Avaliação de professores e a comparação à Alemanha e Suíça
Postado por
Curiosa Qb
em segunda-feira, 10 de março de 2008
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"Caríssimas colegas
Caríssimos colegas
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Antes de mais, os meus mais sinceros parabéns pela organizacão do vosso movimento. Já há bastante tempo que temia ver os professores em Portugal e os professores portugueses no estrangeiro perto de cair num marasmo inoperacional relativamente às prepotências, injustiças,ilegalidades, indecências, etc,etc,etc, do nosso Ministério da Educação. Estou satisfeitíssima por ver que tal não é verdade, pelo menos no que respeita aos docentes em Portugal.
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Os professores portugueses no estrangeiro encontram-se, a meu ver, ainda num estado de inacção que me custa compreender, apesar de desde 1998 terem sido penalizados de todos os modos possíveis pelo ME, a título de uma falaciosa e irreal "poupança".
Os professores portugueses no estrangeiro encontram-se, a meu ver, ainda num estado de inacção que me custa compreender, apesar de desde 1998 terem sido penalizados de todos os modos possíveis pelo ME, a título de uma falaciosa e irreal "poupança".
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Sou, desde 1982, professora de Língua e Cultura Portuguesas no Estrangeiro, e pertenço ao QND da Escola B 2,3 Mestre Domingos Saraiva no Algueirão. Tenho sido sempre activa sindicalmente, encontrando-me no momento na Direcção do SPCL (Sindicato dos Professores nas Comunidades Lusíadas).
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Conheço bem os sistemas de ensino da Alemanha e da Suíça, os dois países em que trabalhei longos anos. Por isso, envio-vos aqui várias informações sobre os docentes e o ensino nos dois países, informações estas que poderão usar do modo que vos for mais útil, e onde poderão ver que os professores mais explorados da Europa, são, sem sombra de dúvida, os docentes portugueses.
Conheço bem os sistemas de ensino da Alemanha e da Suíça, os dois países em que trabalhei longos anos. Por isso, envio-vos aqui várias informações sobre os docentes e o ensino nos dois países, informações estas que poderão usar do modo que vos for mais útil, e onde poderão ver que os professores mais explorados da Europa, são, sem sombra de dúvida, os docentes portugueses.
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Alemanha
Avaliação dos docentes:
Têm, de 6 em 6 anos, uma aula ( 45 minutos) assistida pelo chefe da Direcção escolar. Essa assistência tem como objectivo a subida de escalão.
Alemanha
Avaliação dos docentes:
Têm, de 6 em 6 anos, uma aula ( 45 minutos) assistida pelo chefe da Direcção escolar. Essa assistência tem como objectivo a subida de escalão.
Depois de atingido o topo da carreira, acabaram-se as assistências e não existe mais nenhuma avaliação.
Não existe nada semelhante ao nosso professor titular. Sempre gostava de saber onde foi o ME buscar tal ideia. Existem, claro, quadros de escola.
Não existe diferença entre horas lectivas e não lectivas. Os horários completos variam entre 25 e 28 horas semanais.
As reuniões para efeito de avaliação dos alunos têm lugar durante o tempo de funcionamento escolar normal,nunca durante o período de férias. Sempre achei um pouco preverso os meninos irem de férias e os professores ficarem a fazer reuniões…
Não existe nada semelhante ao nosso professor titular. Sempre gostava de saber onde foi o ME buscar tal ideia. Existem, claro, quadros de escola.
Não existe diferença entre horas lectivas e não lectivas. Os horários completos variam entre 25 e 28 horas semanais.
As reuniões para efeito de avaliação dos alunos têm lugar durante o tempo de funcionamento escolar normal,nunca durante o período de férias. Sempre achei um pouco preverso os meninos irem de férias e os professores ficarem a fazer reuniões…
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Tanto na Alemanha como na Suíça, França e Luxemburgo, durante os períodos de férias as escolas encontram-se encerradas! Encerradas para todos, alunos, pais, professores e pessoal de Secretaria! Os alunos e os professores têm exactamente o mesmo tempo de férias. Não existe essa dicotomia idiota entre interrupções lectivas, férias, etc.
