Antecipação como contra-ataque
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Passado pouco mais do que um mês, anuncia-se o lançamento, já para o próximo dia 16, de outra biografia, desta feita autorizada e com a participação do próprio, de edição da espanhola A Esfera dos Livros. Em Junho, para além do Euro 2008 e dos Santos Populares, estará à venda Sócrates - O Menino de Ouro do PS.
A autora, Eduarda Maio, afirma ter feito uma recolha exaustiva e que o título nada tem a ver com futebol. Provavelmente não tem, não faço ideia, mas que o título se assemelha ao cognome de Cristiano Ronaldo assemelha, que depois da participação de socialistas no “Agora Aqui” me faz lembrar uma placagem faz.
Mesmo que a tiragem do Menino de Ouro venha a ser superior ao comum, será interessante ver se O homem e o líder, dependente das encomendas, terá (ou não) igual saída e impacto.
Será que assistiremos a um conta-contra-ataque, saindo o O homem e o líder, mais cedo que previsto?
Euro 2008: adeptos portugueses em Genebra
EPISÓDIO IV – Novos "Mundos"...
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Pois é!!
Finalmente lá chegou o dia de exame da 4ª classe, onde tive de provar o meu aproveitamento.
Para além da professora, D. Maria José, sempre a passear pelo meio das carteiras, tinha pela frente uma folha de exame onde teria de mostrar o que valia. Desde o Português à Matemática, e aqui a minha memória não me ajuda, sei que fiquei aprovada para transitar para o ensino preparatório.
Passada essa fase, encontrava-me de férias! E estas tinham um sabor especial! Ia transitar para outra escola, outro ritmo de aprendizagem... toda a gente me dizia que era muito diferente...
Essas férias, saborosas e muito esperadas, significavam o meu crescimento: tinha 10 anos, a caminho de 11... a expectativa era enorme!!
Mas, para além disso, sabia que, durante aquele período de descanso, ia realizar uma tarefa de que gostava muito: ajudar o meu Pai na fábrica de botões.
Não fazia nada de especial... mas gostava de o observar a fazer botões de vários tamanhos, formas e cores.
Divertia-me!
O fabrico de botões, naquela época artesanal, era algo complexo e exigia método de trabalho e algum risco para o operador das máquinas. Uma distracção e lá se ia um dedo ou uma mão. Que me lembre nunca houve nenhum acidente de trabalho
A matéria-prima era formada por grandes placas de polyester: 50cmx20cm (umas originalmente brancas, outras de cores escuras e de várias espessuras). Estas eram cortadas, longitudinalmente, por uma moto-serra, em 2 placas menores, processo que facilitava o seu manuseamento.
Cada máquina de corte tinha dois terminais, a curta distância entre si. Num deles era colocado um adaptador, de vários tamanhos, que cortava a placa em pequenas rodelas – o botão em bruto... o outro terminal consistia num orifício oco, de tamanho ajustável, onde se encostavam as tais placas... a aproximação e a força, aplicada através de um torniquete em alavanca, fazia o corte da dita rodela.
Todo este processo se repetia até que a placa não permitisse cortar mais rodelas. O que restava da placa com os cortes era descartado.
Uma vez cortadas, as rodelas eram sujeitas à acção de outra máquina, também com vários adaptadores... um que as agarrava e segurava e outro que esmerilava ou dava forma ao modelo que se pretendia.
De seguida, as rodelas já modeladas, seguiam para outra máquina para que se lhe fizessem 2 ou 4 buracos simétricos, conforme o fim a que destinavam os botões.
Um penúltimo processo consistia em descarregar todos os botões num enorme tambor, que finalmente iria polir e dar brilho aos mesmos.
O que me dava mesmo um gozo incrível era, depois de assistir a tudo isto, encartar os botões!! De agulha enfiada em linha numa mão, um dedal no dedo médio, um cartaz, com 24 marcações, na outra mão... era ver-me ao despique com a minha mãe, para saber no final quantos cartões de botões cada uma tinha preenchido!!!
Era mesmo uma diversão!!!
Os dias iam-se passando entre a fábrica de botões, a praia ou um passeio pelas zonas mais interiores – Cacuaco ou Catete - no fim-de-semana.
Quando íamos ao Cacuaco, comíamos a tão saborosa “moambada”. Uma delícia, aquela “cola de sapateiro” acompanhada de frango ou galinha velha em molho de dendém (proveniente das bagas duma espécie de palmeira), engrossado com quiabos.
Bem... de fazer crescer água na boca só de pensar... A minha Mãe, para matarmos saudades, ainda chegou a confeccionar essa iguaria, diversas vezes... Infelizmente, por motivos de saúde, já não matamos essas saudades.
