Olissipo: a odisseia continua
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Álvaro de Campos
Ouvi nas notícias o "problema" que é o Cemitério de Carnide, tantas vezes apregoado como o maior vá se lá saber de quê. A noticia focou que o solo ao invés de auxiliar à decomposição dos corpos conserva-os, também referiu que se tratou de um projecto de Krus Abecassis.
Ficou por focar o facto de Krus Abecassis enquanto presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML) ter tido vários projectos em estudo e análise, entre os quais o Cemitério-Jardim de Carnide, mas que muitos desses mesmos projectos foram conduzidos por outros que o sucederam no cargo, como é o caso deste.
O nível freático e o género de solo argiloso - laboraram antigamente na zona diversas fábricas de tijolos - de Carnide, sempre foram inconvenientes à construção do Cemitério nesse local. Pensaram que o problema seria resolvido através da instalação dum sistema de drenagem - inferior ao ângulo de inumação - e também pela rectificação das particularidades do solo, conseguida através da remoção do existente e da colocação de outro no local. Abecassis cogitou na década de 80 e a obra iniciou-se com Jorge Sampaio nos idos 90, sendo o Cemitério inaugurado no início de 1996 já com João Soares ao leme da capital.
Francisco Sá Carneiro... Saudade...
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“ – Maria, lembro-me como se fosse hoje, sofri tanto, nesse dia eu...”
“ – Maria, lembro-me da cara dos meus Pais, sofreram tanto, aquelas imagens queimadas… Que horror, Maria!”
Gente.
Ouvi isso milhões de vezes!!...
Apenas gostaria de prestar uma homenagem ao meu Tio Chico. A esse Homem maravilhoso, que tanto nos amou, que tanto nos deu em crianças. O seu sorriso mágico, o seu olhar! Que olhar!! Entrava dentro de mim...
Nunca ninguém me olhou assim, daquele jeito só dele. Lembro-me de ir para o liceu, no eléctrico, a treinar o olhar. Era a única pessoa que eu não conseguia manter o olhar.
Então treinava no eléctrico - fixava uma pessoa até ela desviar os olhos. Mas não se animem... nunca o consegui com o meu Tio!
A melhor recordação que tenho da minha infância é das férias na quinta em Barcelos. O Tio arranjava para nós n actividades: as idas ao rio, os passeios de barco, a pesca que nunca dava nada, os jogos de futebol, as medalhas que o Tio comprava no Porto, para ser tudo mais real!
Éramos sete: os Primos, eu e a minha Irmã. A paciência que a Tia tinha! Éramos muitos. Tudo organizado - cada um tinha um número, uma cor, uma toalha de banho, uma argola do guardanapo com a sua cor - eu era o sete! A caçoula.
Ainda me vêm as lágrimas aos olhos, de pensar como fui feliz, com eles.
Tinha seis anos a primeira vez que fiz a minha mala branca, com uma pega dourada. Cheguei à sala, a arrastar a minha maleta, e participei que queria ir viver com os Tios. Senti-me uma princesa que ia viver para o reino da felicidade... fiquei de castigo!!!
Nos Natais, o Tio era o motor do riso (os presentes dele eram os maiores!); nas Páscoas, os ovos escondidos pela quinta.... Nos Verões, todos sentados na borda da piscina - à espera do minuto certo, duas horas depois da refeição - para poder entrar na água. Que pachorra tinham!
Depois veio a politica... Os comícios, os “banhos de multidão”, as bandeiras, colar cartazes, vender propaganda no colégio.
O Tio foi-se afastando... Aparecendo menos... A separação... A Snu.
Ia conhece-la naquele dia 4, que alegria teria tido o Tio.
Uma tempestade, um mundo virado ao contrário... Noticias nos jornais, confusões, ninguém se entendia, nos entendia ou explicava nada! Um abismo... lá se foi Deus, a família, o colégio, passamos a viver na confusão, na contra-informação....
Mas o Tio aparecia, com o seu sorriso, tentava explicar o inexplicável, mas tentava.
E eu lá ia às escondidas dos Pais, fazer o norte.