As escolas não são centros de recreio nem servem para "guardar" os alunos enquanto os pais estão a trabalhar.
Nas escolas de Ensino Primário as aulas vão das 8.00 às 13 ou 14 horas.
Nos outros níveis começam às 8 .00 ou 8.30 e terminam às 16.00 ou, a partir do 10° ano,às 17.00.
Total de dias de férias por ano lectivo : cerca de 80 ( pode haver ligeiras diferenças de estado para estado)
Alunos:
Claro que existem problemas de disciplina. Mas é inaudito os alunos , ou os pais dos mesmos, agredirem os professores. A agressão física de um professor por um aluno pode levar à expulsão do último.
Os trabalhos de casa existem e são para serem feitos. Absolutamente inconcebível que um encarregado de educação declare que o seu filho/filha não tem nada que fazer trabalhos de casa, como acontece, ao que sei, em Portugal.
É terminantemente proibido os alunos terem os telemóveis ligados e utilizarem-nos durante as aulas. As penas para tal são primeiro aviso aos pais, depois confiscação do telemóvel e por fim multa.
Tanto na Alemanha como na Suíça, França e Luxemburgo, durante os períodos de férias as escolas encontram-se encerradas! Encerradas para todos, alunos, pais, professores e pessoal de Secretaria! Os alunos e os professores têm exactamente o mesmo tempo de férias. Não existe essa dicotomia idiota entre interrupções lectivas, férias, etc.
As escolas não são centros de recreio nem servem para "guardar" os alunos enquanto os pais estão a trabalhar.
Nas escolas de Ensino Primário as aulas vão das 8.00 às 13 ou 14 horas.
Nos outros níveis começam às 8 .00 ou 8.30 e terminam às 16.00 ou, a partir do 10° ano,às 17.00.
Total de dias de férias por ano lectivo : cerca de 80 ( pode haver ligeiras diferenças de estado para estado)
Alunos:
Claro que existem problemas de disciplina. Mas é inaudito os alunos , ou os pais dos mesmos, agredirem os professores. A agressão física de um professor por um aluno pode levar à expulsão do último.
Os trabalhos de casa existem e são para serem feitos. Absolutamente inconcebível que um encarregado de educação declare que o seu filho/filha não tem nada que fazer trabalhos de casa, como acontece, ao que sei, em Portugal.
É terminantemente proibido os alunos terem os telemóveis ligados e utilizarem-nos durante as aulas. As penas para tal são primeiro aviso aos pais, depois confiscação do telemóvel e por fim multa.
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Suíça
Tal como na Alemanha, os professores só são assistidos durante o período de formação e para subida de escalão.
Durante os períodos de férias as escolas encontram-se, como na Alemanha, encerradas.
Os horários escolares são semelhantes aos da Alemanha. Até ao 4° ano de escolaridade, inclusive, não há aulas de tarde às quartas-feiras, terminam cerca das 11.30.
No início das aulas os alunos cumprimentam o professor apertando-lhe a mão e despedem-se do mesmo modo. Claro que não há 28 ou 30 alunos numa classe, mas no máximo 22.
O telemóvel tem de estar desligado durante as aulas.
É dada grande importância aos trabalhos de casa. A não apresentação dos mesmos implica descida de nota final.
Total de dias de férias : cerca de 72 ( pode haver diferenças de cantão para cantão) .
Suíça
Tal como na Alemanha, os professores só são assistidos durante o período de formação e para subida de escalão.
Durante os períodos de férias as escolas encontram-se, como na Alemanha, encerradas.
Os horários escolares são semelhantes aos da Alemanha. Até ao 4° ano de escolaridade, inclusive, não há aulas de tarde às quartas-feiras, terminam cerca das 11.30.
