Quantos seremos?
Postado por
Curiosa Qb
em quarta-feira, 19 de março de 2008
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Não sei quantos seremos, mas que importa?!
Um só que fosse, e já valia a pena
Aqui, no mundo, alguém que se condena
A não ser conivente
Na farsa do presente
Posta em cena!
.
Não podemos mudar a hora da chegada,
Nem talvez a mais certa,
A da partida.
Mas podemos fazer a descoberta
Do que presta
E não presta
Nesta vida.
.
E o que não presta é isto, esta mentira
Quotidiana.
Esta comédia desumana
E triste,
Que cobre de soturna maldição
A própria indignação
Que lhe resiste.
.
Etiquetas:
Artes e letras
Um só que fosse, e já valia a pena
Aqui, no mundo, alguém que se condena
A não ser conivente
Na farsa do presente
Posta em cena!
.
Não podemos mudar a hora da chegada,
Nem talvez a mais certa,
A da partida.
Mas podemos fazer a descoberta
Do que presta
E não presta
Nesta vida.
.
E o que não presta é isto, esta mentira
Quotidiana.
Esta comédia desumana
E triste,
Que cobre de soturna maldição
A própria indignação
Que lhe resiste.
.
Miguel Torga
O Sonho
Postado por
Maria Sá Carneiro
em terça-feira, 18 de março de 2008
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Quantos anos esperei ter-te, Sonho da vida inteira!!
Tardaste tantos anos!
Tantas vezes me deitei à tua espera... Fechava os olhos, devagar, devagarinho, à espera que me invadisses docemente...
Como dizem, mais vale tarde do que nunca, senti que ias chegar nesse dia, cama lavada, pijama novo, fechei os olhos... Comecei por sentir o teu cheiro, um odor agradável a maresia, um ruído ao longe das tuas ondas, fortes, cheias de força.
Tantas formas tens, tantos cheiros!...
Lembras-me as torradas de pão da Avó com manteiga, acúçar e canela. O frango com natas da Tia Isabel, o cheiro do mar no molhe, o pôr-do-sol entre uma SuperBock e um charro. A mãe cheirosa que sempre sonhei, com o seu beijo, no meio do sono, o seu sorriso, a contemplar-me durante o sono.
Lembras-me o cheiro da terra, da relva cortada pelo Tio, de Barcelos, seguramente o período mais feliz da minha infância.
A vida foi correndo!
Imaginei-te num casamento que não deu certo. Encontrei-te nos nascimentos das míudas, nas suas primeiras palavras, nos seus primeiros passos.
Teimavas não chegar só para mim. Como sempre imaginei, como sempre me fizeram crer que tinha direito.
Teimavas não chegar só para mim. Como sempre imaginei, como sempre me fizeram crer que tinha direito.
Passaram muitos figurantes...
De alguns deles só guardo uma imagem difusa, de outros um sorriso, uma flor maior... mas nada demais que me faça suspirar como suspiro por ti, Sonho...
Como esperei por ti toda a vida!
Já tinha desanimado, perdido a esperança, que nunca me virias visitar.
Vieste num dia frio de Inverno, num dia que me deitei cansada, mas pensando, agora suavemente animada. Adormeci embalada por um bom jantar, dois copos de planalto, uma boa lareira.
Chegaste devagar, terno, embalador, entrelaçaste-te no meu sono, abraçaste-me. Não sei definir bem a tua cor, o teu cheiro, mas embalaste-me numa esperança doce e segura, que jamais me voltaria a sentir sozinha e triste.
Senti-me menina outra vez, mas protegida, segura, feliz mesmo!! Não a menina desesperada da vida inteira...
Como me senti bem, encostada ao teu peito, o colo que procurei desde sempre!...
Amada, desejada, protegida, feliz!
Deste-me, nessa noite tudo, o que sempre sonhei, os meus desejos da vida inteira.
Paz, segurança, colo, amor, esperança, dormi, "vivi", nessa noite, uma paz...
Vieste num dia frio de Inverno, num dia que me deitei cansada, mas pensando, agora suavemente animada. Adormeci embalada por um bom jantar, dois copos de planalto, uma boa lareira.
