dada com a filha... ela sorriu e abana afirmativamente a cabeça e, arrastando a voz, disse.
« Sra. Dra., queria fazer-lhe um pedido: Tire-me tudo! Estive a pensar e não quero o resto da mama para nada. Agora posso ficar bem, mas nada me diz que o resto que ficar não me vai trazer novos problemas... por isso, tire tudo. Vão-se os anéis e ficam os dedos. Rezei a Deus para que me ajude. Confio nele e na senhora. Faça, por favor, o que tem de ser feito. Tire-me este malvado daqui e não deixe nada!!»
A. olhou para a mãe de boca aberta, recuperou da surpresa, deu-lhe um beijo e depois de a animar [até a fez rir... e, hoje, nem se lembra do que disse (!)], despediu-se e deixou aquele local.
Recorda as últimas palavras proferidas pela mãe "Não te preocupes... Vai correr tudo bem. Aproveita para descansar!"; "Tire-me tudo!"
Grande Mãe!! Perspicaz, atenta, corajosa e com uma intuição própria de quem é MÃE e já viveu uma vida, detectou que a filha é que precisava de descansar!!!
A. refugiou-se na casa de banho que encontrou mais próxima e descarregou toda a fúria naquelas paredes, ao murro, e refriando a vontade de gritar... a sua mãe, que ia ser submetida àquela cirurgia, a quem iriam retirar parte do símbolo da feminilidade e que iria ficar com uma marca exterior, e para toda a vida, sim... ela é que tinha dito que tudo ia correr bem e que não estivesse preocupada!!!??
Às 15:30h, Z. era transportada para o recobro do Bloco, de onde seria transferida, 2h depois, de novo, para o internamento em Cirurgia.
A cirurgia tinha corrido bem, apesar de, para !! A partir dali, quem precisava de descansar era a mãe e não a filha.
Dia 9.11, sexta-feira
A recuperação foi extraordinária. Não teve dores. Correu tudo bem. Teve alta clínica.
A médica informou-a que teve de retirar os gânglios da axila e que as análises da patologia indicaram que o tumor estava circunscrito àquela zona, por isso não corria o risco de se espalhar pelo resto do corpo. No dia 15 teria de se deslocar ao hospital para ser presente à Consulta Oncológica, e que aí a informariam, depois de estudar o caso dela, qual o tratamento a que teria de se submeter.
Dia 15.11, quinta-feira
Os médicos da Consulta Oncológica foram muito animadores nas notícias.
As suas palavras foram bebidas por A., que não mais as esquecerá:
« D. Z., estamos felizes pelas boas notícias que temos para si!! A senhora teve sorte em ter feito o exame de rotina. Se não o tivesse feito, como muitas mulheres que descuidam ou não os fazem periodicamente, agora poderíamos estar perante uma situação irremediável... Não é o caso da senhora, felizmente.
Vamos seguir um protocolo oncológico que se aplica a todas as senhoras com um problema idêntico ao que passou. Como tal, vamos sujeitá-la a um tratamento que se chama quimioterapia, que é uma mistura química de medicamentos, que se destinam a eliminar qualquer célula-sentinela cancerígena. Essa mistura vai-lhe ser administrada numa veia durante 6 ciclos, um por semana. Não lhe fará cair o cabelo, como acontece frequentemente nestes casos. Depois de acabarmos este tratamento terá de fazer um outro, hormonal, durante 5 anos, para que as suas hormonas se restabeleçam da quimioterapia e não a venham a atrapalhar daqui para o futuro. Estamos combinados, D. Z.?!»
O meu intuito, em deixá-lo aqui, é também um alerta: não deixem de realizar os vossos exames médicos por rotina, quaisquer que eles sejam.
Adenda:
A informação que a internet disponibiliza sobre este assunto é muito vasta, mas destaco alguns sites:
http://www.ligacontracancro.pt/
www.hvn.es/.../ginecologia/recomendaciones.php
http://www.radiologiacat.org/casos/hterrassa011006/ht4.htm
Memórias inapagáveis
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«Alzheimer» - spot premiado da agência Leo Burnett para o Instituto de apoio à Criança (IAC)
Este anúncio para além de apelar à denúncia dos maus tratos que tantas crianças sofrem, consegue com uma subtil tenacidade sensibilizar para duas realidades:
- a da doença de Alzheimer - doença neurológica degenerativa e irreversível - cujos doentes e famílias carecem de apoios efectivos a vários níveis;
- a dos maus tratos a crianças - crime público - que pode ir da negligência em termos de higiene e alimentação ao abuso sexual, que afectam marcadamente o desenvolvimento emocional, social e intelectual da criança, compremetendo o seu futuro.
Sendo que «uma criança mal tratada nunca esquece», há que reportar e denunciar a violência contra as crianças. Só assim se diminui os «casos escondidos» caminhando lado-a-lado com acções preventivas, cultivando pro-activamente um futuro com memórias de aprazimento e não de medo e desalento.