No início das aulas os alunos cumprimentam o professor apertando-lhe a mão e despedem-se do mesmo modo. Claro que não há 28 ou 30 alunos numa classe, mas no máximo 22.
O telemóvel tem de estar desligado durante as aulas.
É dada grande importância aos trabalhos de casa. A não apresentação dos mesmos implica descida de nota final.
Total de dias de férias : cerca de 72 ( pode haver diferenças de cantão para cantão) .
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Vencimentos
Só uma pequena comparação … na Suíça um professor do pré- primário no topo da carreira recebe 5.200 francos mensais líquidos ( cerca de 3.400 euros),mais ou menos o dobro do que vence um professor em Portugal no topo da carreira…
Vencimentos
Só uma pequena comparação … na Suíça um professor do pré- primário no topo da carreira recebe 5.200 francos mensais líquidos ( cerca de 3.400 euros),mais ou menos o dobro do que vence um professor em Portugal no topo da carreira…
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Caras / Caros colegas:
Espero não ter abusado da vossa paciência com a minha exposição. Porém, acho que ficou claro que, se o ensino em Portugal se encontra em péssimo estado, a culpa não é dos professores, mas sim de um ME vendido aos empresários, que tem como objective actual a quase extinção da escola pública, para que a mesma produza analfabetos funcionais, que trabalharão sem caixa médica e sem subsídio de férias , porque nem sabem o que isso é, e se souberem, não poderão reclamar porque não saberão escrever uma carta em termos… Isto para não mencionar as massas que se entregarão à criminalidade, prostituição, etc.
Caras / Caros colegas:
Espero não ter abusado da vossa paciência com a minha exposição. Porém, acho que ficou claro que, se o ensino em Portugal se encontra em péssimo estado, a culpa não é dos professores, mas sim de um ME vendido aos empresários, que tem como objective actual a quase extinção da escola pública, para que a mesma produza analfabetos funcionais, que trabalharão sem caixa médica e sem subsídio de férias , porque nem sabem o que isso é, e se souberem, não poderão reclamar porque não saberão escrever uma carta em termos… Isto para não mencionar as massas que se entregarão à criminalidade, prostituição, etc.
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Um grande abraço para todas /todos da colega
Teresa Soares"
Um grande abraço para todas /todos da colega
Teresa Soares"
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Sócrates
Postado por
Maria Sá Carneiro
em domingo, 9 de março de 2008
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Sócrates queria um selo com a sua foto para deixar para a posteridade o seu mandato no Governo deste país que está de tanga. Os selos são criados, impressos e vendidos. O nosso PM fica radiante! Mas em poucos dias ele fica furioso ao ouvir reclamações de que o selo não adere aos envelopes.O Primeiro-ministro convoca os responsáveis e ordena que investiguem o assunto. Eles pesquisam as agências dos Correios de todo o país e relatam o problema.O relatório diz:'Não há nada de errado com a qualidade dos selos. O problema é que o povo está a cuspir no lado errado.'
Paulo Pedroso e o Estado
Postado por
Anónimo
em sábado, 8 de março de 2008
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Documento de Catalina desviado
Governo colabora na acção de Pedroso contra o Estado
Um documento de Catalina Pestana apareceu misteriosamente nas mãos do advogado de Paulo Pedroso. E quem o passou foi o chefe de gabinete do ministro Vieira da Silva. A juíza já participou ao Ministério Público. O caso prova as ligações entre o Governo e Paulo Pedroso, num caso em que este processa o Estado.
O documento foi apresentado por Celso Cruzeiro em tribunal, de uma forma que indicia uma estreita ligação entre Pedroso e o Governo e que pode contribuir para a condenação do Estado.
