Reflexos de Luz
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Pedaços de mim embrenhados na luz do mundo, deste mundo e de todos os mundos por onde vagueio, perdida na sombra, ao frio, procuro luz de Mãe, luz de Pai e de Tio, palcos cobertos de figurantes num cenário perfeito de luz e de contrastes, onde só eu mesma me encontro deslocada, colada com cuspe a um filme que aderi por medo.Medo de te ver luz branca, brilhante, pura como eu sempre procurei, mas onde não há lugar a fantasias rosa, pois tu luz não te deixas enganar na minha velha cantiga, de rocha segura!
Bem sabes que por dentro estou a ficar oca e vazia, de tanto brincar às cores, que em nada condizem com a minha alma, e o meu coração dorido. Naquele dia em que te vi, pela primeira vez, sentiste ansiedade no meu olhar, como tenho buscado por ti toda a vida, quando sempre estiveste dentro de mim, a meu lado, esperando que eu parasse para te puder contemplar.
Atropelei-me para não parar, a dor era insuportável para o conseguir fazer, assim segui correndo, contra mim e contra todos, ignorando os teus ténues e firmes avisos, que….Estavas mesmo à minha frente, baralhei mundos, semeei tempestades e bonanças, para pura e simplesmente:
Não te ver luz!
Quanta cobardia agora me dou conta, tanta coragem engalanada, quanta correria e canseira, tantos figurantes desperdiçados em filmes perdidos em nome de coisa nenhuma!
Assustada por te encontrar, para ser branda com as palavras, mas determinada a não me perder mais de ti, a dar-me esse tempo, pois o luto já terminou neste e no outro mundo há muito, chega de mentir a mim mesma, por isso colei-me nesse olhar puro, mas forte que me trespassou mas ao mesmo tempo, me deu uma nova esperança, que não terei que me mutilar mais para poder ser apenas eu!
Maria
Fotografia – Manuela de Sá Carneiro
Vinicius de Moraes - SOLIDÃO
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Politicagem
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Festa Brava
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Adenda [14/08/09 às 03:44h]: notícia do Jornal i, "Guerra entre candidatos acaba em agressão", já disponível AQUI.
" Guerrilha ideológica" ou o 10/08/2009 como Restauração da Monarquia
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Do 31 da Armada, com passagem no Telejornal da RTP 1
Segundo o Expresso, o hastear da bandeira monárquica «decorreu durante a noite "apesar da forte vigilância policial"» e que «"na sequência do incidente, o município de Lisboa tomou medidas no sentido de averiguar as circunstâncias em que este ocorreu, tendo participado o caso às autoridades competentes"».
Palpita-me, não sei bem porquê, que a vigilância era tão forte, mas tão forte, que o Darth Vader teve que convocar o dark side of the Force de Lisboa e arredores para conseguir este feito. Será que António Costa prepara o regresso dos clones?
Ai Portugal, Portugal...
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«Ao pedir a um cunhado médico que lhe engessasse o braço antes de uma prova judicial de caligrafia que o poderia incriminar, António Preto mostrou ter um nervo raro. Com este impressionante número, Preto definiu-se como homem e como político. Ao tentar impô-lo ao país como parlamentar da República, Manuela Ferreira Leite define-se como política e como cidadã.
[…]»
Excerto da crónica
“Os comediantes”, por Mário Crespo no JNPhill Collins - Take me Home
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O que há em mim é sobretudo cansaço!
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O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos
O CC&Cª está de parabéns
Adeus, Esperança!
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Palavras que disseste e já não dizes,
Palavras como um sol que me aqueciam,
Olhos loucos de um vento que soprava
Nos olhos felizes que eram meus...
Palavras que disseste e que diziam
segredos que eram lentas madrugadas,
promessas (im)perfeitas, murmuradas
enquanto os nossos beijos permitiam.
Palavras que já não me dizias há tanto tempo
Esquecidas para mim, são ditas a outro alguém,
Deixei de as ouvir, o teu amor ficou além
Acreditei sempre em ti, no meio de nenhuma sombra
Adoras-me?! Gostas muito de mim?!
Tudo o que, naquele dia, ouvi de ti foi com o vento!
Junto-me agora ao Tempo, meu companheiro fiel,
Não posso ser duas pessoas, uma não cabe na outra
Resignei-me, já não luto, apenas engulo o fel.
Amor, querer, desejo, nunca deixei de te sentir
Mas são palavras minhas, apenas e só minhas,
Persistem na memória magoada que arrasto pelas ruas.
Recordações? Essas, ficam, não as jogarei fora
Momentos, apenas momentos, o que vivemos,
Para toda a eternidade, guardá-los-ei!
Como lembranças, longínquas, de nós!