Nunca tinha aulas quando o Tio vinha ao Porto. Dava-me a mão na rua, mão entrelaçada na mão, ensinou-me a amar, a acreditar.
Não sei, nem consigo, contar mais... SEI que, naquele dia, parte de mim sufocou, perdeu-se, morreu...
46 Anos tinha o meu Tio...... 5 filhos...... Muito para dar a este País....... E a nós, Família!
Pergunto-me sempre o que fez este País para descobrir a Verdade???



ASAE 0 - Espanha 1
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Vídeo via BAFORADAS, o Blog do Sítio do Fumador
"O maior embuste no ensino desde a 1ª. República"
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As novas medidas do Ministério, tendo como corolário este novo e maquiavélico processo de "avaliação do desempenho" dos professores, que mais não é do que uma forma encapotada de perseguição à classe docente, farão com que muitos professores, sentindo em perigo a sua carreira profissional, se vejam obrigados, repito, a dar positivas a quem as não merece. Isto, para além de escandaloso, é ridículo e imoral. Outro tanto se passa com as chamadas "NOVAS OPORTUNIDADES" — outra panaceia. Com este rótulo pomposo, pretende-se certificar "competências", sem ter em conta os conteúdos. Aos “alunos” bastará demonstrarem “competências”, mesmo que não dominem nenhum conhecimento escolar em concreto. Ao que nós chegámos! Desta maneira, passaremos de um país com elevado nível de iliteracia a um país de superdotados. E com esta visão messiânica, temos um processo que mais não é do que uma panóplia salvadora para as nossas estatísticas. Mais uma vez as estatísticas! Será que O PAÍS NÃO VÊ QUE O REI VAI NU? O nosso governo está a promover a incompetência ao estatuto de missão patriótica! E a forçar a classe docente a participar nesta mentira, sob pena de ver comprometidos alguns dos seus objectivos, os tais que passam a contribuir para a dita “progressão na carreira”! Dá vontade de dizer: “Tirem-me deste filme!”, à semelhança do que dirão muitos dos nossos jovens, a propósito do novo contexto tão sabiamente criado: “Eh pá, tás a ver a cena? Bué da louca! Fixe, meu, agora é que está a dar! Tu até nem precisas de ir às aulas. Os mangas dos setôres têm que nos dar positiva, para não terem problemas. Baril!”
Estas medidas do nosso Ministério parecem ter saído de um concurso de anedotas!
Mas, se o lúdico acaba forçosamente, mais cedo ou mais tarde, por desembocar no risível, já o mesmo se não pode dizer das ameaças veladas, encapotadas, disfarçadas deste novo iluminismo político, cavalgando um espírito de cruzada de falsos cavaleiros da Távola Redonda, que brandem cem cessar a espada “Excalibur” sobre as cabeças pensantes dos professores que ousem tornar-se rebeldes, isto é, “discordantes”. Processos inovadores? Nem por isso. Isto, afinal, não passa de um “déjà vu”. A perseguição, a admoestação, a criação de um clima de insegurança e medo já eram utilizados pelos esbirros do anterior regime. Mas esses ao menos não se diziam de esquerda!!!
José Colaço – Prof. Efectivo na Escola Secundária de Cascais
23/02/2008"
Chill Out
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Café del Mar
Tomadas de posição
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Sente-se hoje na sociedade portuguesa um mal estar difuso, que alastra e mina a confiança essencial à coesão nacional.
Nem todas as causas desse sentimento são exclusivamente portuguesas, na medida em que reflectem tendências culturais do espaço civilizacional em que nos inserimos. Mas uma boa parte são questões internas à nossa sociedade e às nossas circunstâncias. Não podemos, por isso, ceder à resignação sem recusarmos a liberdade com que assumimos a responsabilidade pelo nosso destino.
Assumindo o dever cívico decorrente de uma ética da responsabilidade, a SEDES entende ser oportuno chamar a atenção para os sinais de degradação da qualidade da vida cívica que, não constituindo um fenómeno inteiramente novo, estão por detrás do referido mal estar.