Trata-se de um rascunho pessoal, manuscrito, que foi elaborado em 2006 por Catalina Pestana, para servir de guião a uma reunião com o ministro da Segurança Social. No dia 31 de Janeiro passado, foi apresentado por Celso Cruzeiro, advogado de Pedroso, numa das audiências do julgamento da acção contra o Estado. Instado pela juíza do processo a explicar como obtivera o documento, o advogado informou que lhe fora dado por Gabriel Basto, então chefe de gabinete do ministro Vieira da Silva. A juíza mandou extrair certidão para o DIAP de Lisboa averiguar.
A acção em que Paulo Pedroso pede 800 mil euros ao Estado, por alegada prisão ilegal, está a ser julgada desde o dia 7 de Janeiro na 10.ª Vara Cível de Lisboa. O julgamento decorre à porta fechada, por decisão da juíza Amélia Loupo, que considerou necessário proteger a privacidade de todos os envolvidos. Pedroso tenta provar que os magistrados que decidiram prendê-lo, em 21 de Maio de 2003, por suspeita de 15 crimes de abuso sexual, erraram «grosseiramente» na apreciação da prova. Indicou cerca de 20 testemunhas, entre as quais, Vieira da Silva, Augusto Santos Silva (ministro dos Assuntos Parlamentares), Ferro Rodrigues (ex-líder do PS) e António Costa (presidente da Câmara de Lisboa).
Trata-se de um rascunho pessoal, manuscrito, que foi elaborado em 2006 por Catalina Pestana, para servir de guião a uma reunião com o ministro da Segurança Social. No dia 31 de Janeiro passado, foi apresentado por Celso Cruzeiro, advogado de Pedroso, numa das audiências do julgamento da acção contra o Estado. Instado pela juíza do processo a explicar como obtivera o documento, o advogado informou que lhe fora dado por Gabriel Basto, então chefe de gabinete do ministro Vieira da Silva. A juíza mandou extrair certidão para o DIAP de Lisboa averiguar.
A acção em que Paulo Pedroso pede 800 mil euros ao Estado, por alegada prisão ilegal, está a ser julgada desde o dia 7 de Janeiro na 10.ª Vara Cível de Lisboa. O julgamento decorre à porta fechada, por decisão da juíza Amélia Loupo, que considerou necessário proteger a privacidade de todos os envolvidos. Pedroso tenta provar que os magistrados que decidiram prendê-lo, em 21 de Maio de 2003, por suspeita de 15 crimes de abuso sexual, erraram «grosseiramente» na apreciação da prova. Indicou cerca de 20 testemunhas, entre as quais, Vieira da Silva, Augusto Santos Silva (ministro dos Assuntos Parlamentares), Ferro Rodrigues (ex-líder do PS) e António Costa (presidente da Câmara de Lisboa).
Explicações de Catalina
A 31 de Janeiro, a ex-provedora da Casa Pia foi prestar declarações no julgamento. Foi-lhe então pedido pelo advogado Celso Cruzeiro que contasse como soubera dos primeiros testemunhos contra Pedroso. Catalina Pestana recordou, mais uma vez, que as acusações tinham-lhe sido reveladas por um dos jovens (considerado o ‘braço direito’ de Carlos Silvino), mas que não acreditara.
Contou que era amiga pessoal de Pedroso e que, após este ser preso, o irmão, João Pedroso, estivera em sua casa, onde conversaram longamente. Uma das provas que os jovens tinham então a seu favor era a descrição de certos sinais físicos de Pedroso. Como João Pedroso lhe garantia que o irmão não tinha tais sinais, Catalina respondeu-lhe que, então, nada tinham a temer: bastava pedir uma junta médica para o comprovar. E combinou com João Pedroso que ela própria escreveria aos procuradores que conduziam a investigação, sugerindo a realização dessa perícia. O exame médico só acabou por ser realizado após a saída de Pedroso da prisão.
Ana Paula Azevedo e Felícia Cabrita
Desculpem a transcrição integral mas já não há palavras para um assunto, já aqui debatido, e que se tornou repugnante e revoltante.