Chegaste devagar, terno, embalador, entrelaçaste-te no meu sono, abraçaste-me. Não sei definir bem a tua cor, o teu cheiro, mas embalaste-me numa esperança doce e segura, que jamais me voltaria a sentir sozinha e triste.
Senti-me menina outra vez, mas protegida, segura, feliz mesmo!! Não a menina desesperada da vida inteira...
Como me senti bem, encostada ao teu peito, o colo que procurei desde sempre!...
Amada, desejada, protegida, feliz!
Deste-me, nessa noite tudo, o que sempre sonhei, os meus desejos da vida inteira.
Paz, segurança, colo, amor, esperança, dormi, "vivi", nessa noite, uma paz...
Uma noite de felicidade, mudaste a firmeza do meu sorriso, deste-me cor, reacendeste a minha alma amargurada, até então!
Foram momentos... mas momentos que ficarão comigo até ao fim dos meus dias.
Tornaste-me mais humana, mais viva, mais brilhante!
Se não for pedir demais, visita-me antes de eu partir.
Assim partirei em paz!!
Maria Sá Carneiro
Gato Fedorento
Postado por
Maria Sá Carneiro
em sábado, 15 de março de 2008
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O Gato Fedorento, cada vez mais, está a torna-se na "verdadeira oposição", onde andam os ditos cujos Partidos Politicos supostamente oposição ao Governo?
Será que estão de férias, reformaram-se?
Amor e Solidariedade
Postado por
Maria Sá Carneiro
em quinta-feira, 13 de março de 2008
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Vivemos numa época de doidos, de corridas. E-mails, encontros e desencontros, preocupados com um país que está de tanga, com um Estado que nos tira, nos leva, nos rouba, e que nem sequer assegura o mínimo de condições para os nossos filhos.Vivemos numa total insegurança. É certo que tudo isto nos afecta, mais do que nos damos conta, e para os impostos que pagamos, pura e simplesmente estamos a ser explorados e roubados.
Mas será que apesar de tudo isto, que é muito grave, não poderemos ter algum tempo para o outro?
Sinto, acho que estamos a perder os valores humanos mínimos para uma vivência decente, cada vez estamos a distanciar-nos mais do que é importante, fulcral, para dar significado à nossa vida, enquanto seres humanos.
No início do ano, Descrevi numa caixa de comentários, aqui no blog, como foi o meu primeiro dia do ano. Trágico!
Comecei o ano com uma cena de violência doméstica, álcool... agressões... uma Mulher alcoolizada, a cair de bêbada, a escorrer sangue por todo o lado...
Uma criança, com seis anos, que assistiu a tudo... branco como a cal... só me pedia que tratásse da Mãe.
Nunca me senti tão impotente, tão incapaz!...
Hoje, essa Mulher está há 44 dias sem beber!! A tratar-se num Centro, a viver sozinha com os filhos.
Estive lá hoje a ajudá-la a preparar uma apresentação para o centro, nessa mesma casa, onde vivi tantos momentos de medo, de dor. Que dor senti! Nunca mais a vida foi normal, tão segura como era...
Percebi, que eu, também deixara aquela Mulher sozinha, que a culpa também era minha, ela tinha chegado àquele ponto de abandono, de solidão, de desleixo, de se abandalhar, ao ponto de se deixar espancar.
Estivemos três horas a preparar a apresentação, que ternura, que texto bonito. Comoveu-me, tocou-me, e fez-me pensar porque raio não hei-de apelar ao Amor, à Amizade.
Senti e vivi, com a recolha de assinaturas da Petição, a falta de solidariedade, o quão difícil foi a falta de solidariedade, a ingratidão, os julgamentos pela rama...
Nem com uma causa, que envolve crimes hediondos em crianças, foi possível a Verdade, a Amizade e o Companheirismo.
Deixo, aqui, apenas algumas palavras, que me fizeram parar, reflectir no sorriso daquela Mulher, com a sua apresentação em Power Point.