Terminadas as férias, ingressei na Escola Preparatória Emídio Navarro (posteriormente adaptada para Escola Industrial). Mais longe do que o Colégio, o meu Pai era obrigado a levar-me todos os dias.
Depois de todas a atribulações que passei naqueles quatro anos de escolaridade primária, via-me, agora defrontada com um ambiente totalmente diferente do anterior (onde estava confinada a uma sala de aulas): várias disciplinas, várias salas de aulas... tinha que me deslocar para sítios diferentes... um horário escolar... enfim, outro Mundo!
Quando entrei para a primeira aula, de apresentação dos professores, demarquei o meu território: uma carteira junto à janela.
As salas de aulas eram grandes e o fundo das mesmas estava vazio de carteiras. As janelas eram formadas por largas lâminas de vidro, que se podiam inclinar ou abrir, para que o ar entrasse ou o sol não batesse directo na cara, tal era o calor lá dentro.
No recinto exterior, em frente à entrada da Escola, todos os dias de manhã se encontravam as quitandeiras, mulheres ou crianças, que vendiam frutos tropicais (goiabas, bananas, mamões, etc), mandioca, “esticas” (uma espécie de doçaria, algo dura e estriada, tipo “churro”, de sabor mais ácido que doce, e que esticava quando trincado), e o saborosíssimo tambarindo... Hum... tenho tantas saudades!!
O tambarindo era uma fruta em forma de vagem, de casca globulada, acastanhada, e que uma vez descascado apresentava um interior meio viscoso, que se derretia na boca, deixando uma semente. Era a minha delícia... perdia-me a degustá-lo!!
Todos os dias gastava 2 centavos na compra duma vagem às tais quintandeiras. Ainda me lembro do preço!
Já o comprei aqui... mas não tem o mesmo sabor! E o preço!? Bem... nem se lhe pode chegar: 3,90€!!

O passado atribulado dos anos anteriores foram cruciais para que eu pudesse encarar estas novas responsabilidades com a autodisciplina que era preciso e que esse novo Mundo exigia. Estava sempre nos lugares de destaque quer no aproveitamento quer no comportamento.
Dois anos passados e novo “salto”... Estava no ensino secundário!... Mais exigências, mais tempo de estudo... Mas eu gostava!!
Desta vez o cenário era o Liceu D. Guiomar de Lencastre. Só para raparigas!
Ali, o meu rendimento escolar não foi tão notável... a instabilidade do país começou a fazer-se sentir: tinha de ficar em casa, muitas vezes... Tornara-se perigosa a deslocação para muitos locais!
O 25 de Abril tinha estalado em Portugal e as suas repercussões começavam a chegar a Angola e restantes ex-colónias.
Devo confessar que foi a partir dessa altura que me foi apresentado o 1º cigarro, que experimentei no meio de muitas tossidelas e às escondidas, claro.
Até hoje, é o meu companheiro de “carteira”!!
O golpe do telefone - ALERTA
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Jorge Monteiro
(Inspector)
Área Técnica Profisional
Instituto superior de Polícia Judiciária e Ciências Criminais
Quinta do Bom Sucesso, Barro - 2670 - 354 LOURES
Telf: 219844265 E-mail: jorge.monteiro@pj.pt
Ligam para a sua casa, empresa ou telemóvel, dizendo que é do Departamento Técnico da empresa telefónica local, ou da empresa que trabalha para a mesma.
Perguntam se o seu telefone dispõe de marcação por 'tons'.
A marcação de um telefone pode ser por impulsos (pulse), ou por tons (tone).
Hoje em dia, todos os telemóveis dispõem da marcação por tons, o mesmo acontecendo com a maioria dos telefones fixos.
Com o pretexto de que estão a testar o seu telefone, pedem-lhe para discar 90#.
Uma vez executada esta operação, a pessoa informa que não há nenhum problema com o seu telefone, agradece a colaboração e desliga.
Terminado este procedimento, você acaba de habilitar sua linha telefónica como receptora a quem lhe acabou de lhe telefonar; isto chama-se 'CLONAGEM', ou seja, uma copia fiel da sua linha telefónica.
Daí em diante, todas as ligações feitas por aquela pessoa que lhe telefonou inicialmente, serão DEBITADAS NA SUA CONTA DE TELEFONE.
Isto está a ocorrer com telefones fixos e com telemóveis.
Nunca digite 90 # no seu telefone.
Até agora as companhias telefónicas não sabem como parar, detectar ou evitar esta fraude.
Por isso, É IMPORTANTE QUE ESTA INFORMAÇÃO SEJA PASSADA AO MAIOR NÚMERO POSSÍVEL DE PESSOAS.