Quando se dignarão dizer ao País que o caso foi arquivado e que os suspeitos ou pensarão estes senhores nas vítimas!?
Entrevista com...
Postado por
Anónimo
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Os "Fedorentos" habituaram-nos a um estilo humorístico inteligente.
Em entrevista ao... Sr. Primeiro Ministro, retratam de forma satírica a forma como este governo manipula as situações que podem agredir a sua imagem pública, controlando-as a seu favor.
O pior é que o "povinho" vai caindo... ou não!?
A manifestação de protesto que os professores realizaram hoje é um dos exemplos destas manobras: impedir o livre direito à liberdade de manifestação, de opinião...
Segundo o "Sol", uma Brigada de Trânsito - BT, "lembrou-se" de fazer uma operação Stop a 20 autocarros (junto à estação de serviço de Aveiras) que transportavam professores vindos do norte do País e que se dirigiam para o Terreiro do Paço, para se juntarem á manifestação, retendo-os.
100.000 profissionais gritavam a demissão da Ministra, que desvaloriza o número de manifestantes.
O Sr. Presidente da República referiu que no País não se pode nem deve impedir a população do direito de expressão.
Já agora, só faltam as declarações do sr. Ministro da Administração Interna, relativamente à actuação da GNR-BT... o trio habitual!!
Em teu nome, Ricardo
Postado por
Maria Sá Carneiro
em quarta-feira, 5 de março de 2008
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Toda a minha vida te procurei, sempre corri ao teu encontro, desde criança….
A vida dá voltas e reviravoltas, tantos anos para chegarmos a uma relação equilibrada.
Nunca fui o que esperavas, provavelmente, nem sabes o que esperavas de mim.
Tanta gente que não aproveita a vida, não vibra, não ama, não luta, não deseja, não grita, não ri, não chora, não berra, bolas…….Porquê tu ainda tão novo, tão cheio de ânsia de viver, de amar, de ver, de ser feliz?
Se soubesses como fiquei zangada, por me obrigares a tomar decisões, sempre a pensar no que seria melhor para ti. Bolas, eras tão forte, tão invencível, como é que podia imaginar que eras capaz de morrer... Já não chegava, o Tio Chico, ter partido... Porquê?
Tive que cumprir as tuas instruções, até depois de teres morrido, eu continuei a cumprir ordens. Pediste-me o impossível, não chorar no teu enterro... Carreguei te aos ombros, levei te ao inferno do fogo, vi te entrar naquele forno, sem deitar uma lágrima. Assim tu mandaste. Porque foste sempre tão grande, tão forte, tão invencível?
Como foste capaz de me deixar aqui... sem ti!? Não achas que já bastavam todas as mortes... todas as zangas. Era a altura de eu te poder apreciar... Poder estar perto de ti, ver-te ficar mais Humano, disponível. Nunca tiveste tempo, agora tinhas tudo. Sonhei todos os dias da minha vida, puder estar contigo, com tempo, conversarmos, conheceres me melhor. Tantos anos estivemos longe.
Às vezes eras tão duro, tão distante, mas o teu olhar, sempre me encheu a alma, a tua força, as tuas certezas, as tuas atitudes radicais... Estou a ver te de jeans, de socas, de camisola interior do Ameal, a quem pomposamente chamavas de T'shirt... E de toga!
Não consigo deixar te partir. As pessoas olham para mim como se fosse tola, quando eu falo de ti... Acham que já passaram muitos anos, a mim parece-me uma mentira GROSSEIRA!
Éramos tão amigos, como eu te amava, como eu ainda te amo. Dava tudo para te puder dar um abraço. Ouvir-te chamar “meu amor”, “Cotas”. Sonho, tantas vezes, que me vens cobrir, que me vens dar um beijo. Deixaste-me muita coisa boa... muita. Algumas certezas importantes... que sou inteligente, que sou boa mãe, que fui uma boa filha...