2) DEGRADAÇÃO DA CONFIANÇA NO SISTEMA POLÍTICO
Ao nível político, tem-se acentuado a degradação da confiança dos cidadãos nos representantes partidários, praticamente generalizada a todo o espectro político.
É uma situação preocupante para quem acredita que a democracia representativa é o regime que melhor assegura o bem comum de sociedades desenvolvidas. O seu eventual fracasso, com o estreitamento do papel da mediação partidária, criará um vácuo propício ao acirrar das emoções mais primárias em detrimento da razão e à consequente emergência de derivas populistas, caciquistas, personalistas, etc.
Importa, por isso, perseverar na defesa da democracia representativa e das suas instituições. E desde logo, dos partidos políticos, pilares do eficaz funcionamento de uma democracia representativa. Mas há três condições para que estes possam cumprir adequadamente o seu papel.
Têm, por um lado, de ser capazes de mobilizar os talentos da sociedade para uma elite de serviço; por outro lado, a sua presença não pode ser dominadora a ponto de asfixiar a sociedade e o Estado, coarctando a necessária e vivificante diversidade e o dinamismo criativo; finalmente, não devem ser um objectivo em si mesmos...
É por isso preocupante ver o afunilamento da qualidade dos partidos, seja pela dificuldade em atrair e reter os cidadãos mais qualificados, seja por critérios de selecção, cada vez mais favoráveis à gestão de interesses do que à promoção da qualidade cívica. E é também preocupante assistir à tentacular expansão da influência partidária – quer na ocupação do Estado, quer na articulação com interesses da economia privada – muito para além do que deve ser o seu espaço natural.
Estas tendências são factores de empobrecimento do regime político e da qualidade da vida cívica. O que, em última instância, não deixará de se reflectir na qualidade de vida dos portugueses.
3) VALORES, JUSTIÇA E COMUNICAÇÃO SOCIAL
Outro factor de degradação da qualidade da vida política é o resultado da combinação de alguma comunicação social sensacionalista com uma justiça ineficaz. E a sensação de que a justiça também funciona por vezes subordinada a agendas políticas.
Com ou sem intencionalidade, essa combinação alimenta um estado de suspeição generalizada sobre a classe política, sem contudo conduzir a quaisquer condenações relevantes. É o pior dos mundos: sendo fácil e impune lançar suspeitas infundadas, muitas pessoas sérias e competentes afastam-se da política, empobrecendo-a; a banalização da suspeita e a incapacidade de condenar os culpados (e ilibar inocentes) favorece os mal-intencionados, diluídos na confusão. Resulta a desacreditação do sistema político e a adversa e perversa selecção dos seus agentes.
Nalguma comunicação social prolifera um jornalismo de insinuação, onde prima o sensacionalismo. Misturando-se verdades e suspeitas, coisas importantes e minudências, destroem-se impunemente reputações laboriosamente construídas, ao mesmo tempo que, banalizando o mal, se favorecem as pessoas sem escrúpulos.
Por seu lado, o Estado tem uma presença asfixiante sobre toda a sociedade, a ponto de não ser exagero considerar que é cada vez mais estreito o espaço deixado verdadeiramente livre para a iniciativa privada. Além disso, demite-se muitas vezes do seu dever de isenta regulação, para desenvolver duvidosas articulações com interesses privados, que deixam em muitos um perigoso rasto de desconfiança.
Num ambiente de relativismo moral, é frequentemente promovida a confusão entre o que a lei não proíbe explicitamente e o que é eticamente aceitável, tentando tornar a lei no único regulador aceitável dos comportamentos sociais. Esquece-se, deliberadamente, que uma tal acepção enredaria a sociedade numa burocratizante teia legislativa e num palco de permanente litigância judicial, que acabaria por coarctar seriamente a sua funcionalidade. Não será, pois, por acaso que é precisamente na penumbra do que a lei não prevê explicitamente que proliferam comportamentos contrários ao interesse da sociedade e ao bem comum. E que é justamente nessa penumbra sem valores que medra a corrupção, um cancro que corrói a sociedade e que a justiça não alcança.