Rock in Rio: emissão em directo
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À publicação deste post (agendado) devem estar a finalizar a actuacção os finlandeses Apocalyptica, num Metal sem guitarras, apenas violoncelos e bateria, precedidos pelos portugueses Moonspell e sucedidos por Machine Head (22h) e finalmente Metallica (23h45m) que de certo darão um espectáculo de 3h à semelhança do que fizeram o ano passado (a salvação da péssima organização) no SuperBock SuperRock.
Amanhã ainda se pode ver Orishas (18h45m), Kaiser Chiefs (20h15m), Muse (21h45m), The Offspring (23h15m) e Linkin Park (1h) no Palco Mundo, AQUI na INTERNET se não for ao Parque da Bela Vista.
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Pós-texto (04:40 de 06/06/2008): não pude ver os concertos de hoje, mas segundo informações duns amigos que foram, os Metallica ficaram-se por 2h de concerto em que a surpresa foi não haver novidades e todas as bandas estarem muito mais sóbrias que Amy Whitehouse (piada oficial do festival), de resto gostaram bastante.
Episódio III – Escola: inicio atribulado
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Uma vez, fui dar ao centro de um musseque, o Cazenga, que distava da nossa casa cerca de 500m, mesmo no extremo da rua onde morávamos. Perdi-me... tentei regressar pelo mesmo caminho, mas não consegui!... Andava às voltas e vinha dar sempre ao mesmo sítio. Deixei-me ficar ali... a minha mãe havia de dar pela minha falta.
Estranhando ver uma menina branca perto do musseque, uma senhora, preta, acercou-se de mim e perguntou-me de onde eu era. Mas se eu nem sabia!!
Apenas sabia que morava no Bairro Adriano Moreira, e porque tinha ouvido falar aos meus pais.
Ela pegou-me pela mão e levou-me de volta. Felizmente entrou na minha rua... a minha mãe andava a bater de casa em casa, perguntando se me tinham visto ... Mal a vi corri para ela e abracei-a! Ao ver-me acompanhada pela senhora preta, olhou para mim, questionando-me com o olhar quem era...
“É a senhora que me salvou!” - disse eu.
“Está bem.” - disse a minha mãe, voltando-se para a tal senhora para lhe agradecer - “Vamos para casa e lá conversamos”.
Eu toda contente por ter reencontrado a minha mãe, depois de tamanho susto, mal sabia que a conversa seria uma valente surra... seguida de uma conversa sobre os perigos que tinha corrido.
“Mas a senhora até me trouxe para casa... ela não me ia fazer mal nenhum, Mãe!”
“Ouve o que te digo e obedece. É a última vez que fazes isto.”
Meti-me no meu quarto, com as lágrimas a correrem pela cara abaixo... Ainda com as nádegas a fumegarem do castigo físico, revi tudo o que se tinha passado...
O meu medo... que proeza... nunca mais faria aquilo, mesmo que a minha mãe não me tivesse castigado.
Até ao inicio das aulas não me atrevi a avançar para além daqueles muros... nem saía do portão para a rua. O meu território era aquele quintal... entretinha-me a subir pelo tronco acima do mamoeiro, com cerca de 4 a 5 metros de altura!!
Dia 20 de Setembro... o primeiro dia de aulas!!! O meu Pai foi-me levar ao Colégio da Cuca. Entregou-me à sra. D. Maria Augusta, a professora que a partir daquele dia se ia encarregar de me dar instrução.
Entrei para a sala de aulas e a professora destinou-me um lugar. Sentei-me, mas ficar quieta não era comigo... passava a vida a virar-me para trás ou para o lado, para falar com os colegas.
A D. Maria Augusta advertia-me para ficar calada... mas qual quê... ficar calada como?! Impossível !
Após muitos avisos, a professora chamou-me perto da secretária e pediu-me para estender a mão. Confiante, estendi a mão direita. Repentinamente, a professora pegou na régua e abateu-a sobre a minha mão, desferindo 4 reguadas... à quinta desviei a mão e a régua bateu-me numa falange do dedo polegar da mão... Ainda hoje conservo a sequela do acontecido e sempre que dobro o dedo essa lembrança volta...
Quando cheguei a casa, a minha mãe, vendo-me pesarosa, perguntou-me o que tinha acontecido... contada a minha versão sumária, obtive como resposta: ”Bem feito!, Para a próxima comporta-te bem!!”
No dia seguinte, quando o meu pai me voltou a deixar ao portão da escola, nem o deixei afastar-se!... Desatei a correr atrás do carro, a gritar que não queria ficar ali.
Frequentei a primeira classe nesse Colégio. Mas nunca me consegui integrar!
Na segunda classe, após pedido de transferência, fui para outro local: Colégio Dr. Adriano Moreira.
Mas no inicio, também aí, a minha adaptação foi algo penosa!
Relembro com muita saudade aqueles anos naquele colégio, onde fiz duas amiguinhas: a Mercês (portuguesa) e a Judite (angolana, pretinha de gema).