Bem sabes, que se pudesses tinha trocado contigo, deste-me a certeza que acreditavas nisso, porque eu tinha ido no teu lugar....
Sete anos passaram... Continuo sem querer acreditar, que partiste, como passaste a chamar à morte, desde que ela te começou a chamar. Onze meses passamos, na esperança de vencer a doença, eras tão bonito por dentro, tinhas tanto cuidado com os outros. Eras tão humilde, querias fazer tudo sozinho, não querias incomodar, dar trabalho.
Fiz tudo o que sabia para te ajudar a vencer os efeitos devastadores dos tratamentos, que sempre enfrentas-te com tanta coragem, os enjoos, a perda de cabelo, a Dor!...
Queríamos tanto vencê-la!... Essa doença má, tão má, que te fez sofrer tanto... Foi-te consumindo, brincando contigo, até te pôs melhor uns dias antes, de te obrigar a ir para o hospital, querias tanto adormeçer na Pesqueira. Merecias tanto adormecer naquele lugar lindo como tu. Sei que te desiludi, mas eu tinha que te levar ao hospital. Não podia deixar-te na Pesqueira, ias sofrer muito. Desculpa, mas teve que ser.
Sabes Riqui, eu não podia fazer mais, não sabia, tentei pensar por ti, tentei fazer o melhor, mas não fui capaz de vencer e de te ajudar a vencer essa maldita doença, estou aqui a escrever, as lágrimas malditas não param de correr pela minha cara abaixo. Sabes é a dor de não te ter perto de mim, é revolta de coisas que te fiz passar, é revolta de ver a minha vida passar, a minha incapacidade de ser feliz.
Sabes, claro que sabes, sempre soubeste tudo, que entrei para a Católica, vinte e cinco anos depois. E sabes que até aí continuo presa a ti.... Tenho medo de começar o curso, uma mistura complicada, entre realizar um sonho, e medo de ao realiza-lo, me aconteça alguma coisa. Medos de viver, ou melhor, sempre foram sinceros um com o outro, medo de morrer.
Já não tenho nada a provar a ninguém, mas sabes que perder nem a feijões... Mas a má noticia é que me sinto a definar, aos poucos, estou A DEIXAR-ME ABATER. Sabes acho que no fundo, tenho medo de realizar o meu sonho.
Apenas queria dizer-te que te amo, que sempre te amei, e que te vou amar sempre, não, não penses que me estou a despedir de ti, estou a desabafar contigo, e a tentar convencer-me que vou ultrapassar tudo isto.
Vou tentar prestar-te a verdadeira, e a única, homenagem que te posso prestar, a que te devo em honra do nosso amor, vou tentar ser feliz, como te prometi, vou tentar tirar esse curso, por mim, Ricardo, mas vou levar-te sempre no meu coração.
Beijo grande, Pai...
Como me disseste, até sempre, meu grande amigo!!!
A vida dá voltas e reviravoltas, tantos anos para chegarmos a uma relação equilibrada.
Nunca fui o que esperavas, provavelmente, nem sabes o que esperavas de mim.
Tanta gente que não aproveita a vida, não vibra, não ama, não luta, não deseja, não grita, não ri, não chora, não berra, bolas…….Porquê tu ainda tão novo, tão cheio de ânsia de viver, de amar, de ver, de ser feliz?
Se soubesses como fiquei zangada, por me obrigares a tomar decisões, sempre a pensar no que seria melhor para ti. Bolas, eras tão forte, tão invencível, como é que podia imaginar que eras capaz de morrer... Já não chegava, o Tio Chico, ter partido... Porquê?
Tive que cumprir as tuas instruções, até depois de teres morrido, eu continuei a cumprir ordens. Pediste-me o impossível, não chorar no teu enterro... Carreguei te aos ombros, levei te ao inferno do fogo, vi te entrar naquele forno, sem deitar uma lágrima. Assim tu mandaste. Porque foste sempre tão grande, tão forte, tão invencível?