Maria Sá Carneiro
Processo crime contra denunciante de violações de Direitos Humanos nas prisões portuguesas
Postado por
Curiosa Qb
em quarta-feira, 12 de março de 2008
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Presto a minha solidariedade ao Prof. Doutor António Pedro Dores, grande activista e defensor de causas nobres, Sociólogo e professor agregado no ISCTE, que foi processado pelo Ministério Público (MP) por ter denunciado violações de Direitos Humanos em prisões portuguesas.
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O Prof. Doutor António Pedro Dores foi constituído arguido por crime de ofensa a pessoa colectiva, organismo ou serviço na forma continuada, sendo-lhe aplicada a medida de coacção de termo de identidade e residência.
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A ACUSAÇÃO, que parte da queixa do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, sustenta-se em declarações que o arguido deu à Comunicação Social, nas quais revela o tratamento bárbaro que por vezes os presos são alvo, assim como o alegado envolvimento de guardas em tráfico de droga. Tais declarações, são consideradas pelo MP como geradoras de alarmismo na opinião pública, sentindo-se os guardas ofendidos na sua honra.
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O que o MP argúi, é rebatido, e muitíssimo bem, pelo Prof. Doutor António Pedro Dores e seu Advogado Dr. José Preto, de cuja CONTESTAÇÃO destaco:
"[...] Na verdade, o Cidadão António Pedro Dores, investigador, Sociólogo, Professor Universitário (dos propriamente ditos) e militante dos Direitos do Homem, tem bem presente o universo das normas internacionais em vigor que se mostram violadas ou ignoradas nas queixas que recebeu e tornou públicas, quanto às normas cujo modo de revelação assenta na actividade da Organização das Nações Unidas [...] E isto dá bem a noção do que discutiremos depois deste processo e independentemente da natureza e alcance da sua decisão (seja tal decisão o que for), porque, como bem se sabe, em Janeiro de 2007 (ano da decisão instrutória) Portugal fora repetidamente condenado no Tribunal de Estrasburgo porque não demonstrara a necessidade em contexto democrático da condenação penal por alegada injúria ou difamação através da Comunicação Social (e ainda em Janeiro foi publicado o relatório do Conselho da Europa sobre as prisões portuguesas que, embora lacunar, é globalmente confirmativo das queixas recebidas pelo Prof. António Pedro Dores e que este, no estrito cumprimento dos deveres que o Direito lhe fixa, trouxe ao conhecimento público [...] este pronunciamento traduz a liberdade de expressão, sim, com o matiz da sua forma qualificada da liberdade de imprensa, claro, mas com a intensificação especialíssima da liberdade de consciência quanto ao sujeito que fala, em defesa da Dignidade Humana ofendida contra norma expressa [...]"
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Em Portugal, assiste-se cada vez mais à perseguição (pois sim, porque processos deste não são mais que atitudes pidescas para silenciar) dos que exercem a sua liberdade de expressão, cumprem o seu dever de cidadãos e lutam pelos Direitos Humanos.
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Diz a sabedoria popular que "quem diz a verdade não merece castigo". Oxalá o Povo se faça ouvir.
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Prof. Doutor António Pedro Dores, FORÇA!
Taxa Multibanco
Postado por
Maria Sá Carneiro
em segunda-feira, 10 de março de 2008
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Os bancos preparam-se para nos cobrarem 1,50 Eur por cada levantamento nas caixas ATM. Isto é, de cada vez que levantar o seu dinheiro com o seu cartão, o banco vai almoçar à sua conta . Este "imposto" (é mesmo uma imposição, e unilateral) aumenta exponencialmente os lucros dos bancos, que continuam a subir na razão directa da perda de poder de compra dos Portugueses. Este é um assunto que interessa a todos os que não são banqueiros e não têm pais ricos. Quem não estiver de acordo e quiser protestar, assine a petição e reencaminhe a mensagem para o maior número de pessoas conhecidas. Já vai para cima de 200 000! http://www.petitiononline.com/bancatms/ DIVULGUEM ESTE EMAIL, PF. JÁ CHEGA DE SERMOS ROUBADOS PELA BANCA AO COBRO DA LEI. 