4) CRIMINALIDADE, INSEGURANÇA E EXAGEROS
A criminalidade violenta progride e cresce o sentimento de insegurança entre os cidadãos. Se é certo que Portugal ainda é um país relativamente seguro, apesar da facilidade de circulação no espaço europeu facilitar a importação da criminalidade organizada. Mas a crescente ousadia dos criminosos transmite o sentimento de que a impune experimentação vai consolidando saber e experiência na escala da violência.
Ora, para além de alguns fogachos mediáticos, não se vê uma acção consistente, da prevenção, da investigação e da justiça, para transmitir a desejada tranquilidade.
Mas enquanto subsiste uma cultura predominantemente laxista no cumprimento da lei, em áreas menos relevantes para as necessidades do bom funcionamento da sociedade emerge, por vezes, uma espécie de fundamentalismo utra-zeloso, sem sentido de proporcionalidade ou bom-senso.
Para se ter uma noção objectiva da desproporção entre os riscos que a sociedade enfrenta e o empenho do Estado para os enfrentar, calculem-se as vítimas da última década originadas por problemas relacionados com bolas de Berlim, colheres de pau, ou similares e os decorrentes da criminalidade violenta ou da circulação rodoviária e confronte-se com o zelo que o Estado visivelmente lhes dedicou.
E nesta matéria a responsabilidade pelo desproporcionado zelo utilizado recai, antes de mais, nos legisladores portugueses que transcrevem para o direito português, mecânica e por vezes levianamente, as directivas de Bruxelas.
5) APELO DA SEDES
O mal-estar e a degradação da confiança, a espiral descendente em que o regime parece ter mergulhado, têm como consequência inevitável o seu bloqueamento. E se essa espiral descendente continuar, emergirá, mais cedo ou mais tarde, uma crise social de contornos difíceis de prever.
A sociedade civil pode e deve participar no desbloqueamento da eficácia do regime – para o que será necessário que este se lhe abra mais do que tem feito até aqui –, mas ele só pode partir dos seus dois pólos de poder: os partidos, com a sua emanação fundamental que é o Parlamento, e o Presidente da República.
As últimas eleições para a Câmara de Lisboa mostraram a existência de uma significativa dissociação entre os eleitores e os partidos. E uma sondagem recente deu conta de que os políticos – grupo a que se associa quase por metonímia “os partidos” – são a classe em que os portugueses menos confiam.
Este estado de coisas deve preocupar todos aqueles que se empenham verdadeiramente na coisa pública e que não podem continuar indiferentes perante a crescente dissociação entre o conceito de “res pública” e o de intervenção política!
A regeneração é necessária e tem de começar nos próprios partidos políticos, fulcro de um regime democrático representativo. Abrir-se à sociedade, promover princípios éticos de decência na vida política e na sociedade em geral, desenvolver processos de selecção que permitam atrair competências e afastar oportunismos, são parte essencial da necessária regeneração.
Os partidos estão na base da formação das políticas públicas que determinam a organização da sociedade portuguesa. Na Assembleia ou no Governo exercem um mandato ratificado pelos cidadãos, e têm a obrigação de prestar contas de forma permanente sobre o modo como o exercem.
Em geral o Estado, a esfera formal onde se forma a decisão e se gerem os negócios do país, tem de abrir urgentemente canais para escutar a sociedade civil e os cidadãos em geral. Deve fazê-lo de forma clara, transparente e, sobretudo, escrutinável. Os portugueses têm de poder entender as razões que presidem à formação das políticas públicas que lhes dizem respeito.
A SEDES está naturalmente disponível para alimentar esses canais e frequentar as esferas de reflexão e diálogo que forem efectiva e produtivamente activadas.
Sedes, 21 de Fevereiro de 2008
O Conselho Coordenador
(Vitor Bento (Presidente), M. Alves Monteiro, Luís Barata, L. Campos e Cunha, J. Ferreira do Amaral, Henrique Neto, F. Ribeiro Mendes, Paulo Sande, Amílcar Theias)»
Encantação
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