Como foste capaz de me deixar aqui... sem ti!? Não achas que já bastavam todas as mortes... todas as zangas. Era a altura de eu te poder apreciar... Poder estar perto de ti, ver-te ficar mais Humano, disponível. Nunca tiveste tempo, agora tinhas tudo. Sonhei todos os dias da minha vida, puder estar contigo, com tempo, conversarmos, conheceres me melhor. Tantos anos estivemos longe.
Às vezes eras tão duro, tão distante, mas o teu olhar, sempre me encheu a alma, a tua força, as tuas certezas, as tuas atitudes radicais... Estou a ver te de jeans, de socas, de camisola interior do Ameal, a quem pomposamente chamavas de T'shirt... E de toga!
Não consigo deixar te partir. As pessoas olham para mim como se fosse tola, quando eu falo de ti... Acham que já passaram muitos anos, a mim parece-me uma mentira GROSSEIRA!
Éramos tão amigos, como eu te amava, como eu ainda te amo. Dava tudo para te puder dar um abraço. Ouvir-te chamar “meu amor”, “Cotas”. Sonho, tantas vezes, que me vens cobrir, que me vens dar um beijo. Deixaste-me muita coisa boa... muita. Algumas certezas importantes... que sou inteligente, que sou boa mãe, que fui uma boa filha...
Bem sabes, que se pudesses tinha trocado contigo, deste-me a certeza que acreditavas nisso, porque eu tinha ido no teu lugar....
Sete anos passaram... Continuo sem querer acreditar, que partiste, como passaste a chamar à morte, desde que ela te começou a chamar. Onze meses passamos, na esperança de vencer a doença, eras tão bonito por dentro, tinhas tanto cuidado com os outros. Eras tão humilde, querias fazer tudo sozinho, não querias incomodar, dar trabalho.
Fiz tudo o que sabia para te ajudar a vencer os efeitos devastadores dos tratamentos, que sempre enfrentas-te com tanta coragem, os enjoos, a perda de cabelo, a Dor!...
Queríamos tanto vencê-la!... Essa doença má, tão má, que te fez sofrer tanto... Foi-te consumindo, brincando contigo, até te pôs melhor uns dias antes, de te obrigar a ir para o hospital, querias tanto adormeçer na Pesqueira. Merecias tanto adormecer naquele lugar lindo como tu. Sei que te desiludi, mas eu tinha que te levar ao hospital. Não podia deixar-te na Pesqueira, ias sofrer muito. Desculpa, mas teve que ser.
Sabes Riqui, eu não podia fazer mais, não sabia, tentei pensar por ti, tentei fazer o melhor, mas não fui capaz de vencer e de te ajudar a vencer essa maldita doença, estou aqui a escrever, as lágrimas malditas não param de correr pela minha cara abaixo. Sabes é a dor de não te ter perto de mim, é revolta de coisas que te fiz passar, é revolta de ver a minha vida passar, a minha incapacidade de ser feliz.
Sabes, claro que sabes, sempre soubeste tudo, que entrei para a Católica, vinte e cinco anos depois. E sabes que até aí continuo presa a ti.... Tenho medo de começar o curso, uma mistura complicada, entre realizar um sonho, e medo de ao realiza-lo, me aconteça alguma coisa. Medos de viver, ou melhor, sempre foram sinceros um com o outro, medo de morrer.
Já não tenho nada a provar a ninguém, mas sabes que perder nem a feijões... Mas a má noticia é que me sinto a definar, aos poucos, estou A DEIXAR-ME ABATER. Sabes acho que no fundo, tenho medo de realizar o meu sonho.
Apenas queria dizer-te que te amo, que sempre te amei, e que te vou amar sempre, não, não penses que me estou a despedir de ti, estou a desabafar contigo, e a tentar convencer-me que vou ultrapassar tudo isto.
Vou tentar prestar-te a verdadeira, e a única, homenagem que te posso prestar, a que te devo em honra do nosso amor, vou tentar ser feliz, como te prometi, vou tentar tirar esse curso, por mim, Ricardo, mas vou levar-te sempre no meu coração.
Beijo grande, Pai...
Como me disseste, até sempre, meu grande amigo!!!
Maria Sá Carneiro
Crianças e Adolescentes com Necessidades Educativas Especiais
Postado por
Curiosa Qb
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Petição pela melhoria do Decreto-Lei 3/2008, de 7 de Janeiro
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A Sua Excelência
Presidente da República Portuguesa, Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva Excelência,
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A recente publicação do Decreto-Lei nº 3/2008, de 7 de Janeiro, veio estabelecer novas regras no atendimento a crianças e adolescentes com necessidades educativas especiais (NEE), alterando os pressupostos legais determinados pelo Decreto-Lei nº 319/1991, de 23 de Agosto. No entanto, estas alterações em nada favorecem o atendimento à maioria dos alunos com NEE, desrespeitando até os seus direitos e os das suas Famílias, conforme os pontos descritos nas alíneas seguintes:
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1. O primeiro ponto prende-se com a condição restritiva e discriminatória da lei. Ao limitar o atendimento às necessidades educativas especiais dos alunos surdos, cegos, com autismo e com multideficiência (ler com atenção artigo 4º, pontos 1 a 4), está a discriminar a esmagadora maioria dos alunos com NEE permanentes (mais de 90%), alunos com problemas intelectuais (deficiência mental), com dificuldades de aprendizagem específicas (dislexias, disgrafias, discalculias, dispraxias, dificuldades de aprendizagem não-verbais), com perturbações emocionais e do comportamento graves (ex., psicoses infantis, esquizofrenias) e com problemas de comunicação (ex., problemas específicos de linguagem).
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2. O segundo ponto tem a ver com o uso da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (vulgo CIF), da Organização Mundial de Saúde, (artigo 6º, ponto 3) para determinar a elegibilidade do aluno com NEE para os serviços de educação especial e subsequente elaboração do programa educativo individual, sem que a investigação assim o aconselhe. O mais caricato é que a CIF que a lei propõe é a versão para adultos e não a CIF-CA (Classificação Internacional de Funcionalidade para Crianças e Adolescentes) ainda em fase exploratória. E mesmo depois da discussão sobre a sua adaptação para crianças e adolescentes, em Veneza (Outubro de 2007), ainda não existe investigação que aconselhe o seu uso, nos termos que o Decreto-Lei propõe ou em quaisquer outros termos, constituindo-se, assim, como referimos, uma ameaça aos direitos dos alunos com NEE e das suas Famílias. Deste facto é testemunho o posicionamento de eminentes cientistas e investigadores estrangeiros e nacionais, alguns deles envolvidos na adaptação da CIF para crianças e adolescentes, estando todos eles em desacordo quanto ao seu uso em educação no momento presente.
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Pensamos que estas duas questões, gravíssimas na sua moldura educacional, baseadas na falta de investigação credível e no facto de que aqueles que advogam o uso da CIF asseverarem que ainda não é o momento oportuno para que ela seja usada em educação, aconselhando muita prudência, são suficientes para que a lei seja repensada à luz do que devem ser as boas práticas educacionais para os alunos com NEE.
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Nestes termos, solicitamos muito respeitosamente os bons ofícios e a intervenção de V. Exa. no sentido de contribuir para que a actual situação seja objecto de uma decisão política clara e inequívoca que viabilize a resolução dos constrangimentos acima referidos, os quais afrontam os direitos das crianças com NEE e das suas Famílias.
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Luis de Miranda Correia ( lmiranda@iec.uminho.pt )
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Pós-texto: Sobre o Ensino Especial em Portugal e este Decreto, de ler a reflexão de Fernando Magalhães, Plataforma de Pais pelo Ensino Especial